Testemunhas /

Lúcia, Francisco e Jacinta

VidenteGrupo

Os três videntes de Aljustrel, freguesia de Fátima: Lúcia de Jesus (com 10 anos em 1917) e os seus primos Francisco Marto (nascido em junho de 1908, com 9 anos) e Jacinta Marto (nascida em março de 1910, com 7 anos). Os relatos com este nome registam o que as crianças disseram em conjunto.

Os três videntes juntosResidência: Aljustrel, FátimaFreguesia de Fátima (da terra)Atitude prévia: crente33 relatos

13 de maio de 1917 14 relatos

13 mai.13 jun.13 jul.Testemunho indiretoViuNotícia de imprensaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Diretor do Raio de Luz (Henrique dos Santos Silva)

Essa visão, com o aspecto d’uma senhora de extraordinaria beleza, aparece-lhes no campo em meio de uma nuvem, em logar fixo. Fala-lhes — limitando-se as creanças a dizer que a Senhora pedira ao pequenino de 3 annos que aprendesse a rezar o terço3, e ás duas pequenas que o rezassem pela patria e pela sua familia, acrescentando que em 13 de outubro lhes dirá o mais que d'ellas quer.

Notas dos editores (3)

1 Publicação mensal com permissão da autoridade eclesiástica. Editor e director: Henrique dos Santos Silva.

2 Esta carta, provavelmente, é pouco posterior a 13 de Agosto, pois diz: “Muito se tem rezado naquele sitio ha dois mezes para cá!...”, isto é, desde Junho de 1917. A autora é uma assinante da revista. A destinatária devia ser também uma senhora, da intimidade da autora, pois a trata por “filha”, sem que este tratamento signifique filiação, porque posteriormente refere: “muita gente, entre ella as minhas creadas”, expressão que não teria sentido se a destinatária fosse sua filha. Existe uma carta de Branca Falcão de Sommer a Elisa Tavares Bonacho dos Anjos Martins, datada de Monte Estoril, de 6 de Outubro de 1917 (Doc. 40, de 6 de Outubro de 1917): “Recebi o “Raio de Luz” assim como a sua amavel carta [...]. Não ha duvida, que a descripção da Fatima escusa de levar assignatura. Lêr o artigo é o mesmo que ouvir a nossa enthusiasta visinha!”. Branca de Sommer e Elisa Martins eram vizinhas em Lisboa (tinham residência respectivamente na Praça do Príncipe Real e Praça das Flores), e também na província (respectivamente na Quinta da Cardiga, freguesia e concelho da Golegã, e na Quinta da Várzea, Riachos, Torres Novas). Por isso, a “enthusiasta visinha” das duas, autora da carta, podia residir também em Lisboa, mas pomos a hipótese, mais provável, de se tratar de Maria de Jesus Xavier de Figueiredo de Mello de Oriol Pena Raposo, residente na Quinta de Carvalhais, entre Riachos e Torres Novas, muito próxima, portanto, da Quinta da Várzea e da Quinta da Cardiga.

3 A referência diz respeito, sem dúvida, ao Francisco, que tinha 8 anos em 13 de Maio de 1917, pois nascera a 11 de Junho de 1908 (cf. DCF, vol. 1, Doc. 1, de c.27 de Maio de 1917, nota 7).

DCF III-1, Doc. 20 · notícia de imprensa · 1 set. 1917 (4 meses depois)Digitalizações (3)Ligação
13 mai.13 jun.13 jul.13 ago.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Carlos de Azevedo Mendes

Como te disse examinei ou antes interroguei os três em separado. Todos dizem o mesmo sem a mais leve alteração. A base principal, que de tudo o que me dizem, eu deduzi é “– que a aparição quer que se espalhe a devoção do Terço –”. Todos os pequenos dizem sempre, que, quem lhes aparece, é a Senhora. Não sabem quem é... Só depois das 6 vezes, no dia 13 de Outubro, lhes diz quem é e o que quer!!... A naturalidade e ingenuidade, com que falam e contam o que viram é admirável e impressionante.

A Lúcia vê a Senhora, fala com ela e ouve-a. A Jacinta vê a Senhora, ouve-a, mas não fala com Ela. O Francisco vê a Senhora, mas não lhe fala, nem a ouve!!!... É interessante esta diferença, não achas Prazeres??... Mas além de interessante tem até mesmo muito de extraordinário!!... Ouvir as petizas, vê-las na sua simplicidade, examinar-lhes o seu todo, impressiona-nos de uma maneira extraordinária, e leva-me a concluir, que em tudo o que me dizem, alguma coisa existe de sobrenatural. Estar com elas choca-nos com uma forte intensidade... Hoje, Prazeres, é convicção minha que há um facto extraordinário, que a nossa razão não alcança. Qual?... Com ansiedade mais crescente ainda espero o próximo dia 13. O que é certo, é que nos sentimos bem junto das pequenas e chegamos a perder a noção do tempo. Há uma atração, que não sei como explicar... Uma das impressões mais intensas das crianças é a da beleza da Senhora. O rapaz para exprimir a sua admiração dizia-me que era “muito bonitica”!!!... Mostrei-lhe o teu retrato e perguntei: é mais bonita? “Muito mais!!...”. A Senhora vem toda de branco com ouro. Não traz nenhuma faixa azul como se dizia. Se é a Senhora da Paz.... Já te recordaste, o que disse na 2ª aparição?... Que aprendessem a ler... Dizia-me a Jacintita “que já ia na carreira do A”!!...

[…]

A oração, que dizem a Senhora lhes ensinou é simples, é a seguinte:

“Ó meu Jesus perdoai-me.

Livrai-me do fogo do inferno

Levai as alminhas todas para o céu, principalmente as que mais precisarem.”

Queres maior simplicidade? Achei interessante que a Senhora a tivesse ensinado, mas não lhe recomendasse que a rezassem.

13 mai.13 jun.Testemunho diretoViuInterrogatórioFiguras / visõesTrovão / ruídoPalavras dos videntes

Interrogámos as creanças, para saber como se tinha dado a primeira apparição. Responderam com simplicidade que no dia 13 de Maio, quando na Cova da Iria andavam apascentando o seu rebanho, fez uma grande trovoada. Pensavam em juntar o rebanho e irem-se embora, quando d’um relampago viram apparecer uma Senhora. Amedrontados, quizeram fugir, mas a apparição disse-lhes que não fugissem, pois nenhum mal lhes faria. Antes de começar a trovoada as creanças estavam rezando o seu terço, e a apparição recommendou-lhes que rezassem o terço á Senhora do Rosario, para abrandar a guerra, e que voltassem ali todos os mezes, pois durante seis mezes consecutivos ali viriam. — As creanças voltaram ali em junho e dizem ter-lhes apparecido a Senhora que d’esta vez lhes recommendou que aprendessem a lêr, o que as creanças não fizeram logo, porque não havia nem nunca houve professora na Fatima. Agora, sem que ninguem a reclamasse, apparece nomeada para ali, por dois annos uma professora das escolas moveis, e as creanças começaram já a frequentar a escola com bastante aproveitamento, sobretudo da Lucia.

DCF III-1, Doc. 129 · nota · 19 out. 1917 (5 meses depois)Digitalizações (2)Ligação
13 mai.13 jun.13 jul.13 set.13 out.Testemunho diretoViuInterrogatórioFiguras / visõesPalavras dos videntes

A ser certa a visão, haveria uma certa differença entre a maneira como ella se revelava a cada creança. Assim, a mais velha Lucia, era de certo a mais priveligiada, via, ouvia e fallava com a apparição, fazendo-lhe pedidos e perguntas, e obtendo respostas. A mais novita, Jacintha, via e ouvia a Senhora mas nunca lhe fallou, nem Esta se lhe dirigio directamente. O rapazito, Francisco, via a Senhora, mas nunca a ouvio fallar nem sequer a vio mecher os labios, e nunca A vio tão distinctamente como em 13 de Outubro.

[…]

Lá foram as creanças na sua piedosa romaria todos os dias 13 de cada mez á Cova da Iria, excepto em Agosto, em que foram presas. Dizem que viram sempre a Senhora, que a Lucia fallou sempre com Ella, que lhe pedio algumas curas e conversões; que a Senhora lhe prometteu, curar e converter uns, outros não. Que lhes recommendou sempre que rezassem o terço, e lhes disse que queria n’aquelle sitio uma Capellinha dedicada á Senhora do Rosario.

[…]

s creanças descrevem a apparição, como sendo uma Senhora

muito linda, a mais linda que tivessem visto, (palavras textuaes) de mãos erguidas para o Ceu, toda vestida de branco e ouro, tendo pendente do braço direito um terço todo branco.

Uma vez, a Lucia perguntou á Senhora: “De onde é Vocemecê e para onde vae?” e diz que a Senhora lhe respondeu: “Sou do Céu e vou para o Céu”. E perguntando-lhe a Lucia se ella, a Jacintha e o Francisco tambem irião para o Céu, que a Senhora lhe respondera que ella e a Jacintha irião, e que o Francisco tambem iria, mas teria de rezar mais o terço. Desde então o pequeno, tem por vezes rezado dez terços por dia!

DCF III-1, Doc. 129 · nota · 19 out. 1917 (5 meses depois)Digitalizações (4)Ligação
13 mai.13 jun.13 jul.Testemunho indiretoViuNotaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Leonor de Avelar e Silva Constâncio, a partir de informação do Prior de Fátima (Pe. Manuel Marques Ferreira)

Só ali soubemos, que as trez creanças, naturaes de Aljustrel, pequena povoação da freguezia da Fatima, diziam que uma Senhora lhes apparecia no dia 13 de cada mez, fallava com ellas, respondia ás suas perguntas, e lhes recommendava que rezassem o terço e o offerecessem á Senhora do Rosario.

DCF III-1, Doc. 129 · nota · depois de 19 out. 1917 (5 meses depois)Digitalizações (2)Ligação
13 mai.13 jun.13 jul.13 ago.13 set.13 out.Testemunho indiretoViuNotícia de imprensaFiguras / visões
Transmitido por: Anna Maria dos Santos, do Caneiro

Seguimos a viagem e quando chegámos á Fatima o Ex.mo Snr. Pedro perguntou pelas pequenas, onde ellas então vinham a sair da escola e depois por mandado da Sn.a professora as meninas chegaram ao pé do carro e falaram com mais pessoas que ali estavam, onde lhe perguntámos com respeito a N. Senhora e ellas afirmaram sempre a mesma cousa, que a viram, ouviram e falaram com ella:

DCF III-1, Doc. 322 · notícia de imprensa · 6 nov. 1917 (6 meses depois)Digitalizações (2)Ligação
13 mai.13 jun.13 jul.13 ago.13 set.13 out.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Manuel Nunes Formigão (Visconde de Montelo)

Mas se me reportava a declarações dos videntes que conservasse de memoria, é-me totalmente impossivel precisar, depois de tantos annos, qual das crianças me assegurou que a cruz do rosario era ou parecia de ouro. Teria sido o Francisco? Teria sido a Jacinta? Não sei. Importa acentuar que a Lucia, assim como os primos, ás vezes diziam ser brancas certas partes do corpo ou certas peças do vestuario da visão por causa da luz clara e brilhante que a envolvia e que quasi lhes cegava os olhos. Pag. 77, Lucia: "É que ella ás vezes cega". Pag. 94, Francisco: "Posso olhar para a cara della, mas pouco, por causa da luz".

DCF V-4, Doc. 1229 · carta · 1917 · também publicado em DCF V-4, Doc. 1277DigitalizaçãoLigação
13 mai.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: José Alves, da Moita (transmitindo o que lhe disse a mulher), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

Um dia, no princípio das aparições, a mulher ia à Cova da Iria e perguntou ao Francisco o que andava a fazer. Ele disse que andava a fazer um serradinho e a Lúcia e a Jacinta chegavam-lhe a pedra. Nessa ocasião a Lúcia disse: “Deu agora um relâmpago e nós temos água”, e as três crianças meteram pela encosta e quando chegaram à Cova é que Nossa Senhora lhes apareceu em cima duma azinheira que foi estronchada pelo povo. A Senhora disse: “Não tenham medo, que eu sou lá de cima, do Céu”. E foi então que lhes disse que viessem lá todos os meses e que rezassem o terço.

13 mai.Testemunho indiretoViuNotaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Relatório da comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

Na manhã do dia 13 de maio de mil novecentos e dezassete, a cerca de dois quilómetros e meio da igreja paroquial de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém, distrito de Santarém, na direção do oeste, a margem da estrada distrital, num sítio vulgarmente chamado “Cova da Iria”, três crianças apascentavam um pequeno rebanho. Eram duas meninas e um rapaz. A mais velha das meninas, que tinha dez anos de idade, chamava-se Lúcia de Jesus e a mais nova, apenas com seis anos1, Jacinta Marto. O nome do rapaz, de nove anos, era Francisco Marto. Moravam em Aljustrel, uma das quarenta aldeias da vasta freguesia de Fátima, e uma das mais próximas da igreja e do presbitério. O Francisco e a Jacinta eram irmãos e a Lúcia sua prima coirmã. Os pais desta foram António dos Santos, que faleceu no ano seguinte2, e Maria Rosa dos Santos, e os daqueles Manuel Pedro Marto e Olímpia de Jesus Marto. As crianças possuíam uma instrução religiosa muito rudimentar, tendo só a Lúcia feito a sua primeira Comunhão. Nenhuma delas sabia ler e escrever. Aproximava-se a hora do meio-dia solar. A devoção mais querida naquela região é a recitação do terço do Rosário. É rara a família, cujo chefe, à noite, depois da lida dos campos, não reze o terço juntamente com os seus, antes da ceia que é a refeição principal. As três crianças, como era seu costume, rezaram o terço em comum, e depois puseram-se a fazer uma casa em miniatura, servindo-se para isso das pedras soltas que havia em grande abundância no local, como há quase por toda a parte na serra de Aire. De repente, um relâmpago, de luz viva e brilhante, sulcou o espaço. As crianças suspenderam o seu entretenimento e olharam admiradas para as alturas. O céu estava diáfano e sem nuvens, não soprava a mais leve brisa e o sol brilhava em pleno zénite. Não obstante, a Lúcia convidou os primos a retirarem-se sem demora para casa, com o receio de que se desencadeasse alguma trovoada. Eles acederam sem relutância e todos três puseram-se a tocar o gado pela encosta abaixo. Ao chegarem ao ponto, onde se encontra atualmente a primeira fonte, veem fuzilar um novo relâmpago e, a poucos passos de distância, de pé sobre uma pequena azinheira, no sítio onde mais tarde foi erigida a capela das aparições, um vulto de Senhora bastante nova, de incomparável formosura. Assustadas com a inesperada aparição, as crianças tiveram vontade de fugir e preparavam-se para isso, mas conteve-as um sinal da Senhora, que disse que não tivessem medo, porque não lhes fazia mal. A Aparição parecia não ter mais de dezoito anos de idade. O vestido era duma alvura puríssima de neve, assim como o manto, orlado de ouro, que lhe cobria a cabeça e a maior parte do corpo. O rosto, duma nobreza de linhas irrepreensível e que tinha um não sei quê de sobrenatural e divino, apresentava-se sereno e grave e como que toldado duma leve sombra de tristeza. Das mãos, juntas à altura do peito, pendia-lhe, rematado por uma cruz, um lindo rosário, cujas contas, brancas de arminho, pareciam pérolas. De todo o seu vulto, circundado dum esplendor mais brilhante que o do sol, irradiavam feixes de luz, especialmente do rosto, duma formosura impossível de descrever e incomparavelmente superior a qualquer beleza humana. Entre a Aparição e a Lúcia travou-se um diálogo que durou cerca de dez minutos. A Aparição convidou as crianças a voltarem lá todos os meses, no dia treze, até outubro seguinte, assegurando que no último dia lhes diria quem era e o que queria.

Notas dos editores (2)

1 Jacinta tinha já sete anos (nasceu a 11 de março de 1910, data oficial; cf. Doc. 1, nota 5).

2 António dos Santos faleceu, dois anos depois, a 31 de julho de 1919.

13 mai.13 jun.13 jul.13 ago.13 set.13 out.Testemunho indiretoViuNotaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Relatório da comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

Reproduz-se aqui, em resumo, o relato das aparições.

A Senhora diz que o seu lugar é o Céu, promete a felicidade eterna às três crianças, comunica-lhes um segredo que a ninguém poderão revelar, ensina-lhes uma pequena oração4, recomenda a Lúcia que aprendam a ler, manda que todos rezem o terço, para que a guerra acabe, anuncia o aparecimento de Nosso Senhor, de S. José com o Menino Jesus, de Nossa Senhora sob as invocações do Rosário, do Carmo e das Dores, recomenda de novo a recitação do terço, declara que a guerra acabava brevemente e no último dia afirma que Nosso Senhor está muito irritado com os pecados dos homens, suplica que não O ofendam mais, insiste mais uma vez em que rezem o terço, declara que ela é a Senhora do Rosário e ordena que se edifique ali uma capela em sua honra. O depoimento da Jacinta confirma, dum modo geral, o depoimento da Lúcia, assim como o do Francisco, que contudo só via a Senhora, não ouvindo nada do que ela dizia a sua prima.

Notas dos editores (1)

4 Jaculatória: Ó Meu Jesus perdoai-nos...

13 mai.13 ago.13 out.Testemunho indiretoViuLivroFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Manuel Nunes Formigão (Visconde de Montelo)

Na manhã do dia treze de Maio de 1917 um menino e duas meninas andavam apascentando, como era seu costume, um pequeno rebanho de ovelhas, pertencente a suas familias, numa propriedade da serra de Minde, situada na freguezia de Fátima, concelho de Villa Nova d’Ourem, districto de Leiria.

[…]

Approximava-se naquelle dia a hora do meio-dia astronomico. Segundo o seu costume, as tres creanças, depois de se terem occupado durante bastante tempo nos seus innocentes divertimentos, puzeram-se a rezar o terço do Rosario, devoção muito querida dos habitantes daquella freguezia. Apenas tinham acabado de o recitar, quando viram de repente brilhar no espaço, a pequena distancia dellas, a claridade fulgurante de um relampago e apparecer quasi simultaneamente, sobre a copa de uma pequena azinheira, um vulto radioso e encantador de mulher de extraordinaria belleza. Assustadas comum successo tão insolito e tão inesperado, pensaram em fugir, mas logo as tranquilisou completamente a ttitude benevola da Apparição, que numa voz dulcissima prometteu que não lhes faria mal algum.

A Apparição parecia não ter mais de dezoito annos de edade. O vestido era de uma alvura purissima de neve, assim como o manto, orlado de ouro, que lhe cobria a cabeça e a maior parte do corpo. O rosto, de uma nobreza de linhas irreprehensivel e que tinha um não sei quê de sobrenatural e divino, apresentava-se sereno e grave e como que toldado de uma leve sombra de tristeza. Das mãos, juntas á altura do peito, pendia-lhe, rematado por uma cruz de ouro, um lindo rosario, cujas contas, brancas de arminho, pareciam perolas. De todo o seu vulto, circumdado de um esplendor mais brilhante que o do sol, irradiavam feixes de luz, especialmente do rosto, de uma formusura impossivel de descrever e incomparavelmente superior a qualquer belleza humana.

Entre a Apparição e a Lucia estabeleceu-se um dialogo, que durou cerca de dez minutos.

A Jacinta via a Apparição e ouvia distinctamente as palavras que ella pronunciava dirigindo-se á Lucia, mas nunca lhe fallou nem a Apparição lhe dirigiu a palavra. O Francisco só via a Apparição, não ouvindo nunca o que ella dizia á Lucia, apesar de se encontrar á mesma distancia e de possuir um excellente ouvido.

[…]

A Apparição recommendou insistentemente que todos fizessem penitencia e rezassem o terço do Rosario. Communicou ás creanças um segredo, que não podiam revellar a ninguem. Prometeu-lhe o Ceu.

Pediu que naquelle local se erigisse uma capella em sua honra e declarou que no dia treze de Outubro havia de fazer um milagre para que todo o povo acreditasse que elle realmente tinha alli apparecido. Em treze de Agosto, momentos antes da hora da apparição, as creanças foram ardilosamente raptadas pelo administrador do concelho, que as reteve em sua casa durante dois dias, ameaçando-as de morte se não se desdissessem ou pelo menos não revelassem o segredo que a Apparição lhe tinha confiado.

Nesse mês a apparição teve logar no dia dezanove, no sitio chamado dos Vallinhos, quando as creanças já não pensavam que ella se verificasse senão no mês seguinte.

Notas dos editores (1)

1 Este capítulo, com ligeiras alterações, viria a ser publicado em Visconde de Montelo - Os acontecimentos de Fatima, Guarda, Empresa Veritas, 1923, p. 7-10; cf. também DCF, vol. 2, Doc. 9, de 13 de Abril de 1930, p. 161-162 (texto reformulado). A partir da p. 162 até à p. 164, o texto é inteiramente novo, escrito para o Relatório da Comissão Canónica

DCF III-3, Doc. 621 · livro · 10 jun. 1921 (4 anos depois)Digitalizações (4)Ligação
13 mai.13 ago.13 out.Outros de 1917Testemunho indiretoViuLivroFiguras / visõesPalavras dos videntesA multidão
Transmitido por: Manuel Nunes Formigão (Visconde de Montelo)

Na manhã do dia treze de maio de 1917, um menino e duas meninas andavam apascentando, como era seu costume, um pequeno rebanho de ovelhas pertencentes a suas famílias, numa propriedade da serra de Minde situada na freguesia de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém, diocese de Leiria.

A mais velha das três crianças, de nome Lúcia de Jesus, era filha de António dos Santos, que faleceu no ano seguinte1, e de Maria Rosa dos Santos, e contava dez anos de idade. O menino e a outra menina, que eram irmãos, chamavam-se Francisco e Jacinta, tendo aquele nove anos e esta sete anos de idade. Foram seus pais Manuel Pedro Marto e Olímpia de Jesus Marto. Eram primos da Lúcia. As habitações das duas famílias, que, não sendo ricas, possuíam contudo alguns bens de fortuna, ficavam próximas uma da outra, no lugar de Aljustrel, cerca de um quilómetro da igreja paroquial de Fátima. Nenhuma das crianças sabia ler nem escrever. A sua instrução religiosa era ainda muito rudimentar. Só a Lúcia tinha feito a primeira comunhão.

Aproximava-se naquele memorável dia a hora do meio-dia astronómico. Segundo o seu costume, as três crianças, depois de se terem ocupado durante bastante tempo em inocentes divertimentos, puseram-se a rezar o terço do Rosário, devoção muito querida dos habitantes daquela freguesia. Apenas tinham acabado de o recitar, quando viram de repente brilhar no espaço, a pequena distância delas, a claridade fulgurante de um relâmpago e aparecer quase simultaneamente, sobre a copa de uma pequena azinheira, um vulto radioso e encantador de mulher, de extraordinária beleza. Assustadas com um sucesso tão insólito e tão inesperado, pensaram em fugir, mas logo as tranquilizou completamente a atitude benévola da Aparição, que numa voz dulcíssima prometeu que não lhes faria mal algum.

A Aparição parecia não ter mais de dezoito anos de idade. O vestido era de uma alvura puríssima de neve, assim como o manto, orlado de ouro, que lhe cobria a cabeça e a maior parte do corpo. O rosto, de uma nobreza de linhas irrepreensível e que tinha o que quer que fosse de sobrenatural e divino, apresentava-se sereno e grave e como que toldado de uma leve sombra de tristeza. Das mãos, juntas à altura do peito, pendia-lhe, rematado por uma cruz de ouro, um lindo rosário, cujas contas, brancas de arminho, pareciam pérolas. De todo o seu vulto, circundado de um esplendor mais brilhante que o do sol, irradiavam feixes de luz, especialmente do rosto, de uma formosura impossível de descrever e incomparavelmente superior a qualquer beleza humana.

Entre a Aparição e a Lúcia estabeleceu-se um diálogo, que durou cerca de dez minutos.

A Jacinta viu a Aparição e ouvia distintamente as palavras que ela pronunciava, dirigindo-se à Lúcia, mas nunca lhe falou nem a Aparição lhe dirigiu a palavra. O Francisco só via a Aparição, não ouvindo nunca o que ela dizia à Lúcia, apesar de se encontrar à mesma distância e possuir um excelente ouvido.

A Aparição convidou nesse dia os três pastorinhos a voltarem todos os meses no dia treze, durante seis meses consecutivos, àquele local, vulgarmente conhecido pelo nome de Cova da Iria e situado a pouco mais de dois quilómetros da igreja paroquial de Fátima, ao lado da estrada distrital de Vila Nova de Ourém à Batalha.

[…]

A Aparição recomendou insistentemente que todos fizessem penitência e rezassem o terço do Rosário. Comunicou às crianças um segredo, que não podiam revelar a ninguém. Prometeu-lhes o Céu.

Pediu que naquele local se erigisse uma capela em sua honra e declarou que no dia treze de outubro havia de fazer um milagre para que todo o povo acreditasse que ela realmente tinha ali aparecido. Em treze de agosto, momentos antes da hora da aparição, as crianças foram ardilosamente raptadas pelo administrador do concelho, que as reteve em sua casa durante dois dias, ameaçando-as de morte se não se desdissessem ou se pelo menos não revelassem o segredo que a Aparição lhes tinha confiado.

Nesse mês a aparição teve lugar no dia dezanove, no sítio chamado dos Valinhos, quando as crianças já não pensavam que ela se verificasse senão no mês seguinte. No dia treze de outubro, estando presentes cerca de setenta mil pessoas de todas as classes e condições sociais e de todos os pontos do país, terminado o diálogo entre a Lúcia e a Aparição, que lhe declarou ser a Senhora do Rosário, a vidente recomendou aos circunstantes que olhassem para o sol.

Notas dos editores (1)

1 António dos Santos faleceu a 31 de julho de 1919.

13 mai.13 jun.13 jul.13 ago.13 set.13 out.Testemunho indiretoViuNotícia de imprensaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Manuel Nunes Formigão (Visconde de Montelo), entrevistado por A Guarda

Duas pastorinhas e um zagalete afirmaram que uma senhora de incomparavel beleza lhes aparecia no dia treze de cada mês desde Maio a Outubro dêsse ano, fazendo-lhes diversas comunicações, algumas delas de caracter secreto. A Visão, segundo o testemunho das tres creanças, prometeu dizer no dia treze de Outubro quem era e operar nesse dia um prodigio, para que todos acreditassem nas suas palavras, pedindo ao mesmo tempo que erigissem uma capela em sua honra no local das aparições.

Por varias vezes declarou que Deus estava muito ofendido com os pecados dos homens e que graves castigos os ameaçavam, recomendou a todos que fizessem penitencia, aconselhou a recitação frequente do terço e por ultimo disse que era a Senhora do Rosário.

DCF III-3, Doc. 775 · notícia de imprensa · 13 mar. 1922 (5 anos depois)Digitalizações (2)Ligação
13 mai.13 jun.13 jul.13 ago.13 set.13 out.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria

A 13 de maio de 1917, três crianças da freguesia da Fátima, vigararia de Ourém, desta Diocese, apascentavam um pequeno rebanho num lugar, então ermo, chamado Cova da Iria.

A mais velha, Lúcia de Jesus, tinha 10 anos de idade, Francisco nove e Jacinta seisa. Estes eram irmãos e a primeira prima deles.

Nenhum sabia ler nem escrever.

Aproximava-se o meio dia e as crianças, conforme o costume da sua terra, rezaram o terço do Rosário de Nossa Senhora.

Terminada a oração, entretinham-se a fazer uma pequenina casa com pedras soltas quando, de repente, um relâmpago, de luz viva e brilhante, sulcou o espaço. Apesar de o céu estar diáfano e sem nuvens, as crianças, com receio de alguma trovoada, juntaram o gado e iam retirar-se. Ao chegarem, porém, perto do ponto onde se encontram atualmente as bicas de água, fuzila novo relâmpago e, a poucos passos de distância, de pé sobre uma pequena azinheira no sítio onde está a pequenina e pobre Capela das Aparições, veem, com espanto, o vulto duma Senhora de incomparável formosura, envolvida num vestido de alvura puríssima; um manto, orlado de ouro, cobre-lhe a cabeça e a maior parte do corpo. O rosto, duma beleza celeste, sobrenatural, apresentava-se sereno, grave e toldado duma leve sombra de tristeza. Das mãos, juntas à altura do peito, pendia-lhe, rematado por uma cruz, um lindo rosário.

De todo o vulto, circundado dum esplendor mais brilhante que o sol, irradiavam feixes de luz.

As crianças aproximaram-se, travou-se um diálogo entre a Senhora e a mais velha, convidando-os a irem ali todos os dias 13 de cada mês até outubro.

Como consta do testemunho das crianças e de muitas pessoas, as aparições foram seis, todas no dia 13 de cada mês, exceto em agosto que se realizou alguns dias depois por a autoridade administrativa ter as crianças presas em Ourém.

A Senhora disse-lhes que o seu lugar é o céu, confiou-lhes um segredo que a ninguém poderão revelar, ensinou-lhes uma pequena jaculatória, recomendou a recitação do Rosário, aconselhou a Lúcia a aprender a ler, insistiu na necessidade de oração e penitência para a guerra acabar, afirmou que Nosso Senhor está muito irritado com os pecados dos homens e sobretudo com o pecado da carne, ordenou que se edifique ali uma capela em sua honra e declara que é a Senhora do Rosário...

Notas dos editores (4)

15 Mat VII, 15.

16 Mat VII, 16, 18.

17 Jo X, 37, 38.

a Jacinta tinha já sete anos. A data oficial do nascimento de Jacinta é 11 de março de 1910.

DCF Seleção, Doc. 133 (= DCF II, Doc. 11) · documento oficial · 13 out. 1930 (13 anos depois)Digitalizações (2)Ligação

13 de junho de 1917 1 relato

13 jun.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Olímpia de Jesus (mãe de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

No dia treze à noite, quando a mãe chegou, contaram-lhe que Nossa Senhora lhes tinha aparecido outra vez, como em treze de maio, e que tinha dito à Lúcia que fossem lá todos os meses e que fizessem penitência.

13 de julho de 1917 1 relato

13 de agosto de 1917 4 relatos

13 ago.Testemunho indiretoDepoimento ajuramentado
Transmitido por: Maria Rosa (mãe de Lúcia), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

As crianças mostraram-se como dantes contentes e prontas para brincar, dizendo que lhes tinham feito muitas perguntas e que tinha ido um médico examiná-las.

DCF Seleção, Doc. 80 (= DCF II, Doc. 4) · depoimento · 15 ago. 1917 (2 dias depois)DigitalizaçãoLigação
13 ago.Testemunho indiretoDepoimento ajuramentado
Transmitido por: Manuel Pedro Marto (pai de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

O que é certo porém, é que pelo caminho, no regresso de Ourém, já tinha dito às crianças que tornaria a prendê-las se fossem outra vez à Cova da Iria.

Quando o administrador tomou a direção de Ourém, a Lúcia e a Jacinta disseram-lhe que a Cova da Iria não era para aquele lado, retorquindo ele nestes termos: “levo-as a casa do senhor Prior de Ourém que as quer interrogar e depois vêm em automóvel, que ainda chegam a tempo”. Logo que chegaram, pediram-lhe que as levasse a casa do senhor Prior, mas o administrador disse que primeiro haviam de comer, ao que elas se prestaram.

13 ago.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Maria da Conceição Stokler Parente

No dia 19 appareceu Nossa Senhora ás ditas creanças n'outro logar, dizendo-lhes que por estarem presas tinha sido mais visivel o milagre. Foi assim mesmo que as ouvi expressar-se.

DCF III-1, Doc. 211 · notícia de imprensa · 15 out. 1917 (2 meses depois)Digitalizações (2)Ligação
13 ago.Testemunho indiretoViuNotaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Leonor de Avelar e Silva Constâncio

Soubemos depois, que, as creanças postas em liberdade no dia 15, diziam ter sido no dia 19 favorecidas com nova apparição, não na Cova da Iria, mas nos Valinhos, onde andavam apascentando o gado. Que a Senhora lhes recommendára novamente que rezassem o terço em honra da Senhora do Rosario para abrandar a guerra, e que por terem sido presas no dia 13 não se veriam no proximo mez, os mesmos signaes, e que o milagre seria mais conhecido. Mas que Ella viria no dia 13 de Setembro à Cova da Iria, e que fossem as creanças tambem lá.

DCF III-1, Doc. 129 · nota · depois de 19 out. 1917 (2 meses depois)Digitalizações (4)Ligação

13 de setembro de 1917 3 relatos

13 set.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntes
Transmitido por: Manuel Pedro Marto (pai de Francisco e Jacinta), depoimento ajuramentado perante a comissão canónica (Dr. Manuel Nunes Formigão, relator)

Ouviu dizer às crianças que Nossa Senhora havia de dizer em outubro o que é que queria e havia de fazer um milagre para que todo o povo acreditasse.

13 set.Testemunho diretoViuCartaPalavras dos videntes

Pois aquelle homem não saberá que as creanças diziam que Nossa Senhora havia de fazer um signal com que todo o povo acreditasse que era Ella que apparecia.

Em 27 de Setembro ouvi essa predição da bocca das creanças e a 13 de Outubro vi o signal e vi que todo o povo acreditou.

DCF III-1, Doc. 166 · carta · 27 set. 1917 (2 semanas depois)Digitalizações (2)Ligação

13 de outubro de 1917 10 relatos

13 out.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Manuel Pereira da Silva (pároco de Monte Redondo)

As pequenas disseram que apareceu N. Senhora do Rosario. Depois apareceu (quando o sol deu signal) S. José. As pequenas disseram que este dissera que hoje, ou breve, seria arvorada a bandeira da paz16; que resassem o terço que em breve cá teriam as nossas tropas; que fizessem penitencia, que mudassem de vida porque, de contrario, se acabaria o mundo.

Notas dos editores (2)

10 C Acabado êle, preguntaram as pequenas. Como se vê, o Autor trata os videntes, Lúcia, Francisco e Jacinta, ora por as pequenas ora por os pequenos, imprecisão que se repete adiante. Igualmente impreciso é o plural perguntaram (preguntaram), pois só Lúcia falava com a aparição.

16 O Pe. Manuel Pereira da Silva volta a mostrar como era precária a sua fonte de informação, quando atribui a S. José (este dissera) a notícia do fim da guerra. Note também o leitor a hesitação sobre a data. Escreve: "hoje ou em breve". Vê-se que, no mesmo dia 13 de Outubro, corriam já versões diferentes.

13 out.Testemunho indiretoViuNotícia de imprensaPalavras dos videntes
Transmitido por: Correspondente não identificado do Diário de Notícias em Vila Nova de Ourém

As crianças levantaram-se, sorridentes, e explicaram aos seus anciosos ouvintes que a “Senhora” lhes dissera que a paz viria breve e que não tardaria o regresso dos nossos bravos soldados que em França se batem heroicamente.

DCF III-1, Doc. 89 · notícia de imprensa · 13 out. 1917DigitalizaçãoLigação
13 out.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Adelaide de Sousa Holstein

N. S. disse que era a Senhora do Rosario que vinha trazer a paz, que ainda este anno acabava a guerra e que breve cá tínhamos os nossos soldados. Que se lhe fizesse ali uma Capella, que rezassemos muito o terço, e que nos emendássemos porque temos ofendido muito a Deus!!!

DCF III-1, Doc. 92 · carta · 16 out. 1917 (3 dias depois)DigitalizaçãoLigação
13 out.Testemunho indiretoViuNotícia de imprensaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Domingos Pinto Coelho (A Ordem), a partir de pessoas fidedignas, não identificadas, que ouviram as crianças

Tres pequenos pastores, (um rapaz e duas raparigas) dizem que uma Senhora lhes apparece, d'extrema belleza. As visões teem occorrido nos dias 13 de cada mez a partir de maio.

São rudes as creanças e pouco falladoras. Antes das visões, reaes ou pretensas, respondem com grande difficuldade ás perguntas. Immediatamente depois, fallam com muito mais firmeza e facilidade e dizem pessoas fidedignas, que as ouviram no dia 13 ultimo, que ellas affirmavam ter-lhes n'esse dia apparecido mais uma vez Nossa Senhora recommendando aos fieis que fizessem penitencia e rezassem muito e lhe erigissem uma capella modesta no logar das apparições, promettendo para breve a paz e o regresso dos soldados portuguezes.

DCF III-1, Doc. 97 · notícia de imprensa · 16 out. 1917 (3 dias depois)Digitalizações (2)Ligação
13 out.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Carlos Silva (carta a O Mensageiro)

Diz uma das meninas: Já lá está Nossa Senhora! Fechem os chapeus e resem...

[…]

Pouco depois as meninas disseram o que Nossa Senhora lhes tinha dito:

— A guerra acaba por estes dias; brevemente os nossos soldados regressam a Portugal; os homens devem ser bons uns para os outros; rezem o terço e façam uma capela pois que sou a Senhora do Rosario.

DCF III-1, Doc. 122 · notícia de imprensa · 18 out. 1917 (5 dias depois) · também publicado em DCF III-2, Doc. 390ADigitalizações (2)Ligação
13 out.Testemunho indiretoViuArtigo da testemunhaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Maria José de Lemos Queirós (peregrina presente a 13 de outubro)

Lúcia, de 10 a 11 anos, é que fala; os outros, Jacinta, a mais nova, e Francisco, irmãos um do outro e primos de Lúcia, diziam ter visto uma Senhora muito linda, toda vestida de branco com uma nuvem aos pés.

[…]

A sua aspiração era mais modesta; apenas em muito simples palavras agora afirmavam terem visto uma Senhora muito linda, de mãos postas e vestida de branco, que lhes disse que deviam naquele local mandar construir uma capela com a denominação de Nossa Senhora do Rosário; que se deixassem de ofender a Deus, que já estava de mais ofendido! Que a guerra ia acabar, e que viriam os nossos soldados.

Anteriormente, a mesma Senhora lhes dissera uma coisa que a pastorinha Lucia não pode revelar.

DCF Seleção, Doc. 23 (= DCF I, Doc. 41) · notícia de imprensa · 30 out. 1917 (2 semanas depois)Digitalizações (3)Ligação
13 out.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Laura Avellar (moradora de Fátima), por intermédio de Maria de Jesus d'Oriol Pena Raposo

As pequenas não esperam que N. Sra. torne a apparecer.

Mandou rezar muito o terço para desaggravar o seu filho que estava muito offendido.

N. Sra pousava sobre a carrasqueira e não sobre nuvens.

Trazia as mãos postas e abria-as para fallar (como N. Sra. das Graças) Pendendo-lhe das mãos um terço. Depois de N. Sra. desapparecer, quando olharam para o Sol é que lá A viram com S. José abençoando o povo, e o menino Jesus. Mas só em meio corpo e de differentes côre

DCF III-1, Doc. 198 · carta · out. 1917 (2 dias depois)Digitalizações (2)Ligação
13 out.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Senhora não identificada, assinante do Raio de Luz

Estive com as duas pequenitas que iam vestidinhas de branco com umas corôasinhas muito singelas nas cabecinhas. Disséram-me que Nossa Senhora lhes apareceu com S. José e o Menino ao pé, disse que era a Senhora do Rosario, que o rezassem muito, que isto era um aviso mas que se se não arrependessem e continuassem a offender o seu Divino Filho, Este mandaria um grande castigo a Portugal.

As duas pequenas em separado, fizeram a descripção da visão da mesma fórma e a Lucia, que, dado a sua pouca edade deveria estar doida no meio d'aquelle alvoroço de que se via rodeada, ia dizendo a todos em voz clara e sem se alterar, á medida que ia passando (ao collo do pae) — o que Nossa Senhora lhe disséra

DCF III-1, Doc. 250 · notícia de imprensa · out. 1917 (2 dias depois)DigitalizaçãoLigação
13 out.Testemunho indiretoViuDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntes
Transmitido por: Luís António Vieira de Magalhães e Vasconcelos, por intermédio de Emílio Infante da Câmara

Quase no momento da partida encontrei o meu amigo Emílio Infante da Câmara que me disse ter ido ver as pastoras e que estas tinham dito: que a guerra acabaria brevemente, ou que acabaria de ali a oito dias (não posso precisar). Disse-me também que elas estavam vestidas com “toiletes” de primeira Comunhão.

DCF Seleção, Doc. 32 (= DCF I, Doc. 28) · depoimento · 30 dez. 1917 (3 meses depois)DigitalizaçãoLigação
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