Concluido o interrogatorio do Francisco, chamei de parte a Jacinta, que andava a brincar na rua com outras creanças, fi-la sentar num banquinho ao pé de mim e submeti-a também a um interrogatorio logrando obter della respostas completas e minuciosas como as do irmão.
– Tens visto Nossa Senhora no dia treze de cada mez desde Maio para cá?
– Tenho visto.
– Donde é que ella vem?
– Vem do Ceu, do lado do sol.
– Como está vestida?
– Tem um vestido branco, enfeitado a ouro, e na cabeça um manto tambem branco.
– De que côr são os cabelos?
– Não se lhe vêem os cabelos, que estão cobertos com o manto.
– Traz brincos nas orelhas?
– Não sei, porque tambem não se lhe vêem as orelhas
– Qual é a posição das mãos?
– As mãos estão postas á altura do peito, com os dedos voltados para cima.
– As contas estão na mão direita ou na esquerda?
A esta pergunta a creança responde primeiro que estavam na mão direita, mas em seguida, devido a uma insistencia propositada e capciosa da minha parte, mostra-se perplexa e confusa, não sabendo precisar bem qual das suas mãos correspondia á mão que a Apparição segurava o rosario.
– O que foi que Nossa Senhora recommendou á Lucia com mais empenho?
– Mandou que rezassemos o terço todos os dias.
– E tu reza-lo?
– Rezo-o todos os dias com o Francisco e com a Lucia.