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DCF III-1, Doc. 55
A – Original desaparecido3.
B – AEL, Documentos de Fátima, J1-3. Cópia com comentários, feita pelo autor, em 19324.
C – ASF - Cópia dactilografada encontrada no espólio do Pe. António Pereira d'Almeida.
Bem dita e amada seja Nossa Mãe Santíssima!
Meu caro
O prometido é devido. Escrevo-lhe de Monte Redondo às 9 e 1/2 da noite de 13 do corrente.
Ao meio dia estavam na Fatima mais de noventa automoveis, uma infinidade de carros de todos os tamanhos, formas e feitios, e uma multidão enorme de pessoas (multitudo magna ... ex omnibus gentibus (?) et linguis (?)). Tudo molhadinho, encharcado, a escorrer mas alegre.
Cerca do meio dia vieram as pequenas ao local e começaram, como de costume, resando o terço. Acabado elle, perguntaram os pequenos10 a N. Senhora do Rosario se dava o tal signal prometido. Imediatamente apareceu o sol com a circunferencia bem definida. Aproxima-se como que até á altura das nuvens e começa girando sobre si mesmo vertiginosamente como uma roda de fogo prêso, com algumas intermitencias, durante mais de oito minutos. Ficou tudo quasi escuro e as feições de cada um eram amareladas. Tudo ajoelhou mesmo na lama.
Em todo o tempo, aqui e além, cantava-se, rezava-se, etc. Tudo saiu satisfeito. As pequenas disseram que apareceu N. Senhora do Rosario. Depois apareceu (quando o sol deu signal) S. José. As pequenas disseram que este dissera que hoje, ou breve, seria arvorada a bandeira da paz16; que resassem o terço que em breve cá teriam as nossas tropas; que fizessem penitencia, que mudassem de vida porque, de contrario, se acabaria o mundo.
Ai! que me parece que é N. Senhora quem ainda ampara este barco com a sua omnipotencia suplicante!
Seu
Pe. Silva
Docs. 56 a 68
1917-10-13
Treze fotografias tiradas na Cova da Iria, no dia 13 de Outubro de 1917, por Judah Bento Ruah
A - ASF - Arquivo fotográfico
A série de fotografias indicadas nos documentos seguintes tem sido atribuída a Joshua Benoliel, jornalista e fotógrafo de "O Século" e "Ilustração Portuguesa", desde 1906. Nasceu em Lisboa a 13 de Janeiro de 1873 e faleceu a 3 de Fevereiro de 1932 (cf. mais desenvolvida biografia de Joshua Benoliel em Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. IV, p. 533-534). De facto, as fotografias publicadas em "Ilustração Portuguesa" (Doc. 228, de 29 de Outubro de 1917), são identificadas como "Clichés" Benoliel. No entanto, sabe-se pelo próprio Avelino de Almeida que não foi Benoliel o fotógrafo que o acompanhou, pois se encontrava doente, mas Judah Bento Ruah: "Por um facil equivoco, o trem que nos devia conduzir, a Judah Ruah e a mim, até á vila, não apareceu e decidimo-nos a calcorriar corajosamente cerca de duas leguas [...]" (cf. Doc. 87, de 15 de Outubro de 1917). Judah Bento Ruah, filho de Hassan Bento Ruah e de Sol Benshaia Ruah, nasceu a 28 de Março de 1892, em Faro. Foi para Lisboa com oito anos. Freqüentou o Liceu Passos Manuel, seguindo depois para o Instituto Superior Técnico, onde se formou como engenheiro electrotécnico. Emigrou para Moçambique, depois da guerra. Regressou a Portugal, vinte anos depois. Foi Director dos Serviços Técnicos da Câmara Municipal de Lisboa. Faleceu em Lisboa a 16 de Maio de 1958. (Informações fornecidas pelo Dr. David Micael Benoliel e sua filha Luna Ruah Benoliel, respectivamente filho e neta de Joshua Benoliel).
"A 22 de Maio de 1947, e por causa de trabalhar na sua obra, Fátima à luz da História, Lisboa, Portugália Editora, 1948, Costa Brochado adquire os clichés que, também em parte, aproveitou para publicar. No dia 9 de Julho de 1978, ele os entregou ao autor desta obra para poderem ser reproduzidos na íntegra [...]. Os clichés estão em boas condições, com quanto o tempo tenha deixado neles os seus vestígios. Apenas um [...] aparece partido." (De uma nota escrita pelo Pe. Dr. Joaquín María Alonso e que se encontra entre a documentação preparatória desta obra). Por seu lado, o Pe. Luciano Coelho Cristino redigiu uma nota do seguinte teor: "O Padre Joaquín María Alonso, num dado momento, disse-me: a partir de hoje as fotos são pertença do Santuário de Fátima. Confirmou-me em Agosto de 1981 que lhe foram entregues por Costa Brochado, para o Santuário de Fátima".
Notas dos editores
De facto o Pe. Joaquim Duarte Alexandre, nasceu em Monte Real a 6 de Março de 1879; foi pároco de Pala, Marinha Grande, Mata Mourisca, Fermentelos, Avelãs e Santa Cruz de Coimbra (CARREIRA, José - O clero da diocese de Leiria e o seu passado, Leiria, [s.l.], [s.e.], 1984, p. 534-535.
Aparato crítico e remissões (15)
As notas dos editores sobre correções, rasuras, variantes dos manuscritos e referências a outros documentos. As suas chamadas não aparecem no texto acima.