No dia 13, que estava designado para a aparição de Nossa Senhora, dirigimo-nos ao local indicado. Já ali fervilhavam milhares de pessoas, que, impulsionadas pelo desejo de a verem, ali se tinham arrastado, vindo de longinquas povoações algumas d’elas.
A curiosidade era geral e n’um momento todos se conservaram silenciosos, boquiabertos, perscrutadores, como que procurando ouvir qualquer voz que vinha das entranhas da terra. N’isto, ouve-se um ruido semelhante ao ribombar do trovão e logo a seguir as duas crianças, que estavam junto duma carrasqueira circumdada por muitas florinhas, creio que paradisiacas irromperam n’um choro aflitivo, fazendo gestos epileticos e caindo depois em extasis. A uma d’elas, a que tinha o privilegio de ouvir e vêr a santa, fizeram varias pessoas muitas perguntas, ás quaes respondia dizendo que via uma especie de boneca muito bonita, que lhe falava. Tinha, dizia, um resplendor em torno da cabeça e chamava-a para junto de si, n’uma voz muito fininha e melodiosa. Entre muitas coisas que lhe disse, a principal foi anunciar-lhe a sua reaparição do dia 13 a um mez e no mesmo sitio, aparecendo ainda mais outra, para declarar o motivo por que tinha vindo ao mundo.