Principiei sem demora a interrogá-lo sobre o que tinha visto e ouvido desde o mez de Maio ultimo na Cova da Iria no dia treze de cada mez durante o tempo da apparição.
Entre mim e elle estabeleceu-se o curto dialogo que se segue:
- Que é que tens visto na Cova da Iria nos ultimos mezes?
- Tenho visto Nossa Senhora.
- Onde é que ella apparece?
- Em cima de uma carrasqueira.
- Apparece de repente ou tu vê-la vir de alguma parte?
- Vejo-a vir do lado onde nasce o sol e collocar-se sobre a carrasqueira.
- Vem devagar ou depressa?
- Vem sempre depressa.
- Ouves o que ella diz á Lucia?
- Não ouço.
- Fallaste alguma vez com a Senhora? Ella já te dirigiu a palavra?
- Não, nunca lhe perguntei nada; falla só com a Lucia.
- Para quem olha, tambem para ti e para a Jacinta ou só para a Lucia?
- Olha para todos tres; mas olha durante mais tempo para a Lucia.
- Já alguma vez chorou ou se sorriu?
- Nem uma cousa nem outra; está sempre séria.
- Como está vestida?
- Tem um vestido comprido e por cima um manto que lhe cobre a cabeça e desce até á extremidade do vestido.
- Qual é a côr do vestido e do manto?
- É branca, tendo o vestido riscos dourados.
- Qual é a attitude da Senhora?
– É a de quem está a rezar. Tem as mãos postas á altura do peito.
– Traz alguma coisa nas mãos?
– Traz entre a palma e as costas da mão direita umas contas que estão pendentes sobre o vestido.
– E nas orelhas o que tem?
– As orelhas não se vêem, porque estão cobertas com o manto.
– De que côr são as contas?
– São tambem brancas.
– A Senhora é bonita?
– É, sim.
– Mais bonita que aquella menina que tu alli vês?
– Mais.
– Mas ha senhoras muito mais bonitas que aquella menina...
– É mais bonita que qualquer pessoa que eu visse.