Explorar / Documento

DCF III-1, Doc. 85

15 out. 1917Torres NovascartaMaria Assunção Sampaio

Carta de Maria Assunção Sampaio1 a sua mãe, Maria Santana2, sobre o dia 13 de Outubro de 1917.

A - Desaparecido.

B - Arq. de Maria Teresa Parreira do Amaral Madeira Calheiros, Quinta da Cruz (S. Salvador, Viseu)3.

Publ.: "Jornal da Beira", Viseu, 67 (3447), 30 Abr. 1987, p. 4, cols. 5-6.

"Jornal do Caramulo", Caramulo, 5 (48) Mai. 1987, p. 4, cols. 1-3 (transcrição do "Jornal da Beira").

Torres Novas-15-10-917

Minha querida mãe

"Copia do original"

Só tenho pena de não poder voar já para ahi, para lhe contar o que se passou no dia 13 na "Fátima. Louvado seja Deus", toda a gente está maravilhada com o grande poder que nossa Senhora mostrou aos homens. Sabe minha mãe; tres dias antes, já para lá caminhava gente que vinha de longes terras, faça ideia que estavam lá para cima de 50 mil pessoas, só ver tanta gente ficava um descrente convertido. Consta se que se converteram muitas pessoas; estamos todos admirados; sabe que ao meio dia em ponto vieram umas côres do Ceu, cair sobre aquella grande multidão, a seguir veio uma estrela sobre a Carrasqueira aonde as pequenas estão ajoelhadas; n'isto cai uma atmosfera encantadora sobre todos quanto lá estavamos e nota-se que é a Santissima Virgem que está falando com a feliz menina chamada Lucia; a ditosa menina grita ao pôvo que a nossa Senhora disse que todo o povo olhe para o sól e toda aquela gente começa a clamar "Viva a Virgem do Ceu e da terra. Ao pé de mim estavam todos de joelhos em terra dizendo bem alto "Viva a Nossa Senhora e outros estavam admirando as maravilhas do sól; sabe que o sól pôz-se numa volucidade a andar á róda, que parecia uma roda de fogo, depois parou e já sem brilho; para todos verem melhor, ficou á vista de todos em forma d'uma Sagrada Hóstia; ahi toda a gente ficou aterrada de "tal milagre", depois de tudo passado diz a ditosa menina Lucia que nossa senhora disse que ia acabar a guerra e que já estavam as bandeiras da páz á vista (milagre) mas tambem a nossa Senhora recomendou que dissesse ao povo para que todos rezassem o terço todos os dias e que lhe fizessem uma Igreja n'aquele sitio. Sabe minha mãe, a menina Lucia andou em triunfo toda a gente a queria ouvir e beijar, e uma fui eu; que me meti num apertão e consegui vê-la. Por cá ninguem fala n'outra coisa, estão todos admirados e brevemente cá teremos os nossos militares.

Sua filha muito amiga
Maria

Notas dos editores

1 Nasceu em S. Salvador, Viseu, a 13 de Maio de 1881. Filha de João Sampaio e Maria de Sant'Anna. Casou com António Lopes Rodrigues. Faleceu, em Lisboa, 24 de Setembro de 1945.
2 Nasceu em 1854, filha de José Ferreira Ramos e de Maria Almeida Sant'Anna. Casou com João Sampaio a 14 de Agosto de 1880.
3 A existência de uma cópia desta carta na Quinta da Cruz, poderá ser explicada pelo facto de a madrinha de casamento de Maria Sant'Anna, residir nesta Quinta.
Aparato crítico e remissões (1)

As notas dos editores sobre correções, rasuras, variantes dos manuscritos e referências a outros documentos. As suas chamadas não aparecem no texto acima.

4 Em oblíquo, dentro de um círculo copia do original.
Abrir