Sobre esta coleção

Em 1917, três pastorinhos de Fátima disseram que uma Senhora lhes aparecia uma vez por mês, de maio a outubro. A 13 de outubro, uma multidão de dezenas de milhares de pessoas relatou ter visto o sol girar, mudar de cor e parecer precipitar-se sobre a terra. Milhares de documentos sobre estes acontecimentos foram mais tarde reunidos e publicados pelo Santuário de Fátima na Documentação Crítica de Fátima (DCF), uma edição crítica em 15 tomos (1992–2013).

Esta coleção reúne todos os relatos de testemunhas, diretas e indiretas, dos acontecimentos de 1917 que se encontram nos volumes de que dispomos: as passagens em que alguém descreve o que viu ou ouviu pessoalmente (testemunho direto) ou transmite o que lhe contou uma pessoa concreta e identificável (testemunho indireto). Incluem-se os próprios videntes, Lúcia, Francisco e Jacinta, cujas palavras nos chegam através dos interrogatórios e de escritos posteriores. Os simples rumores («diz-se que…») ficam de fora.

Fontes

Ainda não foram incluídos na íntegra os volumes I, II, IV, V/1–3 e V/5–6 da DCF. Os relatos que só neles aparecem serão acrescentados à medida que esses volumes forem digitalizados.

Método

  1. Digitalização e reconhecimento do texto. Os volumes impressos foram digitalizados e convertidos em texto por OCR (reconhecimento ótico de caracteres), mantendo a ortografia antiga conservada pelos editores, as notas de rodapé e as quebras de página. Verificou-se que o OCR «modernizava» discretamente a ortografia antiga (lugares em vez do logares do livro) e confundia algumas palavras com outras igualmente válidas (cavaleiro por cavalheiro). Numa fase de correção, todos os documentos com relatos foram confrontados com as digitalizações das páginas, e a Seleção com o texto digital da própria editora, para repor o texto da edição. A ortografia e a gramática de quem escreveu cada documento mantêm-se tal como os editores as imprimiram.
  2. Divisão em documentos. O texto foi dividido nos documentos numerados pelos editores (cartas, artigos, depoimentos…), cada um associado às respetivas páginas digitalizadas.
  3. Identificação das testemunhas. Cada documento foi lido por um modelo de IA, com critérios escritos que definem o que conta como testemunho direto ou indireto, a que acontecimento se refere e onde começa e acaba o relato. Uma segunda leitura, dedicada só aos videntes, recolheu as suas próprias declarações (interrogatórios, escritos de Lúcia e palavras que as famílias e os visitantes lhes ouviram). Cada relato é recortado do documento por um programa, palavra por palavra, pelo que o texto que aqui se lê é exatamente a transcrição dos editores.
  4. Verificação. Um segundo modelo releu todos os documentos com relatos para corrigir atribuições, acontecimentos e limites dos relatos, e para acrescentar o que tivesse escapado; o resultado foi comparado com um levantamento independente dos volumes, feito anteriormente. Uma última leitura percorreu todos os documentos, incluindo os que não tinham relatos, à procura de testemunhos sobre os acontecimentos de 1917 que tivessem ficado por recolher, por mais tarde que tivessem sido escritos; cada acréscimo foi confirmado por um revisor independente.
  5. Quem são. Cada testemunha está classificada por categoria (videntes, as suas famílias, gente da terra, clero, jornalistas, aristocracia, profissionais, cientistas e académicos, autoridades, estudantes, peregrinos, grupos), pela sua proveniência e, quando as fontes o dizem, pela atitude com que chegou, crente ou cética. As breves biografias baseiam-se nas notas de rodapé dos editores da DCF.
  6. Eliminação de duplicados. A mesma carta ou notícia aparece muitas vezes repetida (uma carta que depois saiu num jornal, um artigo transcrito noutro periódico, um documento reproduzido na Seleção). Os relatos quase idênticos são fundidos num só, e as restantes publicações ficam indicadas em «também publicado em». As diferentes declarações de uma mesma pessoa continuam separadas, mas partilham uma única página de testemunha.
  7. Tradução. A edição inglesa traduz, parágrafo a parágrafo, todos os relatos e os documentos completos em que figuram. Esta edição mostra apenas os textos originais. Os resumos dos relatos, as biografias, as descrições das testemunhas e os títulos das imagens, bem como as legendas que o livro não imprime, foram escritos em português com a ajuda de IA, a partir das versões inglesas, e conferidos com as fontes.

Classificações como «viu» ou «não viu nada», as etiquetas dos fenómenos e as distâncias são ajudas à leitura, não veredictos. Cada relato tem ligação para o documento completo e para as digitalizações das páginas, para que as possa confirmar por si.

Imagens

A galeria reúne as fotografias, os santinhos e os desenhos impressos nos volumes, endireitados e recortados. Quando existe uma cópia mais limpa da mesma fotografia (sobretudo as provas do arquivo do próprio Santuário de Fátima, feitas a partir dos negativos em vidro de 1917), é essa que se mostra como «prova de arquivo» e que serve de base às versões feitas com IA; caso contrário, usa-se a digitalização do livro. Cada imagem tem uma restauração a preto e branco e uma colorização, ambas feitas por IA com o GPT-Image 2.5 da OpenAI, na qualidade máxima, e conferidas visualmente com o original. As fotografias foram colorizadas como se tivessem sido tiradas hoje com uma câmara digital moderna, e não à maneira dos primeiros processos de fotografia a cores. São interpretações, não documentos históricos: o pormenor fino e todas as cores são reconstituídos e podem estar errados. Os originais, sem qualquer alteração, estão sempre à distância de um clique.

Créditos

Os documentos foram reunidos, transcritos e anotados pelos editores da Documentação Crítica de Fátima (Santuário de Fátima; direção científica do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa). A página do mapa abre num mapa atual; em alternativa, mostra o Mappa de Portugal feito em 1909 para o jornal O Século, que se conserva na Biblioteca Nacional de Portugal (domínio público). Num raio de cerca de 50 km em torno de Fátima, este mapa foi melhorado com IA: o GPT-Image 2.5 redesenhou-o com quatro vezes a resolução da digitalização e com todos os nomes impressos, que foram depois conferidos com a digitalização, um a um. Partes do restante foram ampliadas para o dobro da resolução e ainda não foram revistas. Este projeto nasceu do artigo de Scott Alexander «The Fatima Sun Miracle: Much More Than You Wanted To Know» (em inglês).

Dados atualizados a 9 de outubro de 2026: 471 relatos, 168 testemunhas e 182 documentos.

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