O Francisco interrogado igualmente mais uma vez pela Mãe, disse que também tinha visto a Senhora, que a princípio a não vira e que a Senhora tinha dito que havia de aparecer seis meses a seguir.
Francisco Marto
Francisco Marto, nascido a 11 de junho de 1908 (com 9 anos em outubro de 1917), um dos três videntes, irmão de Jacinta e primo de Lúcia; morreu a 4 de abril de 1919.
Ver também: Francisco e Jacinta Marto (2 relatos, em conjunto) · Lúcia, Francisco e Jacinta (33 relatos, em conjunto) · Jacinta Marto (34 relatos) · Lúcia de Jesus (119 relatos)
13 de maio de 1917 11 relatos
Principiei sem demora a interrogá-lo sobre o que tinha visto e ouvido desde o mez de Maio ultimo na Cova da Iria no dia treze de cada mez durante o tempo da apparição.
Entre mim e elle estabeleceu-se o curto dialogo que se segue:
- Que é que tens visto na Cova da Iria nos ultimos mezes?
- Tenho visto Nossa Senhora.
- Onde é que ella apparece?
- Em cima de uma carrasqueira.
- Apparece de repente ou tu vê-la vir de alguma parte?
- Vejo-a vir do lado onde nasce o sol e collocar-se sobre a carrasqueira.
- Vem devagar ou depressa?
- Vem sempre depressa.
- Ouves o que ella diz á Lucia?
- Não ouço.
- Fallaste alguma vez com a Senhora? Ella já te dirigiu a palavra?
- Não, nunca lhe perguntei nada; falla só com a Lucia.
- Para quem olha, tambem para ti e para a Jacinta ou só para a Lucia?
- Olha para todos tres; mas olha durante mais tempo para a Lucia.
- Já alguma vez chorou ou se sorriu?
- Nem uma cousa nem outra; está sempre séria.
- Como está vestida?
- Tem um vestido comprido e por cima um manto que lhe cobre a cabeça e desce até á extremidade do vestido.
- Qual é a côr do vestido e do manto?
- É branca, tendo o vestido riscos dourados.
- Qual é a attitude da Senhora?
– É a de quem está a rezar. Tem as mãos postas á altura do peito.
– Traz alguma coisa nas mãos?
– Traz entre a palma e as costas da mão direita umas contas que estão pendentes sobre o vestido.
– E nas orelhas o que tem?
– As orelhas não se vêem, porque estão cobertas com o manto.
– De que côr são as contas?
– São tambem brancas.
– A Senhora é bonita?
– É, sim.
– Mais bonita que aquella menina que tu alli vês?
– Mais.
– Mas ha senhoras muito mais bonitas que aquella menina...
– É mais bonita que qualquer pessoa que eu visse.
Que é que tens visto na Cova da Iria nos últimos meses?
- Tenho visto Nossa Senhora.
- Onde aparece ela?
- Em cima duma carrasqueira
- Aparece de repente ou tu vê-la vir de alguma parte?
– Vejo-a vir do lado onde nasce o sol e colocar-se sobre a carrasqueira.
– Vem devagar ou depressa?
– Vem sempre depressa.
– Ouves o que ela diz à Lúcia?
– Não ouço.
– Falaste alguma vez com a Senhora? Ela já te dirigiu a palavra?
– Não, nunca lhe perguntei nada; fala só com a Lúcia.
– Para quem olha ela, também para ti e para a Jacinta, ou só para a Lúcia?
– Olha para todos três; mas olha durante mais tempo para a Lúcia.
Notas dos editores (1)
3 Nasceu em Aljustrel a 31 de maio de 1869. Casou com José Ferreira da Rosa, a 6 de fevereiro de 1888, ficando viúva em 1895. Deste matrimónio nasceram dois filhos, António Ferreira Rosa e Manuel Ferreira Rosa. A 11 de fevereiro de 1898, casou com Manuel Pedro Marto. Faleceu, em Aljustrel, a 3 de abril de 1957.
Que idade é que tens?
– Tenho nove anos feitos.
2a – Só vês a Senhora ou ouves também o que Ela diz?
– Só a vejo, não ouço nada do que Ela diz.
4a – Tem algum clarão em volta da cabeça?
- Tem.
5a – Podes olhar bem para a cara dela?
- Posso olhar, mas pouco, por causa da luz.
6a – Tem alguns enfeites no vestido?
- Tem uns cordões de ouro.
7a – De que cor é o crucifixo do rosário?
- É branco.
8a – E a cadeia do rosário?
- Também é branca.
9a – O povo ficava triste se soubesse o segredo?
- Ficava.
O que faziam quando viram a Senhora?
2 - Guardava o gado.
3 - É verdade o menino correr a Imagem à pedra?
[3] O irmão é que o ano passado correu a Senhora.
N. B. A Jacinta diz que sim.
4 - Como apareceu a Imagem?
5 - Que vestidos trazia e o que disse?
6 - Ouviram todos?
4 - Fazia sol, vinham a passar e viu uma mulher vestida de branco. Não viu relâmpagos; a Lúcia é que viu. As ovelhas fugiam para os chícharos e milho mas a Senhora disse que não se importassem que as ovelhas não tombavam, nem comiam. Depois da aparição comiam.
A Lúcia diz que a Senhora não disse nada, só se foi à Jacinta porque ela lhe tinha já aparecido.
Via (Francisco) a Imagem.
Trazia um manto na cabeça e o vestido era todo branco.
13 - Que fatos trazia ela da 1ª vez e das outras vezes?
[13 -] Trazia sempre o mesmo fato, ela era bonita.
[...] 15 - Viram sempre as manchas no sol?
[15 -] Viu S. José e o Menino Jesus no sol.
[...] 22- O que disse N. Senhora da 1ª vez?
da 2ª da 3ª
“ 4ª
“ 5ª
“ 6ª
[22 -] Nunca a ouviu falar.
Notas dos editores (1)
4 Quase certamente, o autor dispensou-se de fazer as perguntas nº 34 a 36. Tal como no interrogatório anterior, o Pe. Lacerda também aqui continuou a conversa com a Lúcia, de que resultaram as duas respostas seguintes.
O Francisco disse que via a Senhora a mexer os beiços, abrir as mãos e fechá-las, mas não ouvia as suas palavras.
[…]
No princípio da aparição, quando a Lúcia dizia que via Nossa Senhora, o
Francisco não vendo nada, aconselhou a prima a atirar-lhe com uma pedra e a Lúcia disse à Senhora: – “Então vossemecê é Nossa Senhora do Céu e o Francisco não a vê?” – Já a Senhora lhe tinha dito que era do Céu. Nossa Senhora disse à Lúcia: “Diz-lhe que reze o terço e já me verá”. O pequeno contou que então meteu a mão no bolso do colete, onde tinha as contas da Missa e começou a rezar e quando tinha seis ou sete Avé Marias rezadas, já via a Senhora e não pôde rezar mais. Na ocasião em que já a via, notou que as ovelhas começaram a ir para um trigal que havia na parte mais baixa da Cova da Iria e disse que as ia voltar. Estava para se pôr a caminho quando a Lúcia lhe disse: “Ó Francisco, não vás, que Nossa Senhora diz que o gado não come o trigo”. Ele então observou: “Então as ovelhas já vão pelo trigo dentro e não o comem?!” E voltou para trás. A mãe perguntou-lhe: “Depois de Nossa Senhora sair, as ovelhas comiam o trigo?” Respondeu ele: “Ah, se as deixassem comiam-no todo”.
Notas dos editores (2)
7 António Ferreira Rosa e Manuel Ferreira Rosa.
8 À data deste interrogatório, estavam vivos José dos Santos Marto e João dos Santos Marto.
A mulher perguntou ao Francisco na Cova da Iria se tinha visto Nossa Senhora e ele disse que não. E perguntou-lhe se lhe via os pés. E ele disse que não, que só via um resplendor muito lindo nos pés. Naturalmente referia-se ao princípio da primeira aparição em que ainda a não via, antes de começar a rezar o terço.
Sento-me ao pé dele e começo a minha conversa: “Viste Nossa Senhora?” — “Vi”. “Como vinha vestida?” — “Toda de branco e oiro.” “E não trazia nada de côr?” — “Não”. “E na cabeça?” — “Um manto.” “E mais nada?” — “Sim, trazia uma coisa.” “O quê?” — “Não sei, uma coisa.” “E via-se o cabelo?” — “Não”. “E os olhos de que côr eram?” — “Eram pretos.” Estas respostas eram dadas com um ar de uma naturalidade enorme, um pouco arrastadas. Todas as três crianças com quem falei separadamente, mudam de tom descrevendo o olhar de N. Senhora. Vê-se que foi o que mais as impressionou.
Algumas vezes e em diversas ocasiões interroguei o Francisco e sempre me disse que viu uma Senhora muito bonita na Cova da Iria e no Valinho nos mesmos dias que suas companheiras tinham indicado e que vinha vestida de branco, mas que não A ouvia falar. A respeito do segredo nada consegui que me revelasse. Dizendo-lhe eu que, não ouvindo ele a Senhora, não tinha segredo algum, respondeu que sim, tem, que lhe disse a Lúcia. Disse-lhe que, como foi a Lúcia que o disse, podia-me dizer, porque não é segredo nem Nossa Senhora lhe disse que o não dissesse, respondeu: não digo, que é pecado, que a Lúcia disse que o não dissesse eu, por isso não digo.
O Franc. morreu no dia 4 de abril de 1919. Recebeu os ult. sac. com grande lucidez e piedade E confirmou que tinha visto uma Senhora na Cova da Iria e Vallinho3.
Notas dos editores (1)
3 O Dr. Formigão resume, nas p. 7-19, o processo paroquial de Fátima, seguindo os depoimentos dos videntes e de outras testemunhas até à declaração final do padre Manuel Marques Ferreira, pároco de Fátima, sobre o falecimento do Francisco. Não publicamos este resumo, pois o processo foi editado, na íntegra, em DCF, vol. I, Docs. 31-37, p. 245-287.
O Francisco – vidente – faleceu às dez horas da noite, do dia 4 de abril corrente, vitimado por uma prolongada ralação de 5 meses da pneumónica tendo recebido os Sacramentos com grande lucidez e piedade – E confirmou que tinha visto uma Senhora na Cova da Iria e Valinho.
13 de julho de 1917 4 relatos
O rapazinho, que é irmão da pequenina Jacintha e primo da Lucia, é que hontem8 me deixou uma optima impressão: olhar muito brilhante, cara muito alegre, muito á vontade, confirmou (a sós é que foi entrevistado por nós) que a Lucia dissera no momento do milagre: Olhem para o Sol
[…]
O pequeno, offerecendo-lhe as pessoas que iam commigo tudo quanto se lembraram, e recusando tudo, acabou por dizer muito enthusiasmado: "Nem que me dêem o mundo".
Notas dos editores (1)
8 Dia 26 de Outubro de 1917.
A mesma explicação nos deu a mais velha e o pequenito que depois encontramos. Uma mulherzita perguntou-lhe se em tantas senhoras que viu no dia 13 e entre tantas que a teem visitado, encontrou alguma tão bonita como a senhora do Ceu, a pequena disse que tão bonita nunca viu nenhuma, e o pequeno a quem depois perguntamos o mesmo disse: que tão bonita não havia nenhuma no mundo.
[…]
Ao pequeno ouvi dizer que nem que lhe dessem o mundo inteiro o diriam. Quando lhes perguntam se é mau, dizem que é bom para todos.
[…]
A mesma esperiencia fizemos com o pequeno respondendo sempre como a irmã.
O Francisco, pedindo-se-lhe para revelar o segredo, declarou que nem que o matassem o poderia dizer. Aconteceu por várias vezes serem interrogados e oferecerem-lhes riquezas para o dizerem e eles respondiam que nem que lhes oferecessem o mundo inteiro o poderiam dizer.
Dizia muitas vezes que a oração que Na Sa lhe tinha dito, nunca lhe esquecia. Ó minha mãe, a oração que Na Sa lhe ensinou nunca lhe esqueça, que eu nunca me esqueço. Mas, filho, ás vezes esquece-me. Dizia o pequeno “Quando fôr pelo caminho reze-a. Ó meu Jesus perdoae-nos, livrae-nos do fogo do inferno, levae as alminhas todas para o Ceu principalmente aquellas que mais delle precisarem”.
13 de outubro de 1917 3 relatos
Por sua vez diz o pequeno: “Já a não vejo!”
Viste no dia treze deste mês Nosso Senhor abençoando o povo?
– Não vi. Vi, mas foi Nossa Senhora.
2a – Viste a Senhora das Dores ou a Senhora do Carmo?
– Não vi. A Nossa Senhora parecia a que eu vi cá em baixo. Estava vestida do mesmo modo.
3a – Não olhaste para o sol?
– Olhei.
4a – Não viste S. José e o Menino Jesus?
– Vi.
5a – Estavam longe ou perto do sol?
– Perto do sol.
6a – De que lado do sol estava S. José?
– Estava do lado esquerdo.
7a – E de que lado estava Nossa Senhora?
– Do lado direito.
8o – Onde estava o Menino Jesus?
– Estava ao pé de S. José.
9o – De que lado?
– Não reparei de que lado.
10a – O Menino era grande ou pequeno?
– Era pequenino.
11a – Era do tamanho da Deolinda do José das Neves1?
– Era assim bem como ela.
12a – Quando a Senhora estava sobre a carrasqueira ouviste o que ela dizia à Lúcia?
– Não ouvia.
13a – Ouvias o som da voz dela?
– Também não ouvia.
14a – Parecia que não falava?
– Parecia.
15a – Não a vias mexer os beiços?
– Não via.
16a – Não a vias rir-se?
– Também não
17a – Viste os sinais no sol? O que foi que viste?
– Olhei e vi que o sol andava à roda. Parecia uma roda de fogo.
18a – Quando foi que apareceram os sinais, antes ou depois da Senhora desaparecer da carrasqueira?
– Foi quando a Senhora desapareceu.
19a – Ouviste a Lúcia avisar o povo para que olhasse para o sol?
– Ouvi. Deu um grito que olhasse o povo para o sol.
20a – Foi a Senhora que a mandou avisar o povo para que olhasse para o sol?
– Foi. A Senhora apontou com o dedo para a banda onde está o sol.
21a – E quando foi que fez isso?
– Foi quando desapareceu.
22a – Os sinais no sol começaram logo?
– Começaram.
23a – Quais foram as cores que viste no sol?
– Vi cores muito bonitas, azul, amarelo e outras.
Notas dos editores (1)
1 Deolinda de Jesus. Filha de José das Neves e de Maria Vitória. Nasceu a 12 de janeiro de 1913.
De que lado estava o Menino Jesus quando o viste ao pé do sol?
– Estava mais perto do sol, do lado esquerdo dele, mas do lado direito de S. José.
2ª – A Senhora que viste ao pé do sol era diferente da que viste sobre a carrasqueira?
– A Senhora que estava ao pé do sol parecia a mesma que eu cá vi em baixo.
3ª – Viste Nosso Senhor abençoando o povo?
– Não vi Nosso Senhor.