No dia seguinte, foram em dois carros até á Fátima, acompanhados de tropa, (tal era o medo!) e guardas civicos, e ahi, no proprio local onde parece ter havido as aparições, e perante o numeroso auditorio, (14 pessoas, incluidos os oradores!) parece que pouco ou nada fallaram, por falta de numero, tendo encerrado a sessão, sem ser preciso pôr os chapeus, porque já os tinham na cabeça, antes de começarem. E, assim, votados ao desprezo, a melhor bofetada que o povo lhes podia dar, voltaram cabisbaixos e rancorosos para Villa Nova, com pouca vontade de se metterem n'outra, que lhes poderá custar mais cara, pois que desta vez só apanharam com algumas pedradas, que não os molestaram.
C.
Jornalista
Correspondente em Vila Nova de Ourém do Liberdade, o diário católico matutino do Porto, que assinava «C.» e noticiou a 4 de dezembro de 1917 os comícios dos livres-pensadores em Ourém e na Cova da Iria.