Testemunhas /

Jacinto de Almeida Lopes

Gente da terra

Proprietário da Amoreira (freguesia de Fátima), nascido em 1865 e casado com Maria dos Prazeres; esteve junto à azinheira a 13 de julho de 1917 e foi a primeira testemunha do inquérito paroquial (dezembro de 1918).

Residência: Amoreira, FátimaFreguesia de Fátima (da terra)3 relatos · 13 de julho de 1917, 13 de outubro de 1917
13 jul.Testemunho diretoEm parteDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntesTrovão / ruído

Jacinto de Almeida Lopes, casado, proprietário, natural e morador no lugar da Amoreira, desta freguesia de Fátima, sendo interrogado sobre o que presenciara, relativamente aos factos ocorridos no local chamado Cova da Iria, deste freguesia, disse que no dia treze de julho de mil novecentos e dezassete, tendo-se dirigido com antecedência para o local, ali permaneceu junto à carrasqueira onde estava quando chegaram as crianças. Chegaram, ornamentaram a carrasqueira, ajoelharam, rezaram o terço, levantaram-se e logo, com pouco tempo de demora, tornaram a ajoelhar, e, todos de joelhos, começa a Lúcia, como que estando a falar com alguém voltada para a carrasqueira onde tinha fixada a vista:

– Então o que é que me quereis?

A esta pergunta um bocadito em silêncio, tempo de uma breve resposta. E durante este silêncio ouviu ele, como que vindo da carrasqueira, uma voz muito sumida semelhante, diz, ao zumbir de uma abelha, mas sem distinguir palavra alguma.

– Em seguida diz a Lúcia: – Tenho aqui um pedido a fazer-Vos: Era se Vossemecê melhorava um aleijado de Aljustrel; se convertia uma mulher do Pedrógão; se convertia uma mulher de Fátima e seus filhos; se melhorava um homem da Atouguia ou o levava para o Céu o mais depressa melhor1.

Dito isto... há um curto silêncio, como quem espera resposta, e ouve a mesma voz, que não ouvia enquanto a Lúcia falava.

– Vossemecê, – continua a Lúcia – não poderá fazer com que esta gente se converta?

Silêncio... depois de tempo de uma breve resposta, diz, – como que confirmando o que ouvira:

– Sim, que se reze o terço!... que se reze o terço!... sim... tudo se fará.

E enquanto assim falava fazia acompanhar as palavras com acenos de cabeça.

– Então e Vossemecê não poderá fazer com que esta gente toda acredite?

Silêncio...

Em seguida diz: – Não me quereis mais nada?

Espera... e logo diz:

– Eu também não.

Dito isto, que se levanta instantaneamente e voltando-se para o nascente disse:

– Querem ver Nossa Senhora?!!

E aponta na mesma direção.

Notas dos editores (1)

1 “O homem da Atouguia” tem sido identificado como sendo Manuel da Silva Reis, solteiro, proprietário, da Atouguia, concelho de Vila Nova de Ourém, pessoa estimada, muito crente, que veio a falecer com 85 anos de idade, no dia 18 de fevereiro de 1924.

DCF Seleção, Doc. 39 (= DCF I, Doc. 32) · depoimento · 20 dez. 1918 (18 meses depois)Digitalizações (2)Ligação
13 out.Testemunho diretoViuDepoimento ajuramentadoNuvem / coluna de fumoA chuva a pararSol a mudar de corCores nas pessoas e na paisagemDisco pálido / prateadoSol a girar

No dia treze de outubro, dirigiu-se como tanta gente ao local das Aparições, na ansiedade de observar algum facto extraordinário, pois tinha ouvido dizer que a Senhora dissera à Lúcia que no último dia fazia milagre. A chuva fustigava-o fortemente, mas pouco o incomodava porque o seu objetivo estava na observação do extraordinário. Enquanto a hora se aproxima e o povo se vai aglomerando, observa que umas avezinhas andam volitando sobre a carrasqueira, saltitando de um lado para o outro. Vê, por cima do povo que rodeia a carrasqueira, por vezes, umas seguidas às outras, elevar-se da terra pequenas nuvens de fumo – ou lhe parece fumo – semelhante ao fumo do turíbulo em ocasião de incensação, ou às fumaradas de cigarro. Julga a princípio, – que era alguém que ali estava a fumar ou a fazer fogueira para se aquecer, mas veio averiguar que ali não estava lume de espécie alguma. A hora aproxima-se, e eis que, como que por encanto, a chuva suspende, o sol rompe as densas e negras nuvens e mostra-se dardejante com seus luminosos raios, que bem depressa tomam as cores do amarelo, encarnado e verde, tornando os objetos que estavam sob sua influência de iguais cores; e logo perde o seu brilho e cores, – podendo ser fixado a olho nu sem ferir a vista – e toma um vertiginoso movimento de rotação, parecendo precipitar-se sobre a terra. E enquanto observa estas maravilhas, todo o povo se encontra em altas exclamações. Isto durou, o máximo, uns cinco minutos, depois voltou ao seu estado normal.

DCF Seleção, Doc. 39 (= DCF I, Doc. 32) · depoimento · 20 dez. 1918 (14 meses depois)DigitalizaçãoLigação
13 out.Testemunho diretoViuDepoimento ajuramentadoNuvem / coluna de fumo

No inquérito paroquial, a primeira testemunha, Jacinto de Almeida Lopes diz que, no dia treze de outubro de mil novecentos e dezassete, “viu, por cima do povo, que rodeava a carrasqueira, diversas vezes, elevarem-se do solo pequenas nuvens de fumo ou que lhe pareciam de fumo – semelhante ao fumo dum turíbulo em ocasião de incensação ou ao fumo de cigarros. Julgou a princípio, porque se achava afastado da carrasqueira, onde via o fumo, que era alguém que ali estava a fumar ou a fazer uma fogueira para se aquecer, mas depois veio a averiguar que ali não havia lume de espécie alguma.

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