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DCF III-1, Doc. 7
depois de 13 ago. 1917, Batalha
A - AForm, Doss. 9, fl. 18, doc. 1 (existem só as folhas 2 a 3 v). O documento tem muitas abreviaturas correntes que desdobramos no texto: q., pa, mta, etc.
Publ: VISCONDE DE MONTELO, Os Episódios Maravilhosos de Fátima - IV, “A Guarda”, 15 (655), 30 Ago. 1919, com alterações ortográficas e textuais; VISCONDE DE MONTELLO, As Grandes Maravilhas de Fátima, Lisboa, União Gráfica, 1927, p. 49-52.
[...]
[...] [ar]recadou-me a bicicleta e deu-me uma pinga de vinho3, o que eu agradeci porque estava suado. Depois de descançar um pouco fui andando devagar para o logar da apparição. Quando lá cheguei estavam muitas pessôas rezando e cantando versos a N. Senhôra de roda do pequeno arbusto onde se dão as apparições; é uma pequena sobreira4 que está já reduzida ao tronco, tantos ramos lhe teem tirado. Comecei a fallar com algumas pessôas d’aqui que lá vi; já a esta hora lá estava muita gente; não tardaram a chegar alguns seminaristas que logo se dirigiram a mim e nunca mais nos separámos. Eram o António Ferreira5, o Manuel dos Santos6, o Penna7, o Caetano de Thomar8, que fez o 1º anno, o Pereira9 que é mesmo d'aqui e mais tarde chegou o António Poças10 e o Marques Vieira11 com um irmão12. Fomo-nos para uma sombra e ali estivemos muito tempo. Então é que começou a grande affluencia de pôvo; era de todos os lados mas d'um lado e d'outro da estrada é que era uma verdadeira enchente. Os carros succediam-se, gente a cavallo, a pé e de bicicleta; só a vista dos carros espalhados pela encosta e animaes á sombra, uma enfiada de automoveis na estrada e verdadeiros montes de bicicletas era interessante. Pelo meio dia (antigo)13, hora certa das apparições, estavam muitos milhares de pessôas no logar. Eu não presto para calculos, mas os que lhe davam menos fallavam em 5000 pessôas. — Já tardavam as creanças quando chegou o Poças com a triste noticia de que o administrador de Ourem dissera aos paes das creanças em cuja casa estava que as levava na sua charrete para o sitio mas que fugira com ellas para Ourem. E assim foi, aquelle homem mau e cobarde atraiçoou assim tôdo aquelle pôvo, mas n'isto parece bem ter havido intervenção de Deus por que aquelle logar em que passava constantemente muita gente estava deserto, sendo unicas testemunhas de visu o Prior, o Snr. Vigario de Torres Novas19 e o Pe. Manuel Poças20 que estavam na varanda d'elle
(priôr), cômo elles mesmos depois me disseram. O pôvo quando soube ficou indignadissimo e eu, cômo já eram umas 3 horas, fui á Fátima com alguns dos seminaristas saber do caso. Fiquei tão zangado que já nem sei o que lá disse; naturalmente aquelles padres chamaram-me ... tonto ou coisa que o valha... Estavamos n'isto quando apparecêram uns homens muito contentes dizendo que N. Senhôra tinha apparecido. Despedi-me logo dos padres e fui para cima. Vinham já as estradas cheias d'aquelle pôvo que comentava o estrondoso facto. A cada grupo eu perguntava o que tinham visto e em menos de um phosphoro via-me cercado de tôda aquella gente que em grande gritaria me contavam que ouviram um trovão e tôda a gente fugira; voltando depois, viram descer uma nuvem, azul e branca que brevemente se levantára e desapparecêra. Outros que tinham visto um relampago e havia mulhersinha que com as lagrimas nos olhos dizia convencidissima que vira N. Senhôra; emfim tôdos ficáram satisfeitos e pelo que ouvi aos de Ourem o administrador parece ter arriscado muito a vida com o tal rapto.
— Em tudo isto, porem, parece que teve grande influencia no povo o dictado certissimo — quod volumus facile credimus (o que não quer dizer que me atrêva a negar porque não estava lá e d'isso tenho bem pena) porque algumas pessôas instruidas e ponderadas cômo Mario Mourão, o Poças e outras de cá me disseram que não houve prova sufficiente de sobrenaturalidade e isto ... para não dizerem que nada tinham visto, o que eu ouvi tambem a outras pessôas.
Pouco depois voltei para casa.
O Snr. Pe. Manuel Poças fallou com os meninos (são 3 irmãos23), 1 menino de 10 annos e 2 meninas de 6 e 8 annos) e ficou encantado; diz que não se pode duvidar do facto da [...]
Notas dos editores
Aparato crítico e remissões (7)
As notas dos editores sobre correções, rasuras, variantes dos manuscritos e referências a outros documentos. As suas chamadas não aparecem no texto acima.