13 jul.Testemunho diretoViuInterrogatórioPalavras dos videntes
Quando acabaram de o rezar, a Lucia disse: “ajoelhe quem puder”. Em seguida ouvi-lhe fazer algumas perguntas. Entre outras cousas disse: “Uma creatura no Pedrogam pede á Senhora que a cure ou a leve para o Ceu”. Pediu tambem a conversão de uma familia de Athouguia e de outra da Fatima. Por ultimo ouvi-lhe estas palavras: “A Senhora disse que havia de fazer um milagre com que todo o povo acredite”.
13 jul.Testemunho diretoViuInterrogatórioPalavras dos videntes
A pequena perguntou: “O que deseja, minha Senhora, que eu possa fazer.” Em seguida accrescentou: “Está uma pessoa no Pedrogam que pede que lhe converta a familia da casa. Está uma mulher na Fatima que lhe pede a graça de converter a familia toda. E está um homem na Athouguia que pede a Nossa Senhora que o leve para o Ceu quanto mais depressa melhor. E peço a Nossa Senhora que melhore os coxos.” No fim de cada pergunta e de cada pedido esperava um pouco. Depois disse que Nossa Senhora tinha dito que os melhorava e se os não melhorasse lhes daria auxilio para que se governassem. Emquanto a Lucia estava a ouvir a resposta parecia-me sentir um zunido (uma zunida) como de uma guitarra. Quando ella se levantou, disse: “Voltem-se para alli se a querem ver.”
[…]
Esquecia-me [de] dizer que tambem pediu á Senhora que fizesse um milagre com que o povo todo acreditasse.”
13 jul.Testemunho diretoViuInterrogatórioPalavras dos videntes
Falou então e disse que ajoelhasse quem pudesse. Em seguida perguntou: “O que é que minha Mãe me quer?” D’ahi a pouco perguntou de novo: “Então não me quer mais nada?” Depois fez-lhe varios pedidos por pessoas do Pedrogam, da Athouguia e de Aljustrel, pedindo curas e conversões” Perguntou tambem se ella não era capaz de fazer um milagre com que todo o povo acreditasse. Depois de escutar a resposta disse: “Adeus! Virem-se todos para alli!” Uma hora depois, estando a creança comigo, disse-me que a Senhora tinha dito que no ultimo dia faria um milagre para que todo o povo acreditasse.
13 jul.Testemunho diretoViuInterrogatórioFiguras / visõesPalavras dos videntes
No dia 14-7-1917 veio à minha presença Lúcia de 10 anos, disse que saiu de casa no dia 13 pelas onze horas, chamou a Jacinta e chegámos à estrada nova: fomos a correr até lá, a gente dizia que fôssemos devagar e nós dizíamos que não nos cansavam as pernas para irmos devagar. Chegámos e encontrámos lá minha irmã e ela mandou-me pedir o terço, eu pedi-o e rezámo-lo; estivemos um nadita, deu um relâmpago e veio a Senhora. Levantei-me, disse que se chegassem para trás alguma coisa e que ajoelhassem os que pudessem e quisessem, tornei a joelhar e perguntei-lhe:
– O que é que me quer?
– Quero-te dizer que voltem cá no dia 13.
E disse mais:
– “Rezem o terço a Nossa Senhora do Rosário que abrande a guerra que só ela é que lhe pode valer.”
Eu disse mais:
– Tenho aqui por pedido se vossemecê converte uma mulher do Pedrógão e uma da Fátima e se melhora um menino da Moita1.
Ela disse que os convertia e melhorava entre um ano.
Eu disse:
– Faça um milagre para que todos se acreditem.
– Daqui a três meses farei então com que todos acreditem.
– Não me quer mais nada?
– “Não, eu por mim agora não te quero mais nada.”
Eu disse-lhe:
– Pois eu por mim também não quero mais nada.
Depois ela foi-se para o lado do nascente e eu disse ao povo:
– Olhem para ali para a ver, para o lado onde ela ia.
O povo voltou-se.
Era exatamente a mesma que tinha visto das outras vezes.
[…]
Tinha aqui um pedido se vossemecê levava para o céu um homem da Atouguia o mais depressa melhor.
–Levo-o.
Notas dos editores (1)
1 João Carreira. Filho de Manuel Carreira e de Maria dos Santos, ou Maria Carreira (“Maria da Capelinha”). Nasceu a 26 de março de 1901, na Moita Redonda,
13 jul.Testemunho diretoViuInterrogatórioFiguras / visõesPalavras dos videntes
No dia catorze do mês de julho, compareceu na minha presença e residência paroquial, a vidente Lúcia, vindo acompanhada de sua mãe.
Procedi ao interrogatório, e ela, – a vidente Lúcia – disse que no dia treze deste mês de julho, se dirigiu com os seus primos, Francisco e Jacinta, à hora do costume, para a Cova da Iria, e que chegados lá pediu o terço – isto é, presidiu à sua recitação, – rezando-o com o povo (calculado em duas mil pessoas) –. Terminado o terço esperou um bocadito, e logo viu o relâmpago e em seguida veio a Senhora. Levanta-se, estava ajoelhada, e diz ao povo que se chegue para trás alguma coisa; que ajoelhem os que puderem e quiserem, e tornando a ajoelhar pergunta à Senhora:
– O que é que me quer hoje? E a Senhora respondeu: – Quero-te dizer que voltes cá no dia treze: Rezem o terço a Nossa Senhora do Rosário que abrande a guerra que só Ela é que lhe pode valer. – Tenho aqui por pedido se Vossemecê converte uma mulher do Pedrógão e uma de Fátima, e se melhora um menino da Moita? E que a Senhora lhe respondeu que os convertia e melhorava dentro de um ano.
– Tenho aqui por pedido se Vossemecê leva um homem da Atouguia para o Céu o mais depressa melhor.
E Ela respondeu:
– Levo mas... (aqui não sei que mais disse). – Faça um milagre para que todos acreditem!?
E a Senhora respondeu:
– Daqui a três meses faço então com que todos acreditem. – Não me quer mais nada?! – Não te quero mais nada.
Dito isto, que se elevou como das outras vezes seguindo para o nascente e desapareceu.
13 jul.Testemunho diretoInterrogatórioPalavras dos videntes
No dia 13 de julho estive proximo das creanças. Logo que chegaram, ajoelharam-se e começaram a rezar o terço. Quando acabaram de o rezar, a Lucia disse: “ajoelhe quem puder”. Em seguida ouvi-lhe fazer algumas perguntas. Entre outras cousas disse: “Uma creatura no Pedrogam pede á Senhora que a cure ou a leve para o Ceu”. Pediu tambem a conversão de uma familia de Athouguia e de outra da Fatima. Por ultimo ouvi-lhe estas palavras: “A Senhora disse que havia de fazer um milagre com que todo o povo acredite”.
13 jul.Testemunho diretoEm parteInterrogatórioPalavras dos videntesTrovão / ruído
Em 13 de julho estive na Cova da Iria. Ajoelhei ao pé das creanças e guardei o calor da cabeça d’ellas com um guarda-chuva. A Lucia disse por duas ou tres vezes: “Ajoelhem todos os que puderem”. Ella ajoelhou. Pareceu-me ouvir n’aquelle momento um ventito, uma azoada. A pequena perguntou: “O que deseja, minha Senhora, que eu possa fazer.” Em seguida accrescentou: “Está uma pessoa no Pedrogam que pede que lhe converta a familia da casa. Está uma mulher na Fatima que lhe pede a graça de converter a familia toda. E está um homem na Athouguia que pede a Nossa Senhora que o leve para o Ceu quanto mais depressa melhor. E peço a Nossa Senhora que melhore os coxos.” No fim de cada pergunta e de cada pedido esperava um pouco. Depois disse que Nossa Senhora tinha dito que os melhorava e se os não melhorasse lhes daria auxilio para que se governassem. Emquanto a Lucia estava a ouvir a resposta parecia-me sentir um zunido (uma zunida) como de uma guitarra. Quando ella se levantou, disse: “Voltem-se para alli se a querem ver.”
Esquecia-me [de] dizer que tambem pediu á Senhora que fizesse um milagre com que o povo todo acreditasse.”
Gente da terramulher de Boleiros (Fátima), de 34 anos
13 jul.Testemunho diretoInterrogatórioPalavras dos videntes
Em treze de julho estive ao pé das creanças. A Lucia trouxe um cesto de flores e cobriu com ellas a carrasqueira. Depois ajoelhou e rezou o terço, tendo na mão uma vela accesa que uma mulher lhe deu. Falou então e disse que ajoelhasse quem pudesse. Em seguida perguntou: “O que é que minha Mãe me quer?” D’ahi a pouco perguntou de novo: “Então não me quer mais nada?” Depois fez-lhe varios pedidos por pessoas do Pedrogam, da Athouguia e de Aljustrel, pedindo curas e conversões” Perguntou tambem se ella não era capaz de fazer um milagre com que todo o povo acreditasse. Depois de escutar a resposta disse: “Adeus! Virem-se todos para alli!” Uma hora depois, estando a creança comigo, disse-me que a Senhora tinha dito que no ultimo dia faria um milagre para que todo o povo acreditasse.
Gente da terraproprietário casado, da Amoreira (Fátima)
13 jul.Testemunho diretoEm parteDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntesTrovão / ruído
Jacinto de Almeida Lopes, casado, proprietário, natural e morador no lugar da Amoreira, desta freguesia de Fátima, sendo interrogado sobre o que presenciara, relativamente aos factos ocorridos no local chamado Cova da Iria, deste freguesia, disse que no dia treze de julho de mil novecentos e dezassete, tendo-se dirigido com antecedência para o local, ali permaneceu junto à carrasqueira onde estava quando chegaram as crianças. Chegaram, ornamentaram a carrasqueira, ajoelharam, rezaram o terço, levantaram-se e logo, com pouco tempo de demora, tornaram a ajoelhar, e, todos de joelhos, começa a Lúcia, como que estando a falar com alguém voltada para a carrasqueira onde tinha fixada a vista:
– Então o que é que me quereis?
A esta pergunta um bocadito em silêncio, tempo de uma breve resposta. E durante este silêncio ouviu ele, como que vindo da carrasqueira, uma voz muito sumida semelhante, diz, ao zumbir de uma abelha, mas sem distinguir palavra alguma.
– Em seguida diz a Lúcia: – Tenho aqui um pedido a fazer-Vos: Era se Vossemecê melhorava um aleijado de Aljustrel; se convertia uma mulher do Pedrógão; se convertia uma mulher de Fátima e seus filhos; se melhorava um homem da Atouguia ou o levava para o Céu o mais depressa melhor1.
Dito isto... há um curto silêncio, como quem espera resposta, e ouve a mesma voz, que não ouvia enquanto a Lúcia falava.
– Vossemecê, – continua a Lúcia – não poderá fazer com que esta gente se converta?
Silêncio... depois de tempo de uma breve resposta, diz, – como que confirmando o que ouvira:
– Sim, que se reze o terço!... que se reze o terço!... sim... tudo se fará.
E enquanto assim falava fazia acompanhar as palavras com acenos de cabeça.
– Então e Vossemecê não poderá fazer com que esta gente toda acredite?
Silêncio...
Em seguida diz: – Não me quereis mais nada?
Espera... e logo diz:
– Eu também não.
Dito isto, que se levanta instantaneamente e voltando-se para o nascente disse:
– Querem ver Nossa Senhora?!!
E aponta na mesma direção.
Notas dos editores (1)
1 “O homem da Atouguia” tem sido identificado como sendo Manuel da Silva Reis, solteiro, proprietário, da Atouguia, concelho de Vila Nova de Ourém, pessoa estimada, muito crente, que veio a falecer com 85 anos de idade, no dia 18 de fevereiro de 1924.
Gente da terraproprietário casado, de 34 anos, do Montelo (Fátima)
13 jul.Testemunho diretoViuDepoimento ajuramentadoDescida da temperaturaNuvem / coluna de fumoLuz a diminuirPalavras dos videntes
Manuel Gonçalves Júnior, casado, proprietário, de trinta e quatro anos de idade, natural e morador no lugar do Montelo, desta freguesia de Fátima, sendo interrogado sobre o que sabia relativo aos factos ocorridos na Cova da Iria, disse que no dia treze de julho de mil novecentos e dezassete se dirigiu àquele local, onde estava à hora indicada pelas crianças videntes para a Aparição, e que notou que a essa hora o calor, que era demasiado, começou a abrandar. Nesta ocasião, chegaram as crianças, rezaram o terço com o povo, aplicado pela Lúcia, – não sabendo se foi de iniciativa sua ou se foi a pedido de alguma outra pessoa. Em seguida notou que a mesma Lúcia, estando todos, povo e videntes, de joelhos, começou a falar para a carrasqueira, como quem está a falar com outra pessoa, fazendo perguntas e esperando respostas; mas não percebeu o que dizia, pela distância a que se encontrava. Passado pouco tempo, levanta-se de repente, e de mãos postas aponta para o lado nascente dizendo:
– Querem ver Nossa Senhora?!...
Nesta ocasião, também notou que a certa altura da carrasqueira se formou uma espécie de névoa ou de nuvem, que se foi elevando seguindo para o nascente, chegando a impallidecer o brilho do sol, e desapareceu.
Família dos videntesGente da terracostureira, irmã de Lúcia
13 jul.Testemunho diretoDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntes
Teresa de Jesus, casada, costureira, de vinte e quatro anos de idade1, natural de Aljustrel e moradora no lugar da Lomba desta freguesia de Fátima, irmã da Lúcia – vidente – comparecendo perante mim e sendo interrogada sobre o que sabia relativamente ao ocorrido na Cova da Iria e em casa de seus pais, sobre o que sua irmã Lúcia dizia referente às Aparições de Nossa Senhora, declarou que no dia treze de julho de mil novecentos e dezassete chegou à carrasqueira na mesma ocasião que sua irmã Lúcia e primos videntes, e viu que a irmã – e primos – sem que ninguém mandasse, ajoelhou, pediu o terço, rezando-o com o povo depois de ter dito a este que ajoelhasse. Levantou-se, estando algum tempo de pé, tornou a ajoelhar e disse para a prima Jacinta que reparasse se via o relâmpago, porque estava chegando a hora. Passados poucos minutos, notou que sua irmã sentiu um tão forte abalo que a fez exclamar: Ai!! Nossa Senhora..., e voltada para a carrasqueira esteve falando, fazendo perguntas e esperando respostas como quem está a falar com outrem.
Declarou também que as perguntas foram: 1ª O que é que lhe queria. – 2ª Que havia ali um coxo para melhorar. – 3ª Que pedia para melhorar uma mulher do Pedrógão. – 4ª Que pedia para converter uma mulher e família de Fátima. – 5ª Que pedia para fazer um milagre a fim de o povo acreditar. Feitas estas perguntas que a Lúcia se levantou repentinamente e, voltada para o nascente, apontou dizendo: Voltem-se para acolá, se querem ver Nossa Senhora...
Declarou mais que a Lúcia depois de ter principiado o suposto diálogo com Nossa Senhora, foi advertida pela Jacinta, que estava a seu lado, para responder à Senhora, dizendo-lhe: Não vês que a Senhora já está a falar?!
Notas dos editores (1)
1 Teresa de Jesus nasceu a 22 de maio de 1893, portanto ia fazer 26 anos
13 jul.Testemunho diretoViuRecordação posteriorFiguras / visõesPalavras dos videntes
Pela hora do meio dia assim como todos os outros mezes aprossimarmo-nos da carrasqueira para vermos a Senhora. Deu um relampago e apareceu a Senhora em sima da asinheira. Pergunta. O que é que vosseme-se me quer hoge? Resposta. Quero que continuem a a vir aqui o resto dos mezes Querem aprender uma oração Queremos sim, é a seguinte. Ó meu Jesus perdoai-nos, livrae-nos do fogo do inferno e levai as alminhas todas para o céu pricipalmente aquelas que mais d'ele precizarem.
Em seguida confiou-nos algumas palavrinhas; disendo-nos. Não digão histo a ninguem só o podem dizer ao Francisco. Quero-lhe pedir por algumas pessoas que me pediram para eu lhe pedir por élas; umas cégas outras aleijàdas outras mudas. Daqui a um ano algumas seram curadas.
Família dos videntesGente da terrapai dos videntes Francisco e Jacinta
13 jul.Testemunho diretoEm parteDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntesDescida da temperaturaA multidão
Em treze de julho os pais foram também à Cova da Iria, indo as crianças adiante. Um indivíduo da freguesia, de nome Matias, barbeiro2, ao ver o pai das crianças, chamou-o para junto da azinheira onde já estava a mulher. Os três videntes iam sempre juntos. A princípio conservaram-se de pé, depois ajoelharam, tendo a Lúcia mandado fechar os chapéus que estavam abertos por causa do sol. O povo estava na sua maior parte por trás dos videntes. E estes num dado momento levantaram-se e depois tornaram a ajoelhar-se. Ouviram uma voz vinda do local ao pé da carrasqueira que disse: – “Que me quereis hoje?” Esperou um momento e depois disse: “Então não me quereis hoje nada?” A Lúcia disse, o que o pai ouviu: “Eu o que queria – ai! Nossa Senhora!”, e pediu a cura e a conversão de diversas pessoas, não se recordando o pai o nome delas.
A Lúcia depois acrescentou: “diz que nem todas melhoram, porque algumas são más”. Declarou ainda que a Senhora tinha dito que rezassem todos o terço e que a guerra em breve ia acabar. Estavam então as crianças de joelhos, a Lúcia levantou-se rapidamente, ficando o vestido em balão, e disse apontando: “Olhem para acolá, se a querem ver” – e acrescentou logo: “Já não vão a tempo”. Ela estava voltada quase ao poente e voltou-se para o nascente a indicar a Senhora que se retirava. Fazia muita calma e logo depois o tempo tornou-se fresco. Logo que elas se levantaram, muitas pessoas fizeram perguntas, tiraram raminhos da carrasqueira e interrogaram as crianças. O pai pegou na Jacinta ao colo para atravessar mais facilmente por entre a multidão. Ela disse ter visto outra vez Nossa Senhora.
Notas dos editores (1)
2 Manuel Rodrigues Matias. Era considerado um homem entendido na cura de maleitas. Era o encarregado do Posto do Registo Civil, que funcionava em sua casa, na Amoreira.
Gente da terramoradora da Moita, mais tarde encarregada das esmolas da Capelinha
13 jul.Testemunho diretoEm parteDepoimento ajuramentadoA multidãoPalavras dos videntesTrovão / ruído
Foi lá também em treze de julho. Tinha pedido à Lúcia que deixasse estar o filho João ao pé deles, ao que ela acedeu. Levou uma pedra e sentou-se. Estava muita gente, que começou a vir cedo. Quando a Lúcia disse que vinha a Senhora, o filho escorregou e caiu. Pediu-lhes que rezassem por ele, ao que ela disse que a Senhora tinha dito que o melhorava ou que lhe daria meios de se governar e que rezasse sempre o terço a Nossa Senhora com a família. Estavam todos ajoelhados. Disse a Lúcia: “Já lá vem Nossa Senhora”. Ouviu-se a mesma zunida quando falava e o mesmo assobio de foguete à partida. Antes da aparição rezaram o terço. O marido disse que ela olhava para a Senhora e de vez em quando para o lado e que lhe perguntou porque fazia isso, ao que ela respondeu que era porque cegava a vista com o resplendor que tinha. Pediu a Lúcia pelas melhoras duma pessoa de Pedrógão, pela conversão duma família de Fátima, e por um homem da Atouguia que lhe pedira que Nossa Senhora o levasse para o Céu quanto antes. Depois a depoente ouviu dizer que a pequena tinha afirmado que Nossa Senhora dissera que não tivesse pressa, porque bem sabia quando o havia de levar.
Afirmou também a Lúcia que a Senhora lhe tinha dito o segredo. Na ocasião da aparição ouviu-se um ai, ficando a pequena assustada.
13 jul.Testemunho diretoViuInterrogatórioFiguras / visõesPalavras dos videntes
Voltaste a Cova da Iria no mês de julho?”. Respondeu: “Voltei no dia treze de julho, como a Senhora recomendara; estava lá bastante gente, pela hora do meio dia. Rezámos o Terço ao pé da carrasqueira; depois de acabar, estando de pé, deu um relâmpago, e apareceu a Senhora em cima da azinheira. E eu perguntei-lhe: o que é que Vossemecê me quer hoje? A Senhora respondeu: – “Quero que continuem a vir aqui o resto dos meses e continuem a rezar o terço”. Depois a Senhora disse: “Querem aprender uma oração?”. “Queremos sim”, respondi. E a Senhora ensinou assim: – “Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno e levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem”.
Em seguida, confiou a mim e à Jacinta algumas palavrinhas, recomendando-nos que não as disséssemos a ninguém, só as podendo dizer ao Francisco. Como me tinham pedido, pedi à Senhora a cura de algumas pessoas, umas cegas, outras aleijadas e outras mudas, e ela disse que dentro dum ano algumas seriam curadas. E nisto subiu ao Céu como das outras vezes”.
No dia 14 de julho de 1917 apareceu na minha presença Jacinta de 7 anos de idade, filha de Manuel Pedro Marto; interrogada sobre a visão, disse:
Que tinha visto uma mulher pequena 4 vezes, uma em sua casa à noite e três na Cova da Iria ao meio dia; diz ser do tamanho da Albina, filha de António Rosa da Casa Velha2; em casa viu-a à borda do alçapão do sótão, não dizendo nada; estava a mãe e irmãos a dormir e era de noite; na Cova da Iria viu-a em pé em cima duma carrasqueira3; vinha vestida com meias brancas e fato todo dourado; não trazia sapatos; a saia era branca e toda dourada e dava-lhe pelos joelhos; o dourado era aos cordões a atravessar e nos cordões aos biquinhos; casaco branco todo dourado; um manto pela cabeça era branco e todo dourado; as mãos erguidas à cintura e abriam, separando-as quando falava à Lúcia; não lhe ouviu dizer nada, ouviu falar (ora diz que sim, ora diz que não), não ouviu dizer quantas vezes cá vinha; à saída abria-se o céu e ficavam os pés entalados e o corpo já escondido; ouviu uma fala muito piedosa e só se lembra de ouvir que a gente (elas) ia para o céu; diz ter visto relâmpago mas ora diz ser uma vez ora mais duma, ora antes, ora depois; trazia umas contas brancas nas mãos, seguras entre o dedo polegar e indicador das duas mãos; não viu brincos; trazia um cordão de ouro delgado ao pescoço.
Notas dos editores (2)
2 Nasceu a 3 de dezembro de 1901. Era filha de António Ferreira Rosa, de Aljustrel, irmão de José Ferreira Rosa (primeiro marido de Olímpia de Jesus, mãe de Francisco e Jacinta) e de Maria Rosa (mãe de Lúcia).
3 A carrasqueira, tantas vezes referida, é uma azinheira nova, de pequeno porte. Azinheira: Quercus rotundifolia, Lam., árvore da família das fagáceas, de copa ampla arredondada e densa, de folhas persistentes, muito coriáceas, pequenas, dentado-espinhosas no estado juvenil, com cinco a oito pares de nervuras. Ao fruto se dá popularmente o nome de “azinha”, “boleta” ou “bolota”.
Gente da terrafilho do anfitrião de Formigão no Montelo
13 jun.13 jul.13 ago.Outros de 1917Testemunho diretoViuInterrogatórioNuvem / coluna de fumoCores nas pessoas e na paisagemLuz a diminuirTrovão / ruídoPalavras dos videntesA multidão
No dia 13 de julho alguns companheiros dele, mal intencionados, embriagaram-no no intuito de o levarem a praticar desatinos no local das aparições. Efetivamente, embora, como sempre, deixasse ir a filha àquele local, mandou retirar o povo. Ele é o proprietário da charneca onde está a carrasqueira que serve de pedestal à Aparição. O povo, vendo-o em estado de embriaguez, não se importou com essa intimação e um homem empurrou-o, fazendo-o cair.
[…]
A princípio o povo não queria ir à Cova da Iria. Ninguém acreditava nas crianças. Em treze de junho, dia da segunda aparição, havia festa na igreja da freguesia em honra de Santo António. Na Cova da Iria estavam apenas, à hora da aparição, umas sessenta pessoas. Os pais do Francisco e da Jacinta tinham ido de manhã cedo para Porto de Mós à feira chamada dos treze, com o fim de comprar bois, e chegaram já de noite. Na sua ausência a residência encheu-se-lhes de gente, que queria ver as crianças e fazer-lhes perguntas. Presentemente uma grande parte do povo julga que as crianças falam verdade. Pela minha parte, estou convencido disso.
[…]
Os sinais são muitos. Em agosto quase todos os que estavam presentes viram esses sinais. Uma nuvem baixou até à carrasqueira. Em julho notou-se o mesmo. Não havia poeira no local. A nuvem empoou os ares, que pareciam enevoados.
– Houve mais algum sinal?
– Veem-se no céu, próximo do sol, umas nuvens brancas que se tornam sucessivamente vermelhas vivas (cor de sangue), cor de rosa e amarelas. O povo torna-se desta última cor. A luz do sol diminui bastante de intensidade.
Sentiu-se também um rumor em julho e em agosto.
[…]
Reza o terço. Quando se dirige à Senhora, fala alto.
Eu próprio a ouvi em junho, porque estava próximo. Algumas pessoas afirmam que ouvem o som das respostas.
10a – O local das aparições é muito frequentado também nos outros dias por pessoas piedosas ou por curiosos?
– É muito frequentado, sobretudo aos domingos. A maior concorrência é à noite. Vão ali muitas pessoas, de longe e de perto, e mais ainda de fora da freguesia. Rezam o terço e entoam cânticos em honra da Virgem.
Principiei sem demora a interrogá-lo sobre o que tinha visto e ouvido desde o mez de Maio ultimo na Cova da Iria no dia treze de cada mez durante o tempo da apparição.
Entre mim e elle estabeleceu-se o curto dialogo que se segue:
- Que é que tens visto na Cova da Iria nos ultimos mezes? - Tenho visto Nossa Senhora. - Onde é que ella apparece? - Em cima de uma carrasqueira. - Apparece de repente ou tu vê-la vir de alguma parte? - Vejo-a vir do lado onde nasce o sol e collocar-se sobre a carrasqueira. - Vem devagar ou depressa? - Vem sempre depressa. - Ouves o que ella diz á Lucia? - Não ouço. - Fallaste alguma vez com a Senhora? Ella já te dirigiu a palavra? - Não, nunca lhe perguntei nada; falla só com a Lucia. - Para quem olha, tambem para ti e para a Jacinta ou só para a Lucia? - Olha para todos tres; mas olha durante mais tempo para a Lucia. - Já alguma vez chorou ou se sorriu? - Nem uma cousa nem outra; está sempre séria. - Como está vestida? - Tem um vestido comprido e por cima um manto que lhe cobre a cabeça e desce até á extremidade do vestido. - Qual é a côr do vestido e do manto? - É branca, tendo o vestido riscos dourados. - Qual é a attitude da Senhora?
– É a de quem está a rezar. Tem as mãos postas á altura do peito.
– Traz alguma coisa nas mãos?
– Traz entre a palma e as costas da mão direita umas contas que estão pendentes sobre o vestido.
– E nas orelhas o que tem?
– As orelhas não se vêem, porque estão cobertas com o manto.
– De que côr são as contas?
– São tambem brancas.
– A Senhora é bonita?
– É, sim.
– Mais bonita que aquella menina que tu alli vês?
– Mais.
– Mas ha senhoras muito mais bonitas que aquella menina...
Concluido o interrogatorio do Francisco, chamei de parte a Jacinta, que andava a brincar na rua com outras creanças, fi-la sentar num banquinho ao pé de mim e submeti-a também a um interrogatorio logrando obter della respostas completas e minuciosas como as do irmão.
– Tens visto Nossa Senhora no dia treze de cada mez desde Maio para cá?
– Tenho visto.
– Donde é que ella vem?
– Vem do Ceu, do lado do sol.
– Como está vestida?
– Tem um vestido branco, enfeitado a ouro, e na cabeça um manto tambem branco.
– De que côr são os cabelos?
– Não se lhe vêem os cabelos, que estão cobertos com o manto.
– Traz brincos nas orelhas?
– Não sei, porque tambem não se lhe vêem as orelhas
– Qual é a posição das mãos?
– As mãos estão postas á altura do peito, com os dedos voltados para cima.
– As contas estão na mão direita ou na esquerda?
A esta pergunta a creança responde primeiro que estavam na mão direita, mas em seguida, devido a uma insistencia propositada e capciosa da minha parte, mostra-se perplexa e confusa, não sabendo precisar bem qual das suas mãos correspondia á mão que a Apparição segurava o rosario.
– O que foi que Nossa Senhora recommendou á Lucia com mais empenho?
– Mandou que rezassemos o terço todos os dias.
– E tu reza-lo?
– Rezo-o todos os dias com o Francisco e com a Lucia.
Que é que tens visto na Cova da Iria nos últimos meses? - Tenho visto Nossa Senhora. - Onde aparece ela? - Em cima duma carrasqueira - Aparece de repente ou tu vê-la vir de alguma parte?
– Vejo-a vir do lado onde nasce o sol e colocar-se sobre a carrasqueira.
– Vem devagar ou depressa?
– Vem sempre depressa.
– Ouves o que ela diz à Lúcia?
– Não ouço.
– Falaste alguma vez com a Senhora? Ela já te dirigiu a palavra?
– Não, nunca lhe perguntei nada; fala só com a Lúcia.
– Para quem olha ela, também para ti e para a Jacinta, ou só para a Lúcia?
– Olha para todos três; mas olha durante mais tempo para a Lúcia.
Notas dos editores (1)
3 Nasceu em Aljustrel a 31 de maio de 1869. Casou com José Ferreira da Rosa, a 6 de fevereiro de 1888, ficando viúva em 1895. Deste matrimónio nasceram dois filhos, António Ferreira Rosa e Manuel Ferreira Rosa. A 11 de fevereiro de 1898, casou com Manuel Pedro Marto. Faleceu, em Aljustrel, a 3 de abril de 1957.
Tens visto Nossa Senhora no dia 13 de cada mês desde maio para cá?
– Tenho visto.
– Donde é que ela vem?
– Vem do Céu, do lado do sol.
– Como está vestida?
– Tem um vestido branco, enfeitado a ouro, e na cabeça tem um manto, também branco. Em volta da cintura há uma fita doirada que desce até à orla do vestido.
– Usa botas ou sapatos?
– Não usa botas nem sapatos.
– Então tem só meias?
– Parece que tem meias, mas talvez os pés sejam tão brancos que pareçam trazer meias calçadas.
– De que cor são os cabelos?
– Não se lhe veem os cabelos, que estão cobertos com o manto.
– Traz brincos nas orelhas?
– Não sei, porque não se lhe veem também as orelhas.
– Qual é a posição das mãos?
– As mãos estão postas sobre o peito, com os dedos voltados para cima.
– As contas estão na mão direita ou na mão esquerda?
– .....
A esta pergunta a criança responde primeiro que estavam na mão direita, mas em seguida, devido a insistência da minha parte, mostra-se perplexa e confusa, não sabendo precisar bem qual das suas mãos correspondia à mão com que a Senhora segurava o Rosário.
- O que é que a Senhora recomendou à Lúcia com mais empenho? - Mandou que rezássemos o terço todos os dias. - E tu reza-lo? - Rezo-o todos os dias com o Francisco e a Lúcia.
É verdade que Nossa Senhora te tem aparecido no local chamado Cova da Iria?
– É verdade.
– Quantas vezes te apareceu já?
– Cinco vezes, sendo uma cada mês.
– Em que dia do mês?
– Sempre no dia treze, exceto no mês de agosto, em que fui presa e levada para a vila (Vila Nova de Ourém) pelo sr. administrador. Nesse mês vi-a só alguns dias depois, a dezanove, no sítio dos Valinhos.
– Diz-se que a Senhora te apareceu também o ano passado. Que há de verdade a este respeito?
– O ano passado nunca me apareceu (nem antes de maio deste ano); nem eu disse isso a pessoa alguma, porque não era exato.
[…]
Donde é que ela vem? Das bandas do nascente? - Não sei; não a vejo vir de parte alguma; aparece sobre a carrasqueira, e quando se retira é que toma a direção donde nasce o sol. - Quanto tempo se demora? Muito ou pouco? - Pouco tempo. - O suficiente para se recitar um Padre Nosso e uma Avé Maria, ou mais? - Mais, bastante mais, mas nem sempre o mesmo tempo (talvez não chegasse para rezar o terço). - Da primeira vez que a viste não ficaste assustada? - Fiquei, e tanto assim que quis fugir, com a Jacinta e o Francisco, mas Ela disse-nos que não tivéssemos medo, porque não nos faria mal. Disse: “não tenham medo que eu não vos faço mal.” - Como é que está vestida? - Tem um vestido branco, que desce até um pouco abaixo do meio da perna, e cobre-lhe a cabeça um manto, da mesma cor, e do mesmo comprimento que o vestido. - O vestido não tem enfeites? - Veem-se nele, na parte anterior, dois cordões dourados, que descem do pescoço e se reunem por uma borla, também dourada, à altura do meio do corpo. - Tem algum cinto ou alguma fita? - Não tem. - Usa brincos nas orelhas? - Usa umas argolas pequenas e de cor amarela. - Qual das mãos segura as contas? - A mão direita. - Eram um terço ou um rosário? - Não reparei bem. - Terminavam por uma cruz? - Terminavam por uma cruz branca, sendo as contas também brancas. A cadeia era também branca. - Perguntaste-lhe alguma vez quem era? - Perguntei, mas declarou que só o diria a 13 de outubro. - Não lhe perguntaste de onde vinha? - Perguntei de onde era, e ela respondeu-me que era do Céu. - E quando foi que lhe fizeste essa pergunta? - Da segunda vez, a treze de junho. - Sorriu-se alguma vez ou mostrou-se triste?
- Nunca se sorriu nem se mostrou triste, mas sempre séria. - Recomendou-te, e aos teus primos, que rezassem algumas orações? - Recomendou-nos que rezássemos o terço em honra de Nossa Senhora do Rosário, a fim de se alcançar a paz para o mundo. - Mostrou desejos de que no dia treze de cada mês estivessem presentes muitas pessoas na Cova da Iria? - Não disse nada a esse respeito. - É certo que te disse um segredo, proibindo que o revelasses a quem quer que fosse? - É certo. - Diz respeito só a ti ou também aos teus companheiros? - A todos três. - Não o podes manifestar ao menos ao teu confessor? (A esta pergunta guardou silêncio, parecendo um tanto enleada e julguei não dever insistir, repetindo a pergunta). - Consta que, para te veres livre das importunações do sr. administrador, no dia em que foste presa, lhe contaste, como se fosse o segredo uma coisa que o não era, enganando-o assim e gabando-te depois de lhe teres feito essa partida: é verdade? - Não é; o sr. administrador quis realmente que eu lhe revelasse o segredo, mas como eu não o podia dizer a ninguém, não lhe disse, apesar de ter insistido muito comigo para esse fim. O que fiz foi contar tudo o que a Senhora me disse, exceto o segredo, e talvez por esse motivo o sr. administrador ficasse julgando que eu lhe tinha revelado também o segredo. Não o quis enganar. - A Senhora mandou que aprendesses a ler? - Mandou, sim, da segunda vez que apareceu. - Mas se a Senhora disse que te levaria para o Céu no mês de outubro próximo, para que te serviria aprenderes a ler? - Não é verdade isso: a Senhora nunca disse que me levaria para o Céu em outubro, e eu nunca afirmei que ela me tivesse dito tal coisa. - O que declarou a Senhora que se devia fazer ao dinheiro que o povo deposita na Cova da Iria ao pé da carrasqueira? - Disse que o devíamos colocar em dois andores, levando eu, a Jacinta e mais duas meninas um deles, e o Francisco, com mais três rapazes, o outro, para a igreja da freguesia. Parte desse dinheiro seria destinado ao culto e festa da Senhora do Rosário e a outra parte para ajuda de uma capela nova. - Onde quer ela que seja edificada a capela? Na Cova da Iria? - Não sei: ela não o disse.
- Estás muito contente por Nossa Senhora te ter aparecido? - Estou. - No dia treze de outubro Nossa Senhora virá só? - Vem também S. José com o menino, e será concedida a paz ao mundo. - E fez mais alguma revelação? - Declarou que no dia 13 fará com que todo o povo acredite que ela realmente aparece. - Por que razão não raro baixas os olhos deixando de fitar a Senhora? - É que ela às vezes cega. - Ensinou-te alguma oração? - Ensinou; e quer que a recitemos depois de cada mistério do rosário. - Sabes de cor essa oração? - Sei. - Diz lá... - Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais dele precisarem10.
Notas dos editores (1)
10O Dr. Formigão fez um apontamento, possivelmente na mesma data, em que escreveu: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as alminhas todas para o Céu, e aquelas que mais precisarem. Para se recitar depois de cada mistério do rosário. Posteriormente, o Dr. Formigão acrescentou: e aliviai as almas do Purgatório, principalmente as mais abandonadas.
Disseste-me há dias que Nossa Senhora queria que o dinheiro oferecido pelo povo fosse levado para a igreja da freguesia em dois andores. Como é que arranjam os andores e quando é que eles devem ser levados para a igreja?
– Os andores compram-se com o dinheiro oferecido e serão levados nas festas da Senhora do Rosário.
2a – Sabes com certeza em que sítio é que Nossa Senhora deseja que seja edificada uma capela em sua honra?
– Não sei ao certo, mas julgo que Ela quer a capela na Cova da Iria.
3a – O que é que Ela disse que havia de fazer para que todo o povo acreditasse que ela aparecia?
– Disse que havia de fazer um milagre.
4a – Quando foi que ela disse isso?
– Disse-o umas poucas de vezes, mas só uma vez, na ocasião da primeira aparição é que lhe fiz essa pergunta.
5a – Não tens medo de que o povo te faça mal se não vir nada de extraordinário nesse dia?
– Não tenho medo nenhum.
6a – Sentes dentro de ti alguma coisa, alguma força que te arraste para a Cova da Iria no dia 13 de cada mês?
– Sinto vontade de lá ir e ficava triste se não fosse.
7a – Viste alguma vez a Senhora benzer-se, rezar ou desfiar as contas do Rosário?
– Não vi.
8a – Mandou-te rezar?
– Mandou-me rezar umas poucas de vezes.
9a – Disse-te que rezasses pela conversão dos pecadores?
– Não disse; mandou-me só rezar a Nossa Senhora do Rosário para que acabasse a guerra.
10a – Viste os sinais que outras pessoas dizem ter visto, como uma estrela, rosas a despregarem-se do vestido da Senhora, etc.?
– Não vi a estrela nem outros sinais extraordinários.
11a – Ouviste algum rumor, trovão ou tremor de terra?
– Nunca ouvi.
12a – Sabes ler?
– Não sei.
13a – Andas a aprender a ler?
– Não ando.
14a – Como cumpres então a ordem que a Senhora te deu nesse sentido?
!.....
15a – Quando dizes ao povo que ajoelhe e reze, é a Senhora que manda que o digas?
– Não é a Senhora que manda, sou eu que quero.
16a – Sempre que ela aparece, tu ajoelhas?
- Às vezes fico de pé, outras vezes ajoelho-me. 16a – Quando fala, a sua voz é doce e agradável? – É. 17a – Que idade parece ter a Senhora? – Parece ter uns quinze anos. 18a – De que cor é o cadeado do rosário? – É branco. 19a – E a do crucifixo? – O crucifixo também é branco. 20a – O véu cobre a testa da Senhora? – Não cobre. Vê-se-lhe a testa bem. 21a – O esplendor que a envolve é bonito? – É mais bonito que a luz do sol e muito brilhante. 22a – A Senhora nunca te saudou com a cabeça ou com as mãos? – Nunca. 23a – Nunca se sorriu para ti? – Também não. 24a – Costuma olhar para o povo? – Nunca a vi olhar para ele. 25a – Ouves as conversas, rumores e gritos do povo, durante o tempo que vês a Senhora? – Não ouço. 26a – A Senhora pediu-te em maio que voltasses todos os meses até outubro à Cova da Iria? – Disse que voltássemos lá de mês a mês durante seis meses, no dia 13. 27a – Ouviste ler a tua mãe o livro chamado “Missão abreviada” onde se conta a história da aparição de Nossa Senhora a um menino e uma menina? – Ouvi. 28a – Pensavas muitas vezes nessa história e falavas dela a outras crianças? – Não pensava nessa história nem a contei a ninguém.
Notas dos editores (4)
6 Manuel Gonçalves da Silva, residente em Aljustrel, casado com Maria dos Prazeres.
7 Pode tratar-se de Manuel Henriques, nascido em 1850, casado com Maria Violante, então residente em Fátima, ou de seu filho, também Manuel Henriques, nascido a 15 de fevereiro de 1891, que veio a casar com Maria dos Anjos.
8 Filho de António Carreira Ribeiro e de Rosa de Jesus Ribeiro. Nasceu na Moita do Martinho, freguesia de S. Mamede, concelho da Batalha, a 19 de novembro de 1865. Casou com Maria da Cunha. Faleceu a 18 de janeiro de 1919. No Rol dos Confessados de 1917, não consta nenhum Francisco Rodrigues, mas sim Francisco Ribeiro. Deve tratar-se de um lapso do autor.
5 Anastácio Vieira, de Aljustrel. Padrinho de batismo de Lúcia, casado, a 29 de novembro de 1882, com Teresa de Jesus, tia paterna e madrinha de batismo de António dos Santos, pai de Lúcia.
Que idade é que tens? – Tenho nove anos feitos. 2a – Só vês a Senhora ou ouves também o que Ela diz? – Só a vejo, não ouço nada do que Ela diz. 4a – Tem algum clarão em volta da cabeça?
- Tem. 5a – Podes olhar bem para a cara dela? - Posso olhar, mas pouco, por causa da luz. 6a – Tem alguns enfeites no vestido? - Tem uns cordões de ouro. 7a – De que cor é o crucifixo do rosário? - É branco. 8a – E a cadeia do rosário? - Também é branca. 9a – O povo ficava triste se soubesse o segredo? - Ficava.
13 jun.13 jul.13 ago.13 set.13 out.Testemunho diretoViuNotaNuvem / coluna de fumoLuz a diminuirDescida da temperaturaTrovão / ruídoPalavras dos videntesA multidão
Cerca da Fátima ou Aljustrel, Cova da Iria, ao lado de Aljustrel, [perto] da estrada [de] macadame, ao lado do norte. Casos presenciados por mim. No dia 13 de Junho fui lá a primeira vez, à qual não fui a tempo ao acto, mas falei com as pequenas no adro da Fátima. Interroguei-as atentamente e vi nelas o que me pareceu impossível não ser verdade. Desde essa hora fiquei crente que era a Virgem Santíssima que ali vinha. No dia 13 de Julho compareci também. À hora da aparição [via-se] uma nevoazinha. O sol perdeu a força deixando de fazer calor, o que até ali fazia muito. E muita gente disse que, quando a aparição falava, ouviam-na mas não
[…]
presenciavam [percebiam] o que Ela dizia. Eu só ouvi quando a Lúcia disse: lá vai Ela! Ouvi no ar um rugido. Parecia o princípio de um trovão. No dia 13 de Agosto compareci também. As meninas e o menino foram presos. Estava muita gente. Às mesmas horas da aparição os astros e o sol representaram o mesmo das outras vezes; e um sinal extraordinaríssimo nos astros. No dia 13 de Setembro compareci também. O sol e os astros fizeram a mesma figura. O povo entusiasmado a olhar para o ar, dizendo uns que viam estrelas, outros que viam uma pomba, outros que viam estrelas a correr e andorinhas a acompanhar. Era um entusiasmo em todos. Ainda outros que viam flores a cair. No dia 13 de Outubro choveu quase toda a manhã. À hora próxima à aparição deixou de chover. Os factos extraordinários que se deram no sol! Toda a gente presenciou: quem tinha os olhos abertos; quem os fechou não viu nada. E talvez houvesse quem visse e dissesse que não viu para não dar honras à Mãe do Céu. Haja o equívoco que houver com respeito à guerra, os [factos] extraordinários que lá houve são inegáveis.
A ser certa a visão, haveria uma certa differença entre a maneira como ella se revelava a cada creança. Assim, a mais velha Lucia, era de certo a mais priveligiada, via, ouvia e fallava com a apparição, fazendo-lhe pedidos e perguntas, e obtendo respostas. A mais novita, Jacintha, via e ouvia a Senhora mas nunca lhe fallou, nem Esta se lhe dirigio directamente. O rapazito, Francisco, via a Senhora, mas nunca a ouvio fallar nem sequer a vio mecher os labios, e nunca A vio tão distinctamente como em 13 de Outubro.
[…]
Lá foram as creanças na sua piedosa romaria todos os dias 13 de cada mez á Cova da Iria, excepto em Agosto, em que foram presas. Dizem que viram sempre a Senhora, que a Lucia fallou sempre com Ella, que lhe pedio algumas curas e conversões; que a Senhora lhe prometteu, curar e converter uns, outros não. Que lhes recommendou sempre que rezassem o terço, e lhes disse que queria n’aquelle sitio uma Capellinha dedicada á Senhora do Rosario.
[…]
s creanças descrevem a apparição, como sendo uma Senhora
muito linda, a mais linda que tivessem visto, (palavras textuaes) de mãos erguidas para o Ceu, toda vestida de branco e ouro, tendo pendente do braço direito um terço todo branco.
Uma vez, a Lucia perguntou á Senhora: “De onde é Vocemecê e para onde vae?” e diz que a Senhora lhe respondeu: “Sou do Céu e vou para o Céu”. E perguntando-lhe a Lucia se ella, a Jacintha e o Francisco tambem irião para o Céu, que a Senhora lhe respondera que ella e a Jacintha irião, e que o Francisco tambem iria, mas teria de rezar mais o terço. Desde então o pequeno, tem por vezes rezado dez terços por dia!
Como soube que a Senhora apareceu à sua filha da primeira vez? Foi ela que lhe contou?
– Tive conhecimento desse facto pela família das outras crianças, porque a Lúcia aconselhou os seus companheiros a não dizerem nada com receio de que lhes ralhassem. Só depois de interrogada por mim é que disse o que tinha visto.
3a – Nunca repreendeu sua filha por ir à Cova da Iria? Deu-lhe sempre inteira liberdade de lá ir, no dia 13 de cada mês?
– Nunca a proibi de ir a esse sítio. Umas vezes perguntava-lhe se queria ir e ela respondia afirmativamente, outras vezes ela mesma dizia que ia, se eu lhe desse licença.
4a – As três crianças costumam ir sozinhas ao local das aparições ou vão acompanhadas de outras crianças?
– Vão sós. Quase sempre vão também outras crianças, mas acompanhadas dos pais e ficam ao pé deles, não se juntam com a Lúcia e os primos dela.
5a – As crianças guardavam gado? A quem é que ele pertencia?
– A Lúcia guardava um pequeno rebanho de ovelhas e os primos outro. Pertenciam esses rebanhos às respetivas famílias. Às vezes juntavam o gado, mas unicamente porque queriam. As ovelhas que a Lúcia guardava, já as vendi.
6a – Como é que as crianças têm ido vestidas?
– Da primeira vez iam mal arranjadas, como andam quase sempre os pastores. Das outras vezes, no dia 13 de cada mês, vão vestidas de fato claro e levam um lenço branco na cabeça.
[…]
Quando as crianças foram presas pelo administrador de Vila Nova de Ourém foi alguém reclamar que as restituissem aos pais?
– Um irmão do Francisco e da Jacinta foi falar com elas a casa do administrador. A senhora do administrador perguntou se ia buscar as crianças, ao que ele respondeu negativamente. O próprio administrador as veio trazer à Fátima.
Sento-me ao pé dele e começo a minha conversa: “Viste Nossa Senhora?” — “Vi”. “Como vinha vestida?” — “Toda de branco e oiro.” “E não trazia nada de côr?” — “Não”. “E na cabeça?” — “Um manto.” “E mais nada?” — “Sim, trazia uma coisa.” “O quê?” — “Não sei, uma coisa.” “E via-se o cabelo?” — “Não”. “E os olhos de que côr eram?” — “Eram pretos.” Estas respostas eram dadas com um ar de uma naturalidade enorme, um pouco arrastadas. Todas as três crianças com quem falei separadamente, mudam de tom descrevendo o olhar de N. Senhora. Vê-se que foi o que mais as impressionou.
A Lucia diz dos olhos: “Eram muito escuros.” “E o fato?” — “Branco e oiro.”
“Com cinto de côr?” — “Não, com estrelas de oiro; olhe, tinha uma no peito.” “E na cabeça?” — “Um manto e uma coisa, assim...” “Mas o quê?” — “Não sei, era assim um açafatico” (um açafatesinho). Eu nem disse a palavra corôa que me veio logo á ideia; deixar a pequena explicar-se como sabe e confesso que achei de apetite a comparação. “E via-se o cabelo?” — “Não.” “Olha, N. Senhora estava a rir-se, alegre?” — “Não, estava séria.” “Zangada?” — “Não, séria.” “Trazia as contas, não trazia?” — “Sim, umas contas brancas e quando falava abria as mãos, assim...” A pequena tirou as contas da algibeira e explicou o que tinha visto: A certa altura diz-me que N. Senhora tinha muita luz. “Como o sol?” — “Mais do que o sol.” Uma senhora que ali estava, diz-lhe: “Porque tiveste medo ao principio? Se eu te aparecesse, tu não fugias.” — “É que a senhora não me cegava.” Diz que N. Senhora pede ao povo que se emende, que reze muito o terço e faça uma capela a N. Senhora do Rosario. A pequena repete muitas vezes: “O povo não se emenda, o povo não se emenda...”
O vestido de Nossa Senhora era destas cores; o vestido era todo branco; tinha dos estrelas da cinta para baixo uma na direção da outra; ao pescosso um cordão com uma bola chegava até á cinta; as mãos postas, e delas caia umas contas não sei se era Rosario se era Terço branco com um cruxifixo tambem branco. O manto cobria-lhe a cabeça até ao fim do vestido. tinha uma beirinha doirada; os pés não sei se tinha maias se vinha descalços, porque eu não lhe defrençava os dedos, era porcausa da luz que me não deixava fitalos tudo em vol[ta] dela era uma luz tam brilhante e tam forte que me não deixava ver como eu queria porque parecia cegar-me.
Paresseme que já disse quase tudo se me falta alguma coisa duque ela disse para escrever não me lembro.
Os teus primos falaram alguma vez com a Senhora?”. Respondeu: “Nunca falaram; uma vez combinámos que a Jacinta lhe falasse, mas, chegando lá, a Jacinta não disse nada.”
– “O semblante da Senhora era risonho?”. Respondeu: “Era triste; quando falava, abria as mãos que estavam juntas e erguidas de encontro ao peito”.
[…]
Tens a certeza de que viste realmente uma Senhora em cima da carrasqueira e de que não te enganaste?”. Respondeu: “Tenho a certeza de que a vi e de que não me enganei; ainda que me matassem, ninguém me faria dizer o contrário.
– “E quem era essa Senhora?”. Respondeu: “Antes de ela dizer que era a Senhora do Rosário, não sabia quem era; agora estou convencida de que era Nossa Senhora”.
Por várias vezes interroguei a vidente Jacinta que sempre me confirmou que viu uma Senhora na Cova da Iria, nos dias treze de maio a outubro de mil novecentos e dezassete, menos no dia treze de agosto em que se achava em casa do administrador do concelho, mas que nesse mês A viu no domingo seguinte – dia dezanove – no sítio chamado Valinho, onde foi chamada por seu irmão João, a pedido da Lúcia.
Disse que viu uma Senhora muito bonita, toda vestida de branco, com fato dourado aos cordõezinhos, com um véu ou manto pela cabeça, do tamanho de F. – indica uma rapariga de regular estatura e dos seus catorze anos – e que trazia umas contas muito branquinhas penduradas nas mãos e seguras entre os dedos indicador e polegar de ambas as mãos, que tinha erguidas à cintura, e que separava uma da outra, pouco mais ou menos à largura dos ombros, quando falava à Lúcia.
Quando Ela falava para a Lúcia, que ouvia uma voz muito piedosa, mas que não se lembra de ouvir dizer, senão que a gente – elas videntes – ia para o Céu. Pelas várias vezes que a interroguei nunca se contradisse no essencial, havendo todavia coisas acidentais, algumas contradições, verdadeiras ou aparentes. Em uma ocasião – dia 21 de agosto – dirigi-me a casa dos pais dela acompanhado de cinco senhoras – D. Maria de Jesus Raposo, de Torres Novas, e outras da Quinta da Cardiga – uma das quais, dos seus quinze anos de idade, ia vestida de branco. Ao chegar a casa dos pais chamei... Veio a Jacinta, que estava só, e que ao ver as inesperadas visitas, ficou embaraçada, como é próprio duma criança do povo e de quem poucos dias antes tinha sido restituída aos pais do rapto que lhe haviam feito. Depois de algumas palavras de animação, disse-lhe eu:
– Olha, Jacinta, vê se foi alguma destas senhoras que viste na Cova da Iria, ou se aqui está alguma parecida com A que lá viste.
Ela levanta os olhozitos, percorre-as todas com a vista, dos pés à cabeça, e diz:
– Não foi nenhuma destas... a outra é muito mais bonita.
Faço-lhe notar a que vinha vestida de branco, dizendo-lhe:
– Então não foi esta Senhora, vestida de branco, tão bonita que tu lá viste em cima?!
Esta Senhora, respondeu ela, é muito bonita, mas A que eu lá vi é muito mais bonita.
Dirigimo-nos a casa dos pais da Lúcia e ao encontrar esta, fiz-lhe a mesma pergunta obtendo idêntica resposta. A respeito do segredo também não consegui que me o revelasse; apenas disse que ele – segredo – não era mau para elas, videntes. Disse mais, que a Senhora lhe apareceu mais três vezes: uma no dia da Ascensão do Senhor na Igreja durante a missa e que lhe ensinou a rezar as contas; outra vez, à noite, sobre o alçapão do sótão estando a família a dormir; e mais uma, debaixo (ou salvo erro em cima) duma mesa, sem nada lhe dizer, até que ela, Jacinta, disse para a mãe: Olhe... não vê a Senhora, que lá vi em cima, ali debaixo?!... Olhe!!! Como a própria mãe me declarou.
13 jul.Testemunho diretoViuInterrogatórioPalavras dos videntes
A 13 de julho. Desta vez recomendou-lhe que rezassem o terço a Nossa Senhora do Rosário para que abrandasse a guerra; que só Ela lhe podia valer e que nos meses futuros continuassem a ir àquele sítio como até ali.
13 jul.Testemunho diretoViuInterrogatórioPalavras dos videntesA multidão
3a vez - Que continuasse a vir, que rezasse o terço a N. Senhora para que acabasse a guerra pois só ela é que podia valer. Demorava-se pouco; já estava muita gente.
13 jul.Testemunho diretoViuInterrogatórioPalavras dos videntes
Que disse a Senhora em julho?
– Disse que continuássemos a ir à Cova da Iria e que rezássemos o terço a Nossa Senhora do Rosário para que abrandasse a guerra, que só ela lhe poderia valer. Pedi à Senhora a cura de enfermos e a conversão de pecadores que me tinham recomendado e ela disse-me que melhoraria uns, outros não, e converteria uns, outros não.
45a – Disse mais alguma coisa?
– Não me recordo que tivesse dito mais nada nesse dia.
13 jul.Testemunho diretoViuInterrogatórioPalavras dos videntes
A folhas cinco do inquérito paroquial, no interrogatório sobre a terceira aparição, que se verificou a treze de julho de mil novecentos e dezassete, a Lúcia depõe que, tendo dito a Senhora: “Faça um milagre para que todos acreditem!”, esta respondeu: “Daqui a três meses faço então com que todos acreditem”.
Profissionalengenheiro e fotógrafo, da Quinta de Pé de Cão
13 jul.Testemunho diretoRecordação posterior
Nesse dia 13 de Julho, interrogámos os Videntes para o que os trouxemos de automóvel para a Fátima. Aí lhes fiz talvez a primeira fotografia da sua vida.
[…]
Possuíamos então um automóvel "Peugeot" de matrícula S-2015 e nele fomos à Cova da Iria, no dia 13 de Julho de 1917"
Quase todos os meses José Alves foi lá no dia treze depois de maio e não viu nada, só ouvia dizer aos outros que viam coisas no céu. Não ouviu o estrondo em agosto. Ouvia dizer muitas vezes que aparecia um fumozinho.
[37-] A Senhora disse-lhe um segredo mas ela não o revelará.
Notas dos editores (1)
4 Quase certamente, o autor dispensou-se de fazer as perguntas nº 34 a 36. Tal como no interrogatório anterior, o Pe. Lacerda também aqui continuou a conversa com a Lúcia, de que resultaram as duas respostas seguintes.
O que a Senhora trazia nos pés eram meias? Tens a certeza disso?
– Cuido que eram meias, mas podiam não ser.
4ª – Tu nunca disseste o segredo, nem mesmo disseste que o povo ficava triste se o soubesse. O Francisco e a Jacinta dizem que ficava triste. Se tu não podes dizer isso, também eles o não podiam dizer. Que te parece?
– Não sei se eles deviam ou não dizer, que o povo ficava triste. Nossa Senhora disse que não devíamos dizer nada a ninguém. Por isso não posso dizer nada.
2a – Tu disseste uma vez que a Senhora tinha meias brancas. Então eram as meias ou eram os pés?
– Se eram meias, eram brancas, mas eu não sei ao certo se eram meias ou se eram os pés.
Algumas vezes e em diversas ocasiões interroguei o Francisco e sempre me disse que viu uma Senhora muito bonita na Cova da Iria e no Valinho nos mesmos dias que suas companheiras tinham indicado e que vinha vestida de branco, mas que não A ouvia falar. A respeito do segredo nada consegui que me revelasse. Dizendo-lhe eu que, não ouvindo ele a Senhora, não tinha segredo algum, respondeu que sim, tem, que lhe disse a Lúcia. Disse-lhe que, como foi a Lúcia que o disse, podia-me dizer, porque não é segredo nem Nossa Senhora lhe disse que o não dissesse, respondeu: não digo, que é pecado, que a Lúcia disse que o não dissesse eu, por isso não digo.
13 jul.Testemunho indiretoViuNotícia de imprensaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Peregrina não identificada de Meia Via, por intermédio do correspondente de O Século
A uma d’elas, a que tinha o privilegio de ouvir e vêr a santa, fizeram varias pessoas muitas perguntas, ás quaes respondia dizendo que via uma especie de boneca muito bonita, que lhe falava. Tinha, dizia, um resplendor em torno da cabeça e chamava-a para junto de si, n’uma voz muito fininha e melodiosa. Entre muitas coisas que lhe disse, a principal foi anunciar-lhe a sua reaparição do dia 13 a um mez e no mesmo sitio, aparecendo ainda mais outra, para declarar o motivo por que tinha vindo ao mundo.
13 jul.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Manuel Pedro Marto (pai de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)
A Lúcia disse, o que o pai ouviu: “Eu o que queria – ai! Nossa Senhora!”, e pediu a cura e a conversão de diversas pessoas, não se recordando o pai o nome delas.
A Lúcia depois acrescentou: “diz que nem todas melhoram, porque algumas são más”. Declarou ainda que a Senhora tinha dito que rezassem todos o terço e que a guerra em breve ia acabar. Estavam então as crianças de joelhos, a Lúcia levantou-se rapidamente, ficando o vestido em balão, e disse apontando: “Olhem para acolá, se a querem ver” – e acrescentou logo: “Já não vão a tempo”. Ela estava voltada quase ao poente e voltou-se para o nascente a indicar a Senhora que se retirava.
13 jul.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Maria dos Santos (Maria da Capelinha, da Moita), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)
Quando a Lúcia disse que vinha a Senhora, o filho escorregou e caiu. Pediu-lhes que rezassem por ele, ao que ela disse que a Senhora tinha dito que o melhorava ou que lhe daria meios de se governar e que rezasse sempre o terço a Nossa Senhora com a família. Estavam todos ajoelhados. Disse a Lúcia: “Já lá vem Nossa Senhora”. Ouviu-se a mesma zunida quando falava e o mesmo assobio de foguete à partida. Antes da aparição rezaram o terço. O marido disse que ela olhava para a Senhora e de vez em quando para o lado e que lhe perguntou porque fazia isso, ao que ela respondeu que era porque cegava a vista com o resplendor que tinha. Pediu a Lúcia pelas melhoras duma pessoa de Pedrógão, pela conversão duma família de Fátima, e por um homem da Atouguia que lhe pedira que Nossa Senhora o levasse para o Céu quanto antes. Depois a depoente ouviu dizer que a pequena tinha afirmado que Nossa Senhora dissera que não tivesse pressa, porque bem sabia quando o havia de levar.
Afirmou também a Lúcia que a Senhora lhe tinha dito o segredo. Na ocasião da aparição ouviu-se um ai, ficando a pequena assustada. Depois desse dia muitas pessoas a procuravam e lhe perguntavam o segredo. Um dia vieram umas senhoras e uma delas perguntou-lhe se o segredo era bom ou mau, e ela disse que para uns era bom, para outros era mau, e para ela e para os primos era bom.
Visitanteperegrina entrevistada pelo correspondente
13 jul.Testemunho indiretoEm parteNotícia de imprensaA multidãoTrovão / ruídoPalavras dos videntes
Transmitido por: Correspondente de O Século (Meia Via)
No dia 13, que estava designado para a aparição de Nossa Senhora, dirigimo-nos ao local indicado. Já ali fervilhavam milhares de pessoas, que, impulsionadas pelo desejo de a verem, ali se tinham arrastado, vindo de longinquas povoações algumas d’elas.
A curiosidade era geral e n’um momento todos se conservaram silenciosos, boquiabertos, perscrutadores, como que procurando ouvir qualquer voz que vinha das entranhas da terra. N’isto, ouve-se um ruido semelhante ao ribombar do trovão e logo a seguir as duas crianças, que estavam junto duma carrasqueira circumdada por muitas florinhas, creio que paradisiacas irromperam n’um choro aflitivo, fazendo gestos epileticos e caindo depois em extasis. A uma d’elas, a que tinha o privilegio de ouvir e vêr a santa, fizeram varias pessoas muitas perguntas, ás quaes respondia dizendo que via uma especie de boneca muito bonita, que lhe falava. Tinha, dizia, um resplendor em torno da cabeça e chamava-a para junto de si, n’uma voz muito fininha e melodiosa. Entre muitas coisas que lhe disse, a principal foi anunciar-lhe a sua reaparição do dia 13 a um mez e no mesmo sitio, aparecendo ainda mais outra, para declarar o motivo por que tinha vindo ao mundo.
13 jul.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntes
Transmitido por: Olímpia de Jesus (mãe de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)
Uma vez foram a casa deles umas senhoras muito ricas e ofereceram à Jacinta várias jóias que traziam para ela lhes dizer o segredo. A Jacinta disse que por coisa nenhuma o diria, nem que lhe dessem o mundo inteiro. Mesmo durante a última doença a mãe lhe dizia: “Eu desprezo-te e não quero saber de ti se não me disseres o segredo”. E a filha replicava que não o podia dizer. “Ao menos hás de me dizer se é bom ou mau”, insistia a mãe. Ela respondia que era bom para quem quisesse acreditar. “Acreditar no quê?”, perguntava a mãe. “Em Deus”, concluía a filha. E acrescentava que era mau para quem não quisesse acreditar.
13 jul.13 out.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Maria da Conceição Stokler Parente
Fômos hontem entrevistar os videntes. A Lucia que é a unica que falla com Nossa Senhora, estava na igreja, onde tinha ido com a mãe para ouvir missa e commungar. Recebeu a primeira communhão aos 7 annos. É muito meiga. Disse-nos — a brincar sempre com as nossas mãos ou os nossos lorgnons — que Nossa Senhora quer que se reze o terço todos os dias; que peçamos muito perdão dos nossos peccados, porque Nosso Senhor está muito offendido; e que se lhe levante n'aquelle logar uma capellinha. Apresenta-se sob a invocação de Nossa Senhora do Rosario. Veste de branco; descalça; manto branco na cabeça e umas contas tambem brancas na mão direita. Annunciou para já — a vidente diz “hoje” — a cessação da guerra, e que os nossos militares veem brevemente. Nossa Senhora disse-lhe um segredo, que ella tem sido instada a divulgar, mas que persiste em não dizer. Respondeu a um homem: — Nossa Senhora disse-me que não dissesse a ninguem; e vocemecê é alguem.
Notas dos editores (2)
5 A autora deve referir-se a José Rino e Capitolina Guimarães Rino, de Alcobaça, que estiveram na Cova da Iria, nesse dia, e contaram, com os mesmos pormenores, a Luís Vasconcelos, depois barão de Alvaiazere, os fenómenos de 13 de Setembro de 1917 (Cf. DCF, vol. 1, Doc. 28, de 30 de Dezembro de 1917, nota 25).
6 Cremos que se trata da "limousine" de José Rino (cf. DCF, vol. 1, Doc. 28, de 30 de Dezembro de 1917, nota 27).
13 jul.13 out.Testemunho indiretoViuCartaPalavras dos videntes
Transmitido por: Maria de Jesus d'Oriol Pena Raposo
Mas a Lucia diz e sustentou que se não lembrava, nem de N. Sa lh'o ter dito, nem de ella o têr repetido. Mas o facto é que mais pessoas fidedignas que estavam ao pé d'ella o affirmam. Eu creio que a pequena se perturba, à força de exgotada e cansada.
O que ella confirma é ter-lhe N. Sra dito que a guerra acabava n'aquelle dia quando Ella chegasse ao Céo e que muito breve os militares voltariam para as suas famílias. Diz que não está bem certa se N. Sra lhe disse que era N. Sra Rosario ou se queria a Capella a N. Sra do Rosario, que foi uma das cousas.
O segredo, não lhe disse que o dissesse a ninguem10 e continuam na mesma tenacidade em o guardar.
Notas dos editores (1)
10 A autora deveria querer dizer: "O segredo, disse-lhe que o não dissesse a ninguem [...]"; ninguem, sublinhado no texto.
13 jul.13 out.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Beatriz Gorjão (carta copiada textualmente por Anita)
A pequena falla depois do fim da guerra e do fim do mundo caso não houvesse fé (não te assustes ainda ha muita). São estes dois pontos que eu acho duvidoso[s]; fallaria realmente N. Senhora no fim da guerra e do mundo, ou estariam as creanças confundidas com tantas perguntas que lhes têem feito? — N. Senhora disse-lhes um segredo. As mães, coitadas como ignorantes que são, têem feito todo o possivel para o saber. Segundo dizem, o administrador já prometteu 20.000rs se lh'o dissessem, mas não ha meio de lhes arrancar o segredo. Ao pequeno ouvi dizer que nem que lhe dessem o mundo inteiro o diriam. Quando lhes perguntam se é mau, dizem que é bom para todos. — N. Senhora no ultimo dia disse mais ser a Virgem do Rosario, e querendo o povo lhe eregisse alli uma capella — Mas isto está bem longe de ser a parte mais importante; calcula a nossa imperssão quando a pequenita continuando a conversar nos diz que no ultimo dia (13 Outubro) lhe appareceu S. José e o Menino Jesus!! Tratava-se portanto da Sagrada Familia. A nossa primeira impressão foi de duvida e de susto, iria cahir tudo pela base?! Mas umas vizinhas que alli estavam, disseram-nos que as 3 creanças já por vezes tinham fallado em S. José e no Menino Jesus. — A pequenita então explicou que S. José tinha vindo dar a paz ao mundo, e com a mão repetiu muitas vezes o signal da cruz, imitando o gesto dos Bispos quando vão andando e abençoando os fieis. Disse-nos que o Menino Jesus e S. José eram eguaes a uns santinhos que tinha em casa.
[…]
a pequenita diz que tinha em casa uns quadros, mas nem para elles olhou: foi a uma caixa e tirou um grupo da Sagrada familia dizendo: “vêem?” S. José e o Menino Jesus estavam como estão aqui: mas aqui S. José está com os olhos fechados, e lá estávam com os olhos abertos. — Querendo nós ver se ella se atrapalhava, dissemos-lhe que uma vez que o S. José e o Menino estavam como alli estão, N. Senhora no ultimo dia tambem devia estar como aquella de veu e manto de côres; perguntamos isto varias vezes, respondendo ella sempre que N. Senhora não estava como aquella, mas sim de branco e com o terço. Dissemos mais que sendo a Sagrada familia devia estar toda junta, ao que ella respondia sempre que não. N. Senhora estava na azinheira, e S. José e o Menino Jesus, perto do Sol. — A mesma esperiencia fizemos com o pequeno respondendo sempre como a irmã. — É portanto fóra de duvida que se póde confirmar as 6 apparições de N. Senhora, sem se confirmar a da S. Familia. A pequena mais velha antes de partir para Ourem tambem nos fallou de S. José e do Menino Jesus.
13 mai.13 jun.13 jul.13 ago.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Carlos de Azevedo Mendes
Como te disse examinei ou antes interroguei os três em separado. Todos dizem o mesmo sem a mais leve alteração. A base principal, que de tudo o que me dizem, eu deduzi é “– que a aparição quer que se espalhe a devoção do Terço –”. Todos os pequenos dizem sempre, que, quem lhes aparece, é a Senhora. Não sabem quem é... Só depois das 6 vezes, no dia 13 de Outubro, lhes diz quem é e o que quer!!... A naturalidade e ingenuidade, com que falam e contam o que viram é admirável e impressionante.
A Lúcia vê a Senhora, fala com ela e ouve-a. A Jacinta vê a Senhora, ouve-a, mas não fala com Ela. O Francisco vê a Senhora, mas não lhe fala, nem a ouve!!!... É interessante esta diferença, não achas Prazeres??... Mas além de interessante tem até mesmo muito de extraordinário!!... Ouvir as petizas, vê-las na sua simplicidade, examinar-lhes o seu todo, impressiona-nos de uma maneira extraordinária, e leva-me a concluir, que em tudo o que me dizem, alguma coisa existe de sobrenatural. Estar com elas choca-nos com uma forte intensidade... Hoje, Prazeres, é convicção minha que há um facto extraordinário, que a nossa razão não alcança. Qual?... Com ansiedade mais crescente ainda espero o próximo dia 13. O que é certo, é que nos sentimos bem junto das pequenas e chegamos a perder a noção do tempo. Há uma atração, que não sei como explicar... Uma das impressões mais intensas das crianças é a da beleza da Senhora. O rapaz para exprimir a sua admiração dizia-me que era “muito bonitica”!!!... Mostrei-lhe o teu retrato e perguntei: é mais bonita? “Muito mais!!...”. A Senhora vem toda de branco com ouro. Não traz nenhuma faixa azul como se dizia. Se é a Senhora da Paz.... Já te recordaste, o que disse na 2ª aparição?... Que aprendessem a ler... Dizia-me a Jacintita “que já ia na carreira do A”!!...
[…]
A oração, que dizem a Senhora lhes ensinou é simples, é a seguinte:
“Ó meu Jesus perdoai-me.
Livrai-me do fogo do inferno
Levai as alminhas todas para o céu, principalmente as que mais precisarem.”
Queres maior simplicidade? Achei interessante que a Senhora a tivesse ensinado, mas não lhe recomendasse que a rezassem.
Transmitido por: Relatório da comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)
Reproduz-se aqui, em resumo, o relato das aparições.
A Senhora diz que o seu lugar é o Céu, promete a felicidade eterna às três crianças, comunica-lhes um segredo que a ninguém poderão revelar, ensina-lhes uma pequena oração4, recomenda a Lúcia que aprendam a ler, manda que todos rezem o terço, para que a guerra acabe, anuncia o aparecimento de Nosso Senhor, de S. José com o Menino Jesus, de Nossa Senhora sob as invocações do Rosário, do Carmo e das Dores, recomenda de novo a recitação do terço, declara que a guerra acabava brevemente e no último dia afirma que Nosso Senhor está muito irritado com os pecados dos homens, suplica que não O ofendam mais, insiste mais uma vez em que rezem o terço, declara que ela é a Senhora do Rosário e ordena que se edifique ali uma capela em sua honra. O depoimento da Jacinta confirma, dum modo geral, o depoimento da Lúcia, assim como o do Francisco, que contudo só via a Senhora, não ouvindo nada do que ela dizia a sua prima.
Transmitido por: Manuel Nunes Formigão (Visconde de Montelo)
Mas se me reportava a declarações dos videntes que conservasse de memoria, é-me totalmente impossivel precisar, depois de tantos annos, qual das crianças me assegurou que a cruz do rosario era ou parecia de ouro. Teria sido o Francisco? Teria sido a Jacinta? Não sei. Importa acentuar que a Lucia, assim como os primos, ás vezes diziam ser brancas certas partes do corpo ou certas peças do vestuario da visão por causa da luz clara e brilhante que a envolvia e que quasi lhes cegava os olhos. Pag. 77, Lucia: "É que ella ás vezes cega". Pag. 94, Francisco: "Posso olhar para a cara della, mas pouco, por causa da luz".
Transmitido por: Manuel Nunes Formigão (Visconde de Montelo), entrevistado por A Guarda
Duas pastorinhas e um zagalete afirmaram que uma senhora de incomparavel beleza lhes aparecia no dia treze de cada mês desde Maio a Outubro dêsse ano, fazendo-lhes diversas comunicações, algumas delas de caracter secreto. A Visão, segundo o testemunho das tres creanças, prometeu dizer no dia treze de Outubro quem era e operar nesse dia um prodigio, para que todos acreditassem nas suas palavras, pedindo ao mesmo tempo que erigissem uma capela em sua honra no local das aparições.
Por varias vezes declarou que Deus estava muito ofendido com os pecados dos homens e que graves castigos os ameaçavam, recomendou a todos que fizessem penitencia, aconselhou a recitação frequente do terço e por ultimo disse que era a Senhora do Rosário.
Transmitido por: José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria
A 13 de maio de 1917, três crianças da freguesia da Fátima, vigararia de Ourém, desta Diocese, apascentavam um pequeno rebanho num lugar, então ermo, chamado Cova da Iria.
A mais velha, Lúcia de Jesus, tinha 10 anos de idade, Francisco nove e Jacinta seisa. Estes eram irmãos e a primeira prima deles.
Nenhum sabia ler nem escrever.
Aproximava-se o meio dia e as crianças, conforme o costume da sua terra, rezaram o terço do Rosário de Nossa Senhora.
Terminada a oração, entretinham-se a fazer uma pequenina casa com pedras soltas quando, de repente, um relâmpago, de luz viva e brilhante, sulcou o espaço. Apesar de o céu estar diáfano e sem nuvens, as crianças, com receio de alguma trovoada, juntaram o gado e iam retirar-se. Ao chegarem, porém, perto do ponto onde se encontram atualmente as bicas de água, fuzila novo relâmpago e, a poucos passos de distância, de pé sobre uma pequena azinheira no sítio onde está a pequenina e pobre Capela das Aparições, veem, com espanto, o vulto duma Senhora de incomparável formosura, envolvida num vestido de alvura puríssima; um manto, orlado de ouro, cobre-lhe a cabeça e a maior parte do corpo. O rosto, duma beleza celeste, sobrenatural, apresentava-se sereno, grave e toldado duma leve sombra de tristeza. Das mãos, juntas à altura do peito, pendia-lhe, rematado por uma cruz, um lindo rosário.
De todo o vulto, circundado dum esplendor mais brilhante que o sol, irradiavam feixes de luz.
As crianças aproximaram-se, travou-se um diálogo entre a Senhora e a mais velha, convidando-os a irem ali todos os dias 13 de cada mês até outubro.
Como consta do testemunho das crianças e de muitas pessoas, as aparições foram seis, todas no dia 13 de cada mês, exceto em agosto que se realizou alguns dias depois por a autoridade administrativa ter as crianças presas em Ourém.
A Senhora disse-lhes que o seu lugar é o céu, confiou-lhes um segredo que a ninguém poderão revelar, ensinou-lhes uma pequena jaculatória, recomendou a recitação do Rosário, aconselhou a Lúcia a aprender a ler, insistiu na necessidade de oração e penitência para a guerra acabar, afirmou que Nosso Senhor está muito irritado com os pecados dos homens e sobretudo com o pecado da carne, ordenou que se edifique ali uma capela em sua honra e declara que é a Senhora do Rosário...
Notas dos editores (4)
15Mat VII, 15.
16Mat VII, 16, 18.
17Jo X, 37, 38.
a Jacinta tinha já sete anos. A data oficial do nascimento de Jacinta é 11 de março de 1910.
13 jul.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Manuel Pedro Marto (pai de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)
O pai pegou na Jacinta ao colo para atravessar mais facilmente por entre a multidão. Ela disse ter visto outra vez Nossa Senhora. Passados dias, a filha mais velha, Florinda, disse que a Jacinta tinha dito para a Lúcia: “Fala-lhe, Lúcia, que ela já está a falar”.
Transmitido por: Olímpia de Jesus (mãe de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)
Em treze de julho foram lá e contaram que Nossa Senhora tinha aparecido como nos meses anteriores.
13 jul.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntes
Transmitido por: Maria Rosa (mãe de Lúcia), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)
Dizia a pequena, que a Senhora lhe tinha dito um segredo que não podia dizer a ninguém e que ela tinha pedido por alguns doentes e que lhe parece que a Senhora dizia que uns melhoravam outros não.
13 jul.Testemunho indiretoViuCartaDescida da temperaturaPalavras dos videntes
Transmitido por: António Ferreira de Andrade
O meu bão camaráda com que me encontrei parcia sêr bão rapáz me contou elle do milágre da Sinhora de 13 de Julho5 de hire muito calôr e ao ella vir por-ce tempo frêsco elle me dice que a Snra que dice que resa-ce todos o terço q, para trêse de Outubro q., avia de fasêr um milagre q., há de sêr ademirado por todos
Notas dos editores (3)
2 António dos Santos, pai de Lúcia, conhecido, como se verá adiante, pela alcunha de António “Abóbora”.
3 Poderá tratar-se de Manuel Vieira Marques, filho de Manuel Marques e Maria de Jesus, natural da Pedreira. Assentou praça no Regimento de Infantaria 15, de Tomar. Embarcou para França no C.E.P., em 20 de Fevereiro de 1917, com o nº 682, da 1ª Companhia. Regressou em Fevereiro de 1919. Segundo informação do Sr. Francisco Pereira de Oliveira, teve conhecimento das aparições na Cova da Iria, em carta da família, recebida em França no dia 24 de Junho de 1917 (?). Todavia, como se verá adiante, António Ferreira de Andrade dispunha já também de informações relativas à aparição de 13 de Julho (cf. nota 5). As cartas escritas de Fátima para o camarada de António Ferreira de Andrade, infelizmente desaparecidas, seriam dos primeiros documentos sobre as aparições.
5 Trata-se, pois, de uma carta posterior à indicada na nota 3.
13 jul.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntes
Transmitido por: Olímpia de Jesus (mãe de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)
Quando a Jacinta começou a dizer que sabia um segredo comunicado por Nossa Senhora, começou a ser chamada a várias partes, mesmo fora da freguesia. Segundo afirmava a pequena, o Francisco não ouviu o segredo e fora a Lúcia que lhe dissera da parte de Nossa Senhora.
13 jul.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntesFiguras / visões
Transmitido por: José Alves, da Moita (transmitindo o que lhe disse a mulher), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)
A mulher disse um dia à Jacinta, na sua ausência, tendo-lhe contado depois: “Ó Jacinta diz-me o segredo que eu dou-te o meu cordão”. O Francisco não estava presente; se estava era a Lúcia. O Francisco nunca ficou em sua casa e foi lá só uma vez ou duas. A Jacinta disse: “se você me dá aquele santinho, eu digo-lhe”. A mulher retorquiu-lhe: “Eu não te posso dar, que ele não é meu, é da minha sobrinha”. A sobrinha disse: “Ó Jacinta mas diz-me o segredo, que eu dou-te”. Ao que ela respondeu: “Nem que vossemecê me desse o mundo inteiro”. Uma vez estando a mulher em sua casa a fazer perguntas à Lúcia, a Jacinta meteu-se na conversa e disse: “Nossa Senhora vinha dali (e apontou para o nascente) e foi para ali (e apontou para a direção da Cova da Iria).
13 jul.Testemunho indiretoDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntes
Transmitido por: Olímpia de Jesus (mãe de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)
O Francisco, pedindo-se-lhe para revelar o segredo, declarou que nem que o matassem o poderia dizer. Aconteceu por várias vezes serem interrogados e oferecerem-lhes riquezas para o dizerem e eles respondiam que nem que lhes oferecessem o mundo inteiro o poderiam dizer.
13 jul.Testemunho indiretoNotaPalavras dos videntes
Transmitido por: Manuel Nunes Formigão (notas do que lhe contou a mãe de Francisco, Olímpia de Jesus)
Dizia muitas vezes que a oração que Na Sa lhe tinha dito, nunca lhe esquecia. Ó minha mãe, a oração que Na Sa lhe ensinou nunca lhe esqueça, que eu nunca me esqueço. Mas, filho, ás vezes esquece-me. Dizia o pequeno “Quando fôr pelo caminho reze-a. Ó meu Jesus perdoae-nos, livrae-nos do fogo do inferno, levae as alminhas todas para o Ceu principalmente aquellas que mais delle precisarem”.
Gente da terramarido de Maria dos Santos (Maria da Capelinha), da Moita
13 jul.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntesFiguras / visões
Transmitido por: Maria dos Santos (Maria Carreira), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica
O marido disse que ela olhava para a Senhora e de vez em quando para o lado e que lhe perguntou porque fazia isso, ao que ela respondeu que era porque cegava a vista com o resplendor que tinh
13 jul.13 out.Testemunho indiretoViuCartaPalavras dos videntes
Transmitido por: Maria de Jesus d'Oriol Pena Raposo
O rapazinho, que é irmão da pequenina Jacintha e primo da Lucia, é que hontem8 me deixou uma optima impressão: olhar muito brilhante, cara muito alegre, muito á vontade, confirmou (a sós é que foi entrevistado por nós) que a Lucia dissera no momento do milagre: Olhem para o Sol
[…]
O pequeno, offerecendo-lhe as pessoas que iam commigo tudo quanto se lembraram, e recusando tudo, acabou por dizer muito enthusiasmado: "Nem que me dêem o mundo".
13 jul.13 out.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Beatriz Gorjão (carta copiada textualmente por Anita)
A mesma explicação nos deu a mais velha e o pequenito que depois encontramos. Uma mulherzita perguntou-lhe se em tantas senhoras que viu no dia 13 e entre tantas que a teem visitado, encontrou alguma tão bonita como a senhora do Ceu, a pequena disse que tão bonita nunca viu nenhuma, e o pequeno a quem depois perguntamos o mesmo disse: que tão bonita não havia nenhuma no mundo.
[…]
Ao pequeno ouvi dizer que nem que lhe dessem o mundo inteiro o diriam. Quando lhes perguntam se é mau, dizem que é bom para todos.
[…]
A mesma esperiencia fizemos com o pequeno respondendo sempre como a irmã.
13 mai.13 jun.13 jul.Testemunho indiretoViuNotícia de imprensaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Diretor do Raio de Luz (Henrique dos Santos Silva)
Essa visão, com o aspecto d’uma senhora de extraordinaria beleza, aparece-lhes no campo em meio de uma nuvem, em logar fixo. Fala-lhes — limitando-se as creanças a dizer que a Senhora pedira ao pequenino de 3 annos que aprendesse a rezar o terço3, e ás duas pequenas que o rezassem pela patria e pela sua familia, acrescentando que em 13 de outubro lhes dirá o mais que d'ellas quer.
Notas dos editores (3)
1 Publicação mensal com permissão da autoridade eclesiástica. Editor e director: Henrique dos Santos Silva.
2 Esta carta, provavelmente, é pouco posterior a 13 de Agosto, pois diz: “Muito se tem rezado naquele sitio ha dois mezes para cá!...”, isto é, desde Junho de 1917. A autora é uma assinante da revista. A destinatária devia ser também uma senhora, da intimidade da autora, pois a trata por “filha”, sem que este tratamento signifique filiação, porque posteriormente refere: “muita gente, entre ella as minhas creadas”, expressão que não teria sentido se a destinatária fosse sua filha. Existe uma carta de Branca Falcão de Sommer a Elisa Tavares Bonacho dos Anjos Martins, datada de Monte Estoril, de 6 de Outubro de 1917 (Doc. 40, de 6 de Outubro de 1917): “Recebi o “Raio de Luz” assim como a sua amavel carta [...]. Não ha duvida, que a descripção da Fatima escusa de levar assignatura. Lêr o artigo é o mesmo que ouvir a nossa enthusiasta visinha!”. Branca de Sommer e Elisa Martins eram vizinhas em Lisboa (tinham residência respectivamente na Praça do Príncipe Real e Praça das Flores), e também na província (respectivamente na Quinta da Cardiga, freguesia e concelho da Golegã, e na Quinta da Várzea, Riachos, Torres Novas). Por isso, a “enthusiasta visinha” das duas, autora da carta, podia residir também em Lisboa, mas pomos a hipótese, mais provável, de se tratar de Maria de Jesus Xavier de Figueiredo de Mello de Oriol Pena Raposo, residente na Quinta de Carvalhais, entre Riachos e Torres Novas, muito próxima, portanto, da Quinta da Várzea e da Quinta da Cardiga.
3 A referência diz respeito, sem dúvida, ao Francisco, que tinha 8 anos em 13 de Maio de 1917, pois nascera a 11 de Junho de 1908 (cf. DCF, vol. 1, Doc. 1, de c.27 de Maio de 1917, nota 7).
13 mai.13 jun.13 jul.Testemunho indiretoViuNotaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Leonor de Avelar e Silva Constâncio, a partir de informação do Prior de Fátima (Pe. Manuel Marques Ferreira)
Só ali soubemos, que as trez creanças, naturaes de Aljustrel, pequena povoação da freguezia da Fatima, diziam que uma Senhora lhes apparecia no dia 13 de cada mez, fallava com ellas, respondia ás suas perguntas, e lhes recommendava que rezassem o terço e o offerecessem á Senhora do Rosario.
Transmitido por: Anna Maria dos Santos, do Caneiro
Seguimos a viagem e quando chegámos á Fatima o Ex.mo Snr. Pedro perguntou pelas pequenas, onde ellas então vinham a sair da escola e depois por mandado da Sn.a professora as meninas chegaram ao pé do carro e falaram com mais pessoas que ali estavam, onde lhe perguntámos com respeito a N. Senhora e ellas afirmaram sempre a mesma cousa, que a viram, ouviram e falaram com ella:
Transmitido por: Manuel Nunes Formigão (Visconde de Montelo)
R. A pag. 11 affirmo que a apparição parece não ter mais de 18 annos, porque uma vez a mãe da Lucia, na presença da filha e doutras pessoas, me disse, ao perguntar a edade da visão, que ella parecia ser como uma rapariga do logar de Aljustrel que estava presente e que já tinha completado 17 annos. A pag. 90 declaro ter dito a Lucia que a Visão parecia ter uns 15 annos, porque realmente o disse, embora fosse uma pequena rude e ignorante, apenas com 10 annos de edade, e incapaz de calcular com exactidão a edade de uma pessoa. De resto, a differença entre uns quinze annos e não mais de dezoito annos não é grande e a expressão que emprego a pag. 90 não só não contradiz nem exclue a affirmação da pag. 11 senão que até a completa e permitte uma maior approximação da verda
Transmitido por: Manuel Nunes Formigão (resumindo o inquérito paroquial do Pe. Manuel Marques Ferreira)
O Franc. morreu no dia 4 de abril de 1919. Recebeu os ult. sac. com grande lucidez e piedade E confirmou que tinha visto uma Senhora na Cova da Iria e Vallinho3.
Notas dos editores (1)
3 O Dr. Formigão resume, nas p. 7-19, o processo paroquial de Fátima, seguindo os depoimentos dos videntes e de outras testemunhas até à declaração final do padre Manuel Marques Ferreira, pároco de Fátima, sobre o falecimento do Francisco. Não publicamos este resumo, pois o processo foi editado, na íntegra, em DCF, vol. I, Docs. 31-37, p. 245-287.
Transmitido por: Manuel Marques Ferreira (aditamento ao inquérito paroquial)
O Francisco – vidente – faleceu às dez horas da noite, do dia 4 de abril corrente, vitimado por uma prolongada ralação de 5 meses da pneumónica tendo recebido os Sacramentos com grande lucidez e piedade – E confirmou que tinha visto uma Senhora na Cova da Iria e Valinho.