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DCF III-1, Doc. 40

3 out. 1917Vale de SantarémcartaLuísa da Madre de Deus da Cunha e Menezes, Marquesa da Ribeira Grande

3 out. 1917, Vale de Santarém (?)1

Cópia de parte de uma carta de Luísa da Madre de Deus da Cunha e Menezes, Marquesa da Ribeira Grande2, a um destinatário desconhecido, sobre o dia 13 de Setembro de 1917.

A - Paradeiro desconhecido.

B - AEL, Documentos de Fátima, J-2.

Descrição do Documento: Encontra-se numa folha de papel comercial, dobrada ao meio, cujas quatro páginas são preenchidas em 1-1v, por este documento e em 2-2v pelo Doc. 75 (carta de Mariana Pinto Coelho a sua tia, Marqueza de Ribeira, datada de p.13 de Outubro de 1917). A caligrafia é igual nos dois documentos.

Somos levados a crer que ambas as cópias (este documento e o Doc. 75) foram feitas pela Marquesa da Ribeira Grande, que assina este documento e transcreve, no Doc. 74, os elementos sobre o dia 13 de Outubro de 1917, transmitidos pela sua sobrinha Mariana Pinto Coelho.

Desconhecemos a data destas duas cópias, mas provavelmente são pouco posteriores à provisão de 3 de Maio de 1922, na qual se pediam testemunhos sobre os acontecimentos de Fátima.

Parece que tem havido apparições de Nossa Senhora a umas crianças que andam a guardar ovelhas, para os lados de Torres Novas. Na Senhora tem fallado ás crianças — segundo ellas dizem e nunca se desmentem.

Tem havido já 7 apparições3 e a quantidade de gente, que se tem juntado no sitio, é espantosa; tem augmentado sempre. As apparições teem sido sempre no dia 13, e parece que Na Senhora disse aos pequenos, que n'esta ultima apparição virá tambem S. José e o menino Jesus abençoar o mundo e acabar a guerra4.

As pessoas que teem assistido, — no dia 13 de Setembro estiveram no sitio 80.000 pessoas — não vêem Na Senhora, mas julgam vêr uma estrella que apparece do meio dia á 1 hora.

As pequenas é que dizem vêr Nossa Senhora e ouvil-a. Vêem-n'a vestida de branco e ouro.

Fallei com um padre, muito sério, illustrado e Dr.5 que foi assistir e disse me que tinha visto apparecer do lado direito do sól, quasi, como uma estrella redonda e branca como as nuvens, que foi correndo no mesmo sentindo, depois subiu e desappareceu; foi tudo o que viu.

Vamos a vêr o que se passa no dia 13 do corrente, e depois escreverei.

A viagem até lá é incommoda, a não sêr em automovel. A apparição é na Serra de Minde, proximo de Fatima, uma pequena aldeia.

3 d'Outo - 19177

Mza da Ribeira

Notas dos editores

1 A autora vivia em Vale de Santarém em 1917.
2 Nasceu a 9 de Novembro de 1843, em Lisboa. Filha de Carlos da Cunha e Menezes (Lumiares) e de Maria Joaquina Quintela. Casou a 11 de Maio de 1867 com Francisco de Sales Gonçalves Zarco da Câmara, primeiro Marquês e oitavo Conde da Ribeira Grande. Faleceu a 9 de Junho de 1923 em Vale de Santarém (Cf. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. XXV, p. 563 e informação do Conde dos Arcos).
3 Tinha havido só 5 aparições.
4 Não há a predição do fim da guerra, mas sim um convite à reza do terço para que aquela acabe.
5 Pela descrição do fenómeno, julgamos poder identificar este sacerdote com o Dr. António Maria de Figueiredo, professor no Seminário de Santarém, que nesse mesmo dia 13 de Setembro de 1917, descreveu ao pároco de Fátima um fenómeno semelhante (Cf. Inquérito Paroquial - Depoimento da segunda testemunha, AEL, Documentos de Fátima, I-1D, fl. 15). Cf. Doc. 29, de p.17 de Setembro de 1917, nota 35.
7 No texto: 30 Outo 1917. Trata-se, certamente, de um erro, pois a autora diz: [...] vamos ver o que se passa no dia 13 do corrente, [...]", referindo-se ao mês de Outubro.
Aparato crítico e remissões (1)

As notas dos editores sobre correções, rasuras, variantes dos manuscritos e referências a outros documentos. As suas chamadas não aparecem no texto acima.

6 Sic.
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