No dia 14 de julho de 1917 apareceu na minha presença Jacinta de 7 anos de idade, filha de Manuel Pedro Marto; interrogada sobre a visão, disse:
Que tinha visto uma mulher pequena 4 vezes, uma em sua casa à noite e três na Cova da Iria ao meio dia; diz ser do tamanho da Albina, filha de António Rosa da Casa Velha2; em casa viu-a à borda do alçapão do sótão, não dizendo nada; estava a mãe e irmãos a dormir e era de noite; na Cova da Iria viu-a em pé em cima duma carrasqueira3; vinha vestida com meias brancas e fato todo dourado; não trazia sapatos; a saia era branca e toda dourada e dava-lhe pelos joelhos; o dourado era aos cordões a atravessar e nos cordões aos biquinhos; casaco branco todo dourado; um manto pela cabeça era branco e todo dourado; as mãos erguidas à cintura e abriam, separando-as quando falava à Lúcia; não lhe ouviu dizer nada, ouviu falar (ora diz que sim, ora diz que não), não ouviu dizer quantas vezes cá vinha; à saída abria-se o céu e ficavam os pés entalados e o corpo já escondido; ouviu uma fala muito piedosa e só se lembra de ouvir que a gente (elas) ia para o céu; diz ter visto relâmpago mas ora diz ser uma vez ora mais duma, ora antes, ora depois; trazia umas contas brancas nas mãos, seguras entre o dedo polegar e indicador das duas mãos; não viu brincos; trazia um cordão de ouro delgado ao pescoço.
Notas dos editores (2)
2 Nasceu a 3 de dezembro de 1901. Era filha de António Ferreira Rosa, de Aljustrel, irmão de José Ferreira Rosa (primeiro marido de Olímpia de Jesus, mãe de Francisco e Jacinta) e de Maria Rosa (mãe de Lúcia).
3 A carrasqueira, tantas vezes referida, é uma azinheira nova, de pequeno porte. Azinheira: Quercus rotundifolia, Lam., árvore da família das fagáceas, de copa ampla arredondada e densa, de folhas persistentes, muito coriáceas, pequenas, dentado-espinhosas no estado juvenil, com cinco a oito pares de nervuras. Ao fruto se dá popularmente o nome de “azinha”, “boleta” ou “bolota”.