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DCF III-1, Doc. 105
Carta de Maria de Jesus d'Oriol Pena Raposo1 a Maria Joaquina Tavares Proença d'Almeida Garrett, sobre os acontecimentos do dia 13 de Outubro de 1917.
A - Desaparecido (?); AAMM - Pasta 28 (antiga pasta 25), Doc. 1 (fotocópia; a transcrição que aqui apresentamos foi feita com base nesta fotocópia)
Publ: MARTINS, António Maria, S.J., Fátima, caminho da paz, Porto, Livraria Apostolado da Imprensa, 1983, p.29-30 (com actualização ortográfica)
[sobrescrito, frente]: Ex.ma Snra D. Ma Joaquina Tavares Proença d'Almeida Garrett Praia da Granja
“Carvalhaes 17/10/1917
Exma Snra e
Mtº prezada Amiga
V. Exa nada tem que me agradecer; n'um caso desta ordem, quem se não faria em quatro para contentar e consolar todos, no limite das suas fracas posses?!... Eu felicito-me sinceramente se d'alguma maneira a poude consolar com a vista da criança priviligiada, minha querida Senhora, e ainda não estou em mim do assombro em que me deixou o milagre estupendo, a maravilha inesperada que tive a dita de contemplar sendo tão indigna de tão grande graça!
Sabe que d'esta vez appareceu a Sagrada Família? E que o phenomeno do Sol se deu, quando N.S.a disse à pequenita: “Manda o povo olhar para o sol”?! — Não me consta que haja mais nenhuma apparição anunciada, mas não resistirei muito tempo sem ir fallar com as ditosas creanças. A criança respondeu a um padre que lhe perguntava porque é que ella não estava sempre a olhar para a visão e abaixava os olhos: “Não, que Ella cega”! Explicando assim o brilho e a belleza da Senhora.
É certo N.S.a ter mandado que continuassem rezando muito o terço. Parece que de todas as vezes tem feito esta recomendação. Disse que queria alli uma Capella, que a guerra acabaria muito breve, o que já tinha promettido das outras vezes. Mas também disse que se depois d'este signal, d'este aviso, o povo se não emendasse, um grande castigo viria a Portugal.
Um desgraçado que foi para lá com uma navalha, dizendo que se não visse nada matava as crianças; voltou de lá doente, já não poude seguir para a sua terra, ficou aqui nos Riachos (logar que fica a dez minutos da quinta) e pela manhã foi encontrado morto! Tudo isto arrepia e faz estremecer, não é verdade?
Não sei que haja ninguém ainda encarregue de recolher esmolas; varias pessoas vi eu entregar ao Prior dinheiro para a Capella e se V. Exa quizer, da melhor vontade me encarrego de receber o que d'ahi mandar, para lh'o fazer chegar ás mãos.
Tudo me parece um sonho e afigura-se-me que não dei o devido valor, que não beijei as creanças com aquella reverencia e comoção devida a quem tinha estado em colloquio com a Rainha do Céo e da terra! Ai minha querida amiga, um paiz que recebe uma graça tão espantosa e sobrenatural não póde morrer. Assim tôdos a reconheçam e se verguem á verdade d'um facto tão evidente e irrefutavel, me parece.
Abraço-a e á sua querida filha e felicito o José pelo desempenho da sua missão de apóstolo. Todos temos que o ser d'oravante.
Dê V. Exa sempre as suas ordens, que [sobre o texto desta página, a atravessar] muito gostosamente cumprirá, a
De V. Exa
Mtº sinceramente amiga e grata
M.a de Jesus d'Oriol Pena Rapozo
Notas dos editores
Aparato crítico e remissões (3)
As notas dos editores sobre correções, rasuras, variantes dos manuscritos e referências a outros documentos. As suas chamadas não aparecem no texto acima.