Explorar / Relato

Jacinta Marto · 13 de maio de 1917

Vidente
13 mai.Testemunho indiretoViuCartaFiguras / visõesPalavras dos videntes
Transmitido por: Beatriz Gorjão (carta copiada textualmente por Anita)

Perguntamos-lhe como era e como estava vestida N. Senhora: e a pequena sem a mais pequena exitação e querendo explicar ao vivo, põe-se em pé e diz que N. Senhora era da sua altura; aperta um pouco a saia em baixo para explicar que N. Senhora trazia o vestido um pouco mais estreito em baixo, depois com grandes esforços tenta chegar a saita d'ella aos pés mostrando que o vestido era comprido.

Explica depois que N. Senhora não trazia veu, mas um manto que lhe cahia da cabeça até, segundo o gesto da pequenita, a 3 ou 4 dedos acima da tunica; estava toda de branco (sem a facha azul) as mãos erguidas a pequena para melhor explicar, tirou-me o terço das mãos enfiando-o na mãozita d'ella entre o dedo pulgar, levantou as mãos imitando o gesto de N. Senhora de Lourdes e separando-as um pouco enseguida disse: quando fallava ficava assim: Tinha na cabeça uma coisa de muitas côres. A mesma explicação nos deu a mais velha e o pequenito que depois encontramos. Uma mulherzita perguntou-lhe se em tantas senhoras que viu no dia 13 e entre tantas que a teem visitado, encontrou alguma tão bonita como a senhora do Ceu, a pequena disse que tão bonita nunca viu nenhuma, e o pequeno a quem depois perguntamos o mesmo disse: que tão bonita não havia nenhuma no mundo. Pedimos que nos contasse como tinha sido a primeira apparição: A pequenita explicou que andavam a guardar as ovelhas que pertencem à familia da Lucia (a outra vidente) na terra do Tio Abobera de repente viram um relampago e tiveram medo, muito mêdo, quando estavam de joelhos a rezar, viram a Senhora na Azinheira e logo outro relampago, o rebanho foi para os chicharros11 e a dona d'elles gritava de longe — “volta-me essas ovelhas” — mas a senhora disse: (a pequena tentou tornar a vóz mais doce) “não voltem as ovelhas que ellas não comem nada.

Então a Lucia perguntou: “Quem é Vocemecê?” — “Eu sou a Mãe do Céu” — “O que quer à gente?” - “Que aqui vanham n'este dia durante 6 mezes, no fim dos 6 mezes direi o que quero. Rezem o terço.” —

Depois appareceu o dono dos chicharros, que a mulher foi chamar, vinha ralhar porque é muito mau, mas não ralhou nada porque viu que os chicharos não estavam comidos.

Notas dos editores (1)

11 chicharros, sublinhado no texto. O termo exacto é chícharos, planta leguminosa.

DCF III-1, Doc. 197 · carta · out. 1917 (5 meses depois)Digitalizações (4)
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