Testemunhas /

Jacinta Marto

Vidente

Jacinta Marto, nascida a 11 de março de 1910 (com 7 anos em 1917), a mais nova dos três videntes, irmã de Francisco e prima de Lúcia; morreu a 20 de fevereiro de 1920.

Uma das três crianças videntesResidência: Aljustrel, FátimaFreguesia de Fátima (da terra)Atitude prévia: crente34 relatos

13 de maio de 1917 12 relatos

13 mai.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoFiguras / visões
Transmitido por: Manuel Pedro Marto (pai de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

Estavam a cear quando a mãe perguntou novamente à Jacinta o que tinha presenciado.

A pequena disse que Nossa Senhora lhes tinha aparecido, que antes tinham visto um relâmpago, que recearam estivesse iminente uma trovoada ou chovesse, e já se preparavam para se irem embora, indo até tocar o gado para esse fim.

13 mai.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Olímpia de Jesus (mãe de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

Ao chegar a casa a Jacinta, muito alegre abraçou-se a ela, o que não costumava fazer e disse: “Ó minha mãe, vi hoje Nossa Senhora na Cova da Iria”. A mãe retorquiu: “Não acredito; és uma boa santa para veres Nossa Senhora”. A pequena mostrou-se um pouco triste e insistiu: “Acredite, minha mãe”. Tinha então sete anos. Isto passou-se ainda na rua à porta de casa. Entraram e logo ela disse: “Minha Mãe, vou rezar o terço com o Francisco, que foi o que Nossa Senhora mandou que nós fizéssemos”.

[…]

A uma pergunta dos pais nesse sentido, a pequena respondeu que Nossa Senhora tinha dito, que fossem lá durante seis meses no dia treze que ela lhes apareceria, e que rezassem o terço. Os videntes compreenderam que essa recitação devia ser feita todos os dias. Dizia Nossa Senhora que rezassem o terço, que o espalhassem pelo mundo e que Deus estava muito ofendido. O Francisco disse que via a Senhora a mexer os beiços, abrir as mãos e fechá-las, mas não ouvia as suas palavras. Disse a Jacinta que a Senhora só falava com a Lúcia.

13 mai.13 jun.13 jul.Outros de 1917Testemunho diretoViuInterrogatórioFiguras / visõesPalavras dos videntes

No dia 14 de julho de 1917 apareceu na minha presença Jacinta de 7 anos de idade, filha de Manuel Pedro Marto; interrogada sobre a visão, disse:

Que tinha visto uma mulher pequena 4 vezes, uma em sua casa à noite e três na Cova da Iria ao meio dia; diz ser do tamanho da Albina, filha de António Rosa da Casa Velha2; em casa viu-a à borda do alçapão do sótão, não dizendo nada; estava a mãe e irmãos a dormir e era de noite; na Cova da Iria viu-a em pé em cima duma carrasqueira3; vinha vestida com meias brancas e fato todo dourado; não trazia sapatos; a saia era branca e toda dourada e dava-lhe pelos joelhos; o dourado era aos cordões a atravessar e nos cordões aos biquinhos; casaco branco todo dourado; um manto pela cabeça era branco e todo dourado; as mãos erguidas à cintura e abriam, separando-as quando falava à Lúcia; não lhe ouviu dizer nada, ouviu falar (ora diz que sim, ora diz que não), não ouviu dizer quantas vezes cá vinha; à saída abria-se o céu e ficavam os pés entalados e o corpo já escondido; ouviu uma fala muito piedosa e só se lembra de ouvir que a gente (elas) ia para o céu; diz ter visto relâmpago mas ora diz ser uma vez ora mais duma, ora antes, ora depois; trazia umas contas brancas nas mãos, seguras entre o dedo polegar e indicador das duas mãos; não viu brincos; trazia um cordão de ouro delgado ao pescoço.

Notas dos editores (2)

2 Nasceu a 3 de dezembro de 1901. Era filha de António Ferreira Rosa, de Aljustrel, irmão de José Ferreira Rosa (primeiro marido de Olímpia de Jesus, mãe de Francisco e Jacinta) e de Maria Rosa (mãe de Lúcia).

3 A carrasqueira, tantas vezes referida, é uma azinheira nova, de pequeno porte. Azinheira: Quercus rotundifolia, Lam., árvore da família das fagáceas, de copa ampla arredondada e densa, de folhas persistentes, muito coriáceas, pequenas, dentado-espinhosas no estado juvenil, com cinco a oito pares de nervuras. Ao fruto se dá popularmente o nome de “azinha”, “boleta” ou “bolota”.

DCF Seleção, Doc. 3 (= DCF I, Doc. 3) · interrogatório · 14 jul. 1917 (2 meses depois)DigitalizaçãoLigação
13 mai.13 jun.13 jul.13 ago.13 set.Testemunho diretoViuInterrogatórioFiguras / visõesPalavras dos videntes

Concluido o interrogatorio do Francisco, chamei de parte a Jacinta, que andava a brincar na rua com outras creanças, fi-la sentar num banquinho ao pé de mim e submeti-a também a um interrogatorio logrando obter della respostas completas e minuciosas como as do irmão.

– Tens visto Nossa Senhora no dia treze de cada mez desde Maio para cá?

– Tenho visto.

– Donde é que ella vem?

– Vem do Ceu, do lado do sol.

– Como está vestida?

– Tem um vestido branco, enfeitado a ouro, e na cabeça um manto tambem branco.

– De que côr são os cabelos?

– Não se lhe vêem os cabelos, que estão cobertos com o manto.

– Traz brincos nas orelhas?

– Não sei, porque tambem não se lhe vêem as orelhas

– Qual é a posição das mãos?

– As mãos estão postas á altura do peito, com os dedos voltados para cima.

– As contas estão na mão direita ou na esquerda?

A esta pergunta a creança responde primeiro que estavam na mão direita, mas em seguida, devido a uma insistencia propositada e capciosa da minha parte, mostra-se perplexa e confusa, não sabendo precisar bem qual das suas mãos correspondia á mão que a Apparição segurava o rosario.

– O que foi que Nossa Senhora recommendou á Lucia com mais empenho?

– Mandou que rezassemos o terço todos os dias.

– E tu reza-lo?

– Rezo-o todos os dias com o Francisco e com a Lucia.

DCF III-2, Doc. 414 · notícia de imprensa · 27 set. 1917 (5 meses depois) · também publicado em DCF Seleção, Anexo (Os episódios maravilhosos de Fátima, 1921)Digitalizações (2)Ligação
13 mai.13 jun.13 jul.13 ago.13 set.Testemunho diretoViuInterrogatórioFiguras / visõesPalavras dos videntes

Tens visto Nossa Senhora no dia 13 de cada mês desde maio para cá?

– Tenho visto.

– Donde é que ela vem?

– Vem do Céu, do lado do sol.

– Como está vestida?

– Tem um vestido branco, enfeitado a ouro, e na cabeça tem um manto, também branco. Em volta da cintura há uma fita doirada que desce até à orla do vestido.

– Usa botas ou sapatos?

– Não usa botas nem sapatos.

– Então tem só meias?

– Parece que tem meias, mas talvez os pés sejam tão brancos que pareçam trazer meias calçadas.

– De que cor são os cabelos?

– Não se lhe veem os cabelos, que estão cobertos com o manto.

– Traz brincos nas orelhas?

– Não sei, porque não se lhe veem também as orelhas.

– Qual é a posição das mãos?

– As mãos estão postas sobre o peito, com os dedos voltados para cima.

– As contas estão na mão direita ou na mão esquerda?

– .....

A esta pergunta a criança responde primeiro que estavam na mão direita, mas em seguida, devido a insistência da minha parte, mostra-se perplexa e confusa, não sabendo precisar bem qual das suas mãos correspondia à mão com que a Senhora segurava o Rosário.

- O que é que a Senhora recomendou à Lúcia com mais empenho?
- Mandou que rezássemos o terço todos os dias.
- E tu reza-lo?
- Rezo-o todos os dias com o Francisco e a Lúcia.

DCF Seleção, Doc. 10 (= DCF I, Doc. 7) · interrogatório · 27 set. 1917 (5 meses depois)Digitalizações (2)Ligação
13 mai.13 jun.13 set.Testemunho diretoViuInterrogatórioFiguras / visõesPalavras dos videntes

A Senhora recomendou que rezassem o terço?
– Recomendou.

2a – Quando?
– Quando apareceu pela primeira vez.
3a – Ouviste também o segredo ou foi só a Lúcia que o ouviu?
– Eu também ouvi.
4a – Quando o ouviste?
– Da segunda vez, no dia de Santo António.
5a – Esse segredo é para serem ricos?
– Não é.
6a – É para serem bons e felizes?
– É. É para bem de todos três.
7a – É para irem para o Céu?
– Não é.
8a – Não podes revelar o segredo?
– Não posso.
9a – Porquê?
– Porque a Senhora disse que não disséssemos o segredo a ninguém.
10a – Se o povo soubesse o segredo, ficava triste?
– Ficava.
11a – Como tinha a Senhora as mãos?
– Tinha-as erguidas.
12a – Sempre erguidas?
– Às vezes volta as palmas para o céu.
13a – A Senhora disse em maio que queria que fossem à Cova da Iria mais vezes?
– Disse que queria que fôssemos lá durante seis meses, de mês a mês, até que em outubro dissesse o que queria.
14a – Ela tem na cabeça algum resplendor?
– Tem.
15a – Podes olhar bem para o rosto?
– Não posso, porque faz mal aos olhos.
16a – Ouviste sempre bem o que a Senhora disse?
– Da última vez não ouvi tudo por causa do barulho que o povo fazia.

DCF Seleção, Doc. 11 (= DCF I, Doc. 12) · interrogatório · 11 out. 1917 (5 meses depois)Digitalizações (2)Ligação
13 mai.13 out.Testemunho diretoViuInterrogatórioFiguras / visõesPalavras dos videntes

2 - O que faziam quando viram a Senhora?

3 - É verdade o menino correr a Imagem à pedra?

4 - Como apareceu a Imagem?

5 - Que vestidos trazia e o que disse?

2º - Era meio dia e guardavam as ovelhas quando viram uma Senhora vestida de branco, de mãos postas com umas contas brancas enfiadas no braço. O rosto era branco, não tem com quem possa comparar; somente na altura diz que era igual a Virgínia3 – (A rapariga tem 12 anos) 1 m e 10; que lhes aparecera em cima da azinheira.

Que o irmão que atirara com uma pedra às ovelhas e passara junto dela.

6 - Ouviram todos?

6 - Ouve. Que dissera que fossem lá 6 vezes até fazer 6 meses e que depois diria o que queria e desaparecera.

7 - Tinham ido à missa no domingo anterior? E onde?
7 - Vai todos os domingos à missa; no dia da aparição era de semana e não tinha ido à missa.
8 - Onde costumam ir à missa?
8 - Vai à missa à Fátima
9 - Que veste a Imagem da capela onde costumam ir à missa?
9 - Que sabe que na igreja existe a Senhora do Rosário mas não tem contas, nem tem um vestido branco.
10 - Tinham ouvido algum sermão sobre Nossa Senhora de Lourdes ou prática?
10 - Não sabe.
11 - Costumavam ir muitas vezes à missa mesmo de semana?
11 - Vai à missa só ao domingo; porque a mãe não a deixa.
12 - O que fizeram depois de verem a Senhora?
12 - Só à noite vieram para casa e disseram que tinham visto a Senhora do Céu, pois assim ela se chamara.
13 - Que fatos trazia ela da 1ª vez e das outras vezes?
13 - Sempre o mesmo vestido.
14 - Disse porque vinha no dia 13?
[...]
15 - Viram sempre as manchas no sol?
15 - Só na última vez é que viram no sol o Menino Jesus e São José e Nossa Senhora. Mas a Lúcia viu melhor.
16 - Como estava ela na Azinheira? Ria-se ou estava triste?
16 - Estava séria.
17 - De que cor era o vestido e como trazia os braços?
17 - Vestido todo branco, em baixo apertado, mãos erguidas.
18 - Tiveram medo quando viram a Senhora?
18 - Teve medo da 1ª vez; ela disse que não tivesse medo, que não fazia mal.
19 - A quem disseram que a tinham visto?
19 - Disse ao pai e irmão que tinha visto a Senhora.
20 - Quando falaram com qualquer padre sobre o assunto?
20 - Não disse.
21 - O que lhes disse este?
21 - Não se lembra.

Notas dos editores (3)

1 Nasceu em Monte Real, a 23 de abril de 1881. Foi pároco de Alvorge, Vieira de Leiria e Milagres. A 2 de maio de 1917, partiu para França, como capelão militar voluntário do Corpo Expedicionário Português, regressando a 25 de setembro do mesmo ano. Fundou o semanário “O Mensageiro”, sendo seu diretor, até à sua morte, a 20 de setembro de 1971.

2 “De duas camas” é uma expressão popular usada para designar dois matrimónios. Do segundo matrimónio com Manuel Pedro Marto, Olímpia de Jesus teve sete filhos (José, Teresa (f. 1902), Florinda, Teresa, João, Francisco e Jacinta). Como a segunda filha, Teresa, já tinha morrido, Jacinta tinha, em 1917 cinco irmãos e dois meios irmãos, estes do primeiro casamento de Olímpia de Jesus com José Ferreira Rosa.

3 Virgínia de Jesus, filha de António da Silva e Teresa de Jesus e prima materna de Lúcia, nascida a 11 de maio de 1904.

DCF Seleção, Doc. 15 (= DCF I, Doc. 46) · interrogatório · 19 out. 1917 (5 meses depois)Digitalizações (2)Ligação
13 mai.13 jun.Testemunho diretoViuInterrogatórioPalavras dos videntesA multidão

33 - A Senhora disse a que horas vinha e os dias?

33 - Que vinha ao meio dia.

34 - Da 2ª vez foi gente assistir? O que viram?

34 - Foram umas 50 pessoas.

35 - Da 2ª

Da 3ª

Da 4ª

Da 5ª

[...]

36 - O que queria a Senhora? Disse a que vinha?

36 - Nunca ouviu dizer à Senhora a que vinha. A Senhora falava devagar.

DCF Seleção, Doc. 15 (= DCF I, Doc. 46) · interrogatório · 19 out. 1917 (5 meses depois)Digitalizações (2)Ligação
13 mai.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Beatriz Gorjão (carta copiada textualmente por Anita)

Perguntamos-lhe como era e como estava vestida N. Senhora: e a pequena sem a mais pequena exitação e querendo explicar ao vivo, põe-se em pé e diz que N. Senhora era da sua altura; aperta um pouco a saia em baixo para explicar que N. Senhora trazia o vestido um pouco mais estreito em baixo, depois com grandes esforços tenta chegar a saita d'ella aos pés mostrando que o vestido era comprido.

Explica depois que N. Senhora não trazia veu, mas um manto que lhe cahia da cabeça até, segundo o gesto da pequenita, a 3 ou 4 dedos acima da tunica; estava toda de branco (sem a facha azul) as mãos erguidas a pequena para melhor explicar, tirou-me o terço das mãos enfiando-o na mãozita d'ella entre o dedo pulgar, levantou as mãos imitando o gesto de N. Senhora de Lourdes e separando-as um pouco enseguida disse: quando fallava ficava assim: Tinha na cabeça uma coisa de muitas côres. A mesma explicação nos deu a mais velha e o pequenito que depois encontramos. Uma mulherzita perguntou-lhe se em tantas senhoras que viu no dia 13 e entre tantas que a teem visitado, encontrou alguma tão bonita como a senhora do Ceu, a pequena disse que tão bonita nunca viu nenhuma, e o pequeno a quem depois perguntamos o mesmo disse: que tão bonita não havia nenhuma no mundo. Pedimos que nos contasse como tinha sido a primeira apparição: A pequenita explicou que andavam a guardar as ovelhas que pertencem à familia da Lucia (a outra vidente) na terra do Tio Abobera de repente viram um relampago e tiveram medo, muito mêdo, quando estavam de joelhos a rezar, viram a Senhora na Azinheira e logo outro relampago, o rebanho foi para os chicharros11 e a dona d'elles gritava de longe — “volta-me essas ovelhas” — mas a senhora disse: (a pequena tentou tornar a vóz mais doce) “não voltem as ovelhas que ellas não comem nada.

Então a Lucia perguntou: “Quem é Vocemecê?” — “Eu sou a Mãe do Céu” — “O que quer à gente?” - “Que aqui vanham n'este dia durante 6 mezes, no fim dos 6 mezes direi o que quero. Rezem o terço.” —

Depois appareceu o dono dos chicharros, que a mulher foi chamar, vinha ralhar porque é muito mau, mas não ralhou nada porque viu que os chicharos não estavam comidos.

Notas dos editores (1)

11 chicharros, sublinhado no texto. O termo exacto é chícharos, planta leguminosa.

DCF III-1, Doc. 197 · carta · out. 1917 (5 meses depois)Digitalizações (4)Ligação
13 mai.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visões
Transmitido por: Olímpia de Jesus (mãe dos irmãos Marto), segundo Beatriz Gorjão

Contou-nos mais, que os pequenos um dia lhe entraram em casa dizendo que tinham visto a Senhora do Ceu; respondendo ella que elles estavam a sonhar e que não eram dignos d’isso a pequena insistindo, fez à Mãe a discripção do que tinha visto, e contou o que já nos tinha dito no caminho!

DCF III-1, Doc. 197 · carta · out. 1917 (5 meses depois)Digitalizações (2)Ligação
13 mai.Outros de 1917Testemunho diretoViuInterrogatórioPalavras dos videntes

O que foi que disse a Senhora da primeira vez que apareceu, no mês de maio?

– A Lúcia perguntou o que lhe queria e ela disse que fôssemos lá de mês a mês até fazer seis meses e que no último mês diria o que queria.

2a – A Lúcia fez-lhe mais alguma pergunta?

– Perguntou se ela ia para o Céu e a Senhora disse que sim. Perguntou depois se eu ia para o Céu e ela disse que sim. Depois perguntou se o Francisco ia para o Céu e ela disse que sim, mas que havia de rezar as contas.

3a – A Senhora disse mais alguma coisa?

– Não me lembro que tivesse dito mais nada nesse dia. Foi dessa vez que o gado foi para os chícharos.

DCF Seleção, Doc. 22 (= DCF I, Doc. 17) · interrogatório · 2 nov. 1917 (6 meses depois)Digitalizações (2)Ligação
13 mai.13 jun.13 jul.13 ago.13 set.13 out.Outros de 1917Testemunho diretoViuInterrogatórioFiguras / visõesPalavras dos videntes

Por várias vezes interroguei a vidente Jacinta que sempre me confirmou que viu uma Senhora na Cova da Iria, nos dias treze de maio a outubro de mil novecentos e dezassete, menos no dia treze de agosto em que se achava em casa do administrador do concelho, mas que nesse mês A viu no domingo seguinte – dia dezanove – no sítio chamado Valinho, onde foi chamada por seu irmão João, a pedido da Lúcia.

Disse que viu uma Senhora muito bonita, toda vestida de branco, com fato dourado aos cordõezinhos, com um véu ou manto pela cabeça, do tamanho de F. – indica uma rapariga de regular estatura e dos seus catorze anos – e que trazia umas contas muito branquinhas penduradas nas mãos e seguras entre os dedos indicador e polegar de ambas as mãos, que tinha erguidas à cintura, e que separava uma da outra, pouco mais ou menos à largura dos ombros, quando falava à Lúcia.

Quando Ela falava para a Lúcia, que ouvia uma voz muito piedosa, mas que não se lembra de ouvir dizer, senão que a gente – elas videntes – ia para o Céu. Pelas várias vezes que a interroguei nunca se contradisse no essencial, havendo todavia coisas acidentais, algumas contradições, verdadeiras ou aparentes. Em uma ocasião – dia 21 de agosto – dirigi-me a casa dos pais dela acompanhado de cinco senhoras – D. Maria de Jesus Raposo, de Torres Novas, e outras da Quinta da Cardiga – uma das quais, dos seus quinze anos de idade, ia vestida de branco. Ao chegar a casa dos pais chamei... Veio a Jacinta, que estava só, e que ao ver as inesperadas visitas, ficou embaraçada, como é próprio duma criança do povo e de quem poucos dias antes tinha sido restituída aos pais do rapto que lhe haviam feito. Depois de algumas palavras de animação, disse-lhe eu:

– Olha, Jacinta, vê se foi alguma destas senhoras que viste na Cova da Iria, ou se aqui está alguma parecida com A que lá viste.

Ela levanta os olhozitos, percorre-as todas com a vista, dos pés à cabeça, e diz:

– Não foi nenhuma destas... a outra é muito mais bonita.

Faço-lhe notar a que vinha vestida de branco, dizendo-lhe:

– Então não foi esta Senhora, vestida de branco, tão bonita que tu lá viste em cima?!

Esta Senhora, respondeu ela, é muito bonita, mas A que eu lá vi é muito mais bonita.

Dirigimo-nos a casa dos pais da Lúcia e ao encontrar esta, fiz-lhe a mesma pergunta obtendo idêntica resposta. A respeito do segredo também não consegui que me o revelasse; apenas disse que ele – segredo – não era mau para elas, videntes. Disse mais, que a Senhora lhe apareceu mais três vezes: uma no dia da Ascensão do Senhor na Igreja durante a missa e que lhe ensinou a rezar as contas; outra vez, à noite, sobre o alçapão do sótão estando a família a dormir; e mais uma, debaixo (ou salvo erro em cima) duma mesa, sem nada lhe dizer, até que ela, Jacinta, disse para a mãe: Olhe... não vê a Senhora, que lá vi em cima, ali debaixo?!... Olhe!!! Como a própria mãe me declarou.

13 de junho de 1917 4 relatos

13 jun.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Manuel Pedro Marto (pai de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

Em junho a Jacinta pediu à Mãe que não fosse à feira dos treze nas Pedreiras, a uma légua de Porto de Mós, para poder ir ver Nossa Senhora. A Mãe ao ouvir este pedido, disse-lhe: “Ah! tu não vais lá, Nossa Senhora não te aparece”. Ao que a pequena retorquiu: – “Aparece sim, Nossa Senhora disse que aparecia e por isso aparece.” A Mãe replicou: “Então não vais à festa de Santo António?” “Não, confirmou a pequena, Nossa Senhora é mais bonita que Santo António”.

13 jun.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Olímpia de Jesus (mãe de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

No dia 13 de junho, Olímpia de Jesus e seu marido foram para uma feira, apesar de a Jacinta ter dito na véspera à noite: “Minha Mãe, não vá amanhã à feira, vá à Cova da Iria, vem lá Nossa Senhora”. E a Mãe não queria acreditar e disse à filha: “Tu queres ir para Santo António, não queres ir para a Cova da Iria!” Como que a dar a entender que era um pretexto para ir à festa. Ela respondeu: “O Santo António não é bonito”. “Porquê?”, interrogou a mãe. “Porque Nossa Senhora é mais bonita”, concluiu a filha. “Eu vou à Cova da Iria mais a Lúcia e o Francisco e se Nossa Senhora disser que vamos ao Santo António então vamos”.

13 jun.Testemunho diretoViuInterrogatórioPalavras dos videntes

Que disse a Senhora da segunda vez, em junho?

– A Lúcia disse: O que me quer? A senhora respondeu: quero que aprendam a ler.

5a – A Lúcia fez mais alguma pergunta?

– Pediu pelos doentes e pecadores e a Senhora disse que melhorava uns e os convertia, outros não.

6a – A Senhora disse mais alguma coisa?

– Naquele dia não disse mais nada.

DCF Seleção, Doc. 22 (= DCF I, Doc. 17) · interrogatório · 2 nov. 1917 (5 meses depois)DigitalizaçãoLigação

13 de julho de 1917 6 relatos

13 jul.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Manuel Pedro Marto (pai de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

O pai pegou na Jacinta ao colo para atravessar mais facilmente por entre a multidão. Ela disse ter visto outra vez Nossa Senhora. Passados dias, a filha mais velha, Florinda, disse que a Jacinta tinha dito para a Lúcia: “Fala-lhe, Lúcia, que ela já está a falar”.

13 jul.13 out.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Beatriz Gorjão (carta copiada textualmente por Anita)

A pequena falla depois do fim da guerra e do fim do mundo caso não houvesse fé (não te assustes ainda ha muita). São estes dois pontos que eu acho duvidoso[s]; fallaria realmente N. Senhora no fim da guerra e do mundo, ou estariam as creanças confundidas com tantas perguntas que lhes têem feito? — N. Senhora disse-lhes um segredo. As mães, coitadas como ignorantes que são, têem feito todo o possivel para o saber. Segundo dizem, o administrador já prometteu 20.000rs se lh'o dissessem, mas não ha meio de lhes arrancar o segredo. Ao pequeno ouvi dizer que nem que lhe dessem o mundo inteiro o diriam. Quando lhes perguntam se é mau, dizem que é bom para todos. — N. Senhora no ultimo dia disse mais ser a Virgem do Rosario, e querendo o povo lhe eregisse alli uma capella — Mas isto está bem longe de ser a parte mais importante; calcula a nossa imperssão quando a pequenita continuando a conversar nos diz que no ultimo dia (13 Outubro) lhe appareceu S. José e o Menino Jesus!! Tratava-se portanto da Sagrada Familia. A nossa primeira impressão foi de duvida e de susto, iria cahir tudo pela base?! Mas umas vizinhas que alli estavam, disseram-nos que as 3 creanças já por vezes tinham fallado em S. José e no Menino Jesus. — A pequenita então explicou que S. José tinha vindo dar a paz ao mundo, e com a mão repetiu muitas vezes o signal da cruz, imitando o gesto dos Bispos quando vão andando e abençoando os fieis. Disse-nos que o Menino Jesus e S. José eram eguaes a uns santinhos que tinha em casa.

[…]

a pequenita diz que tinha em casa uns quadros, mas nem para elles olhou: foi a uma caixa e tirou um grupo da Sagrada familia dizendo: “vêem?” S. José e o Menino Jesus estavam como estão aqui: mas aqui S. José está com os olhos fechados, e lá estávam com os olhos abertos. — Querendo nós ver se ella se atrapalhava, dissemos-lhe que uma vez que o S. José e o Menino estavam como alli estão, N. Senhora no ultimo dia tambem devia estar como aquella de veu e manto de côres; perguntamos isto varias vezes, respondendo ella sempre que N. Senhora não estava como aquella, mas sim de branco e com o terço. Dissemos mais que sendo a Sagrada familia devia estar toda junta, ao que ella respondia sempre que não. N. Senhora estava na azinheira, e S. José e o Menino Jesus, perto do Sol. — A mesma esperiencia fizemos com o pequeno respondendo sempre como a irmã. — É portanto fóra de duvida que se póde confirmar as 6 apparições de N. Senhora, sem se confirmar a da S. Familia. A pequena mais velha antes de partir para Ourem tambem nos fallou de S. José e do Menino Jesus.

DCF III-1, Doc. 197 · carta · out. 1917 (3 meses depois)Digitalizações (4)Ligação
13 jul.13 out.Testemunho diretoViuInterrogatórioFiguras / visões

De que lado estava o Menino Jesus quando o viste no dia treze de outubro ao pé do sol?

– O Menino Jesus estava no meio, ao lado direito de S. José, ficando Nossa Senhora do lado direito do sol.

2ª – A senhora que viste ao lado do sol era diferente da que viste sobre a carrasqueira?

– A Senhora que estava ao pé do sol tinha fato branco e manto azul, a que eu vi ao pé da carrasqueira tinha o fato e o manto brancos.

3ª – De que cor eram os pés da Senhora que apareceu na carrasqueira?

– Os pés da Senhora eram brancos, cuido que ela trazia meias.

4ª – De que cor era o fato de S. José e o do Menino?

– O de S. José era encarnado, e o do Menino parece-me que era também encarnado.

5ª – Quando foi que a Senhora revelou o segredo?

– Cuido que foi em julho.

DCF Seleção, Doc. 22 (= DCF I, Doc. 17) · interrogatório · 2 nov. 1917 (4 meses depois)DigitalizaçãoLigação
13 jul.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntes
Transmitido por: Olímpia de Jesus (mãe de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

Quando a Jacinta começou a dizer que sabia um segredo comunicado por Nossa Senhora, começou a ser chamada a várias partes, mesmo fora da freguesia. Segundo afirmava a pequena, o Francisco não ouviu o segredo e fora a Lúcia que lhe dissera da parte de Nossa Senhora.

13 jul.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntes
Transmitido por: Olímpia de Jesus (mãe de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

Uma vez foram a casa deles umas senhoras muito ricas e ofereceram à Jacinta várias jóias que traziam para ela lhes dizer o segredo. A Jacinta disse que por coisa nenhuma o diria, nem que lhe dessem o mundo inteiro. Mesmo durante a última doença a mãe lhe dizia: “Eu desprezo-te e não quero saber de ti se não me disseres o segredo”. E a filha replicava que não o podia dizer. “Ao menos hás de me dizer se é bom ou mau”, insistia a mãe. Ela respondia que era bom para quem quisesse acreditar. “Acreditar no quê?”, perguntava a mãe. “Em Deus”, concluía a filha. E acrescentava que era mau para quem não quisesse acreditar.

13 jul.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntesFiguras / visões
Transmitido por: José Alves, da Moita (transmitindo o que lhe disse a mulher), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

A mulher disse um dia à Jacinta, na sua ausência, tendo-lhe contado depois: “Ó Jacinta diz-me o segredo que eu dou-te o meu cordão”. O Francisco não estava presente; se estava era a Lúcia. O Francisco nunca ficou em sua casa e foi lá só uma vez ou duas. A Jacinta disse: “se você me dá aquele santinho, eu digo-lhe”. A mulher retorquiu-lhe: “Eu não te posso dar, que ele não é meu, é da minha sobrinha”. A sobrinha disse: “Ó Jacinta mas diz-me o segredo, que eu dou-te”. Ao que ela respondeu: “Nem que vossemecê me desse o mundo inteiro”. Uma vez estando a mulher em sua casa a fazer perguntas à Lúcia, a Jacinta meteu-se na conversa e disse: “Nossa Senhora vinha dali (e apontou para o nascente) e foi para ali (e apontou para a direção da Cova da Iria).

13 de agosto de 1917 2 relatos

13 ago.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoa 2 kmFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Manuel Pedro Marto (pai de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

Chegaram a mulher e a Jacinta e ele perguntou à filha o que havia, tendo ela dito que Nossa Senhora tinha aparecido; que quem ia com o gado eram o João, a Lúcia e o Francisco, que o João chamou-a e que, logo que ela lá chegou apareceu Nossa Senhora, e que haviam de aparecer Nossa Senhora das Dores, (segundo lhe parece), Nossa Senhora do Rosário, S. José e o Menino Jesus.

DCF Seleção, Doc. 80 (= DCF II, Doc. 4) · depoimento · 19 ago. 1917 (6 dias depois)DigitalizaçãoLigação
13 ago.Testemunho diretoViuInterrogatórioa 2 kmPalavras dos videntes

O que disse a Senhora em agosto?

– Em agosto não fomos lá.

8a – Queres dizer o que foi que a Senhora disse no domingo seguinte nos Valinhos?

– A Lúcia perguntou à Senhora se trazia o meu Manuel8 (um irmão da Jacinta que está servindo no exército em Cabo Verde) e ela disse que trazia cá todos.

9a – Que mais disse a Senhora?

– Disse que, se não abalássemos para Ourém, viria S. José e o Menino dar a paz ao mundo e Nossa Senhora do Rosário com dois anjinhos, um de cada lado.

10a – Que mais disse?

– Disse que fizéssemos dois andores e que os levássemos à festa da Senhora do Rosário, que eu, a Lúcia e mais duas meninas vestidas de branco levássemos um e o Francisco com três rapazes levasse o outro.

11a – Disse mais alguma coisa?

– Não disse nada.

Notas dos editores (1)

8 Manuel dos Santos Rosa, filho de José Ferreira da Rosa e de Olímpia de Jesus, nasceu a 10 de maio de 1895. Casou com Josefina de Jesus, a 3 de novembro de 1922. Faleceu a 6 de fevereiro de 1976

DCF Seleção, Doc. 22 (= DCF I, Doc. 17) · interrogatório · 2 nov. 1917 (3 meses depois)DigitalizaçãoLigação

13 de outubro de 1917 10 relatos

13 out.Testemunho diretoViuInterrogatórioFiguras / visõesPalavras dos videntes

É então que a Jacintha exclama: “Já se vae embora a minha mãe do Ceu, olha onde vae ella!” Por sua vez diz o pequeno: “Já a não vejo!” Tornou-lhe a Jacintha: “Esta mesmo á endireitura do

DCF III-1, Doc. 294 · depoimento · 13 out. 1917DigitalizaçãoLigação
13 out.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Olímpia de Jesus (mãe de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

A Jacinta, como a mãe ouviu, depois de dizerem que Nossa Senhora já tinha aparecido, acotovelou a Lúcia e disse-lhe: “Fala-lhe Lúcia, que Nossa Senhora já lá está”.

[…]

Já em casa a Jacinta disse à mãe: “Ó minha mãe, eu vi-a entrar no Céu”, e acrescentou que se lhe representara quando a viu entrar no Céu, que os pés se lhe entalavam.

13 out.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visões
Transmitido por: Maria de Jesus d'Oriol Pena Raposo

N.S.a appareceu sempre séria, sem sorrir e as duas pequenas em separado, fizeram a descripção d'esta visão, perfeitamente da mesma forma: N. S.a com o rosario branco, á esquerda S. José e o menino Jesus entre os dois.

DCF III-1, Doc. 105 · carta · 17 out. 1917 (4 dias depois)Digitalizações (2)Ligação
13 out.Testemunho indiretoViuCartaPalavras dos videntes
Transmitido por: Teresa de Melo Breyner (Condessa de Vila Real), resumindo uma carta de Maria de Jesus Raposo

E a mais pequena, que tem seis annos, mesmo separada da outra, disse exactamente a mesma cousa, sem se desdizer n'um só ponto.

DCF III-1, Doc. 107 · carta · 17 out. 1917 (4 dias depois)Digitalizações (2)Ligação
13 out.Testemunho diretoViuInterrogatórioPalavras dos videntesFiguras / visões

Da última vez - A Lúcia perguntou o que ela queria e Ela disse - Que acabava a guerra no dia 13 - Quando chegasse ao Céu.

– Que o povo se não quisesse emendar acabava o mundo; se não se quisesse emendar acabava a guerra.

Não ouviu mais. A Senhora estava triste quando dizia isto.

DCF Seleção, Doc. 15 (= DCF I, Doc. 46) · interrogatório · 19 out. 1917 (6 dias depois)DigitalizaçãoLigação
13 out.Testemunho diretoViuInterrogatórioFiguras / visõesSol a girarSol a mudar de corPalavras dos videntes

No dia treze do corrente viste ao pé do sol Nosso Senhor, a Senhora das Dores e a Senhora do Carmo?

– Não vi.

2a – Mas a onze deste mês disseste-me que deviam aparecer.

– Disse. A Lúcia é que viu outra Senhora, eu não.

3a – Viste S. José?

– Vi. A Lúcia disse que S. José estava dando a paz.

4a – Olhaste para o sol?

– Olhei.

5a – E o que é que viste?

– Vi o sol encarnado, verde e de outras cores e vi que andava à roda.

6a – Ouviste a Lúcia a avisar o povo para que olhasse para o sol?

– Ouvi. Ela disse numa voz muito alta que olhassem para o sol. O sol já andava à roda.

7a – Foi a Senhora que a mandou avisar o povo?

– A Senhora não disse anda.

8a – O que disse a Senhora desta última vez?

– Disse: Venho aqui para te dizer que não ofendam mais a Nosso Senhor, que estava muito ofendido, que se o povo se emendasse acabava a guerra, se não se emendasse acabava o mundo. A Lúcia ouviu melhor do que eu o que a Senhora disse.

9a – Disse que a guerra acabava nesse dia ou que acabava brevemente?

– Nossa Senhora disse que quando chegasse ao Céu acabava a guerra.

10a – Mas a guerra ainda não acabou!...

– Acaba, acaba.

11a – Mas então quando acaba?

– Cuido que acaba no Domingo.

DCF Seleção, Doc. 18 (= DCF I, Doc. 16) · interrogatório · 19 out. 1917 (6 dias depois)Digitalizações (2)Ligação
13 out.Testemunho diretoViuInterrogatórioPalavras dos videntes

Que disse a Senhora em outubro?

– A Lúcia disse: “Que me quer”? A Senhora respondeu: “não ofendam mais a Nosso Senhor que estava muito ofendido”. Disse que perdoava [sic] os nossos pecados, querendo ir para o Céu. Disse também que rezasse a gente o terço. Disse que esperassem cá os militares muito breve e que acabava a guerra naquele dia. Disse que fizesse a gente lá uma capela e não sei se disse “à Senhora do Rosário” ou que “ela era a Senhora do Rosário”.

DCF Seleção, Doc. 22 (= DCF I, Doc. 17) · interrogatório · 2 nov. 1917 (3 semanas depois)DigitalizaçãoLigação
13 out.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntes
Transmitido por: Pe. Francisco Brás das Neves, coadjutor da Freixianda, por intermédio de Lúcia

Outrossim declara: que, encontrando-se de novo com ela, Lúcia, no dia oito do corrente mês de dezembro, e sendo-lhe feita a observação de que a guerra não tinha acabado no dia designado nem tão pouco até àquela data, pela mesma foi respondido que talvez se tivesse enganado, pois que a sua companheira Jacinta dissera que Nossa Senhora havia dito por sua vez que a guerra acabaria, sim, mas se o povo se emendasse.

DCF Seleção, Doc. 30 (= DCF I, Doc. 26) · depoimento · 8 dez. 1917 (8 semanas depois)DigitalizaçãoLigação
13 out.Testemunho indiretoViuNotícia de imprensaPalavras dos videntes
Transmitido por: Dr. Gonçalo Xavier de Almeida Garrett

Logo depois d'esta aparição, a creança Jacintha declarou a muitas pessoas que a Virgem do Rosario lhe disséra, ácerca da guerra europeia, o seguinte:

– A guerra acabou hoje.

DCF III-2, Doc. 413 · notícia de imprensa · 27 set. 1919 (24 meses depois)Digitalizações (2)Ligação
13 out.Testemunho indiretoViuInterrogatórioPalavras dos videntes
Transmitido por: Lúcia de Jesus (interrogatório de 8 de julho de 1924, citado numa nota dos editores)

a minha prima Jacinta disse-me em casa que a Senhora falou assim: convertam-se que a guerra acaba dentro de um ano"

DCF III-2, Doc. 387 · notícia de imprensa · 8 jul. 1924 (7 anos depois)Digitalizações (2)Ligação
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