Jacinto de Almeida Lopes, casado, proprietário, natural e morador no lugar da Amoreira, desta freguesia de Fátima, sendo interrogado sobre o que presenciara, relativamente aos factos ocorridos no local chamado Cova da Iria, deste freguesia, disse que no dia treze de julho de mil novecentos e dezassete, tendo-se dirigido com antecedência para o local, ali permaneceu junto à carrasqueira onde estava quando chegaram as crianças. Chegaram, ornamentaram a carrasqueira, ajoelharam, rezaram o terço, levantaram-se e logo, com pouco tempo de demora, tornaram a ajoelhar, e, todos de joelhos, começa a Lúcia, como que estando a falar com alguém voltada para a carrasqueira onde tinha fixada a vista:
– Então o que é que me quereis?
A esta pergunta um bocadito em silêncio, tempo de uma breve resposta. E durante este silêncio ouviu ele, como que vindo da carrasqueira, uma voz muito sumida semelhante, diz, ao zumbir de uma abelha, mas sem distinguir palavra alguma.
– Em seguida diz a Lúcia: – Tenho aqui um pedido a fazer-Vos: Era se Vossemecê melhorava um aleijado de Aljustrel; se convertia uma mulher do Pedrógão; se convertia uma mulher de Fátima e seus filhos; se melhorava um homem da Atouguia ou o levava para o Céu o mais depressa melhor1.
Dito isto... há um curto silêncio, como quem espera resposta, e ouve a mesma voz, que não ouvia enquanto a Lúcia falava.
– Vossemecê, – continua a Lúcia – não poderá fazer com que esta gente se converta?
Silêncio... depois de tempo de uma breve resposta, diz, – como que confirmando o que ouvira:
– Sim, que se reze o terço!... que se reze o terço!... sim... tudo se fará.
E enquanto assim falava fazia acompanhar as palavras com acenos de cabeça.
– Então e Vossemecê não poderá fazer com que esta gente toda acredite?
Silêncio...
Em seguida diz: – Não me quereis mais nada?
Espera... e logo diz:
– Eu também não.
Dito isto, que se levanta instantaneamente e voltando-se para o nascente disse:
– Querem ver Nossa Senhora?!!
E aponta na mesma direção.
Notas dos editores (1)
1 “O homem da Atouguia” tem sido identificado como sendo Manuel da Silva Reis, solteiro, proprietário, da Atouguia, concelho de Vila Nova de Ourém, pessoa estimada, muito crente, que veio a falecer com 85 anos de idade, no dia 18 de fevereiro de 1924.