Testemunhas /

Maria de Jesus d'Oriol Pena Raposo

Aristocrata

D. Maria de Jesus Xavier de Figueiredo de Mello de Oriol Pena Raposo, da Quinta de Carvalhais, perto de Torres Novas (morreu em 1932). Esteve na Cova da Iria a 13 de agosto de 1917, visitou os videntes com o pároco a 21 de agosto, convidou o inspetor escolar João Serra a acompanhá-la a 13 de outubro e voltou a ver os videntes a 26 de outubro.

Residência: Quinta de Carvalhais, Riachos (Torres Novas)A região em redorAtitude prévia: crente5 relatos

13 de agosto de 1917 1 relato

13 ago.Testemunho indiretoViuCartaNuvem / coluna de fumo
Transmitido por: Gonçalo de Almeida Garrett

Esteve aqui a Sra D. Maria de Jesus Raposo. Diz que esteve em Fátima no dia 13 agosto (em q. não estavam as creanças) de 1917. A manifestação do fumo foi muito maior, como uma especie de globo que envolveu a azinheira.

DCF III-2, Doc. 381 · carta · 29 set. 1918 (14 meses depois)Digitalizações (2)Ligação

13 de outubro de 1917 3 relatos

13 out.Testemunho diretoViuCarta

Eu felicito-me sinceramente se d'alguma maneira a poude consolar com a vista da criança priviligiada, minha querida Senhora, e ainda não estou em mim do assombro em que me deixou o milagre estupendo, a maravilha inesperada que tive a dita de contemplar sendo tão indigna de tão grande graça!

[…]

Tudo me parece um sonho e afigura-se-me que não dei o devido valor, que não beijei as creanças com aquella reverencia e comoção devida a quem tinha estado em colloquio com a Rainha do Céo e da terra!

DCF III-1, Doc. 105 · carta · 17 out. 1917 (4 dias depois)Digitalizações (2)Ligação
13 out.Testemunho indiretoViuCartaA chuva a pararDisco pálido / prateadoSol a cairSol a girarSol a mudar de corCores nas pessoas e na paisagem
Transmitido por: Teresa Francisca de Melo Breyner de Sousa Tavares e Moura

N'isto chegou o correio com uma carta d'ella para a Piedade7, que esta começou logo alli a ler alto, em que ella lhe contava o que presenceou, juntamente com quarenta mil pessoas, que é o que ella diz terem-se juntado alli n'aquelle dia. Vou-te fazer um resumo do que ella conta. Diz que toda a manhã tinha chovido, mas que perto das duas horas da tarde appareceu o sol atravez das nuvens, e que a essa hora, — que teem sido sempre a das apparições, — vio de repente as pessoas, que rodeavam mais de perto as creanças, voltarem-se e olharem para o sol. Soube depois que a pequena lhes tinha dito que N. Sra. lhe dissera: "manda o povo olhar para o sol". Olharam todos e viram um disco prateado, luminoso mas que se podia fitar sem o mais pequeno esforço, que ella compara com um espelho pequeno, destacar-se ou sobrepôr-se ao sol e começar descendo com um movimento de rotação, parar, e recomeçar com o mesmo movimento. Em volta d'este disco, uma nuvem linda, ora côr de rosa, ora amarella, ora roxa, que coloria as caras dos circumstantes e tudo quanto os rodeava, e em volta d'isto, o horizonte como que limitando-se n'um circulo amarello, em volta do qual uns arcos todos eguaes e a egual distancia uns dos outros, que ella representa assim

Este phenomeno foi presenciado por toda aquella multidão, porque já alguns jornaes, como o Diario de Noticias, o Dia e a Ordem o contam por testemunhas oculares. Acabada a apparição, as pequenas contaram que N. Sra. lhes tinha apparecido com S. José e o Menino Jesus à direita, e lhes tinha dito que queria que alli lhe erigissem uma pequena capella, que aquellas apparições eram uma prova de que protegia Portugal, mas que era preciso que todos rezassem e fizessem penitencia, porque senão uma grande castigo cairia sobre Portugal. Que a guerra acabaria em breve, mas sobre este ponto a carta é um pouco confusa, por isso não te posso repetir o que ella diz. Disse tambem que era N. Sra do Rozario. Tudo isto a pequena repetio em voz sonora e pausada, sem mostrar o menor embaraço por se ver rodeada de milhares de pessoas. E a mais pequena, que tem seis annos, mesmo separada da outra, disse exactamente a mesma cousa, sem se desdizer n'um só ponto.

[…]

A M. de Jesus diz que um impio se converteu alli mesmo, gritando: "eu creio, eu creio, eu creio!".

Notas dos editores (1)

7 Maria da Piedade de Mendonça Amaral, mãe de Maria de Lurdes de Mendonça Amaral Leitão. Proprietária da Casa de Urros, em Mateus, a 500 metros da Casa de Mateus.

DCF III-1, Doc. 107 · carta · 17 out. 1917 (4 dias depois)Digitalizações (2)Ligação

Outros acontecimentos de 1917 1 relato

Outros de 1917Testemunho diretoCartaPalavras dos videntes

Recebi a sua carta quando ia metter-me no automovel para partir para a Fatima; assim, poude na passagem por Torres Novas receber o dinheiro que entreguei em mão ao Rdo Prior de Fatima, não sem grande protesto da parte d'este, que me mostrou um officio contendo todas as instrucções do Exmo Arcebispo de Mytilene sobre esse assumpto e entre ellas a recommendação expressa de não receber donativos; que deveria de preferencia deixar que pessoas de reconhecida probidade guardassem em seu poder, mas nunca elle.

Depois de muito argumentar e provando-lhe que se não tratava de nada meu, lá lhe deixei o dinheiro, dizendo-lhe que o entregasse ao Exmo Sr. Arcebispo se assim o entendesse e deixei escripto por fóra a origem e proveniencia6. Cada vez me impressiona melhor a simplicidade e sinceridade d'aquelle bom Parocho a quem li a carta de V. Exa e logo me disse que o livro que sabia havia em caza da familia, era a "Missão Abreviada" aonde effectivamente vem na instrucção 12a uma pequena noticia sobre a apparição de La Salette. A pequena mais velha disse-me que só muito depois de N. Sra lhe apparecer lh'a tinham contado e os outros pequenos, nem pouco mais ou menos sabiam do cazo. A mãe lê alguma cousa; a pequena anda agora na eschola e não consegui que nos quizesse accompanhar ao local sem licença da mãe. Foi preciso o prior mandar-lh'a pedir a caza. A Lucia está estafada d'audiencias e inquirições que começam ao romper d'alva e acabam noute fóra. Disse-me o prior que se o tivessem martyrisado assim a elle com perguntas, já estaria doudo. Diz que a pequena sobretudo quando vêem Padres, já a sua vontade é fugir, tanto a massacram com perguntas e repetições.

O rapazinho, que é irmão da pequenina Jacintha e primo da Lucia, é que hontem8 me deixou uma optima impressão: olhar muito brilhante, cara muito alegre, muito á vontade, confirmou (a sós é que foi entrevistado por nós) que a Lucia dissera no momento do milagre: Olhem para o Sol. Mas a Lucia diz e sustentou que se não lembrava, nem de N. Sa lh'o ter dito, nem de ella o têr repetido. Mas o facto é que mais pessoas fidedignas que estavam ao pé d'ella o affirmam. Eu creio que a pequena se perturba, à força de exgotada e cansada.

O que ella confirma é ter-lhe N. Sra dito que a guerra acabava n'aquelle dia quando Ella chegasse ao Céo e que muito breve os militares voltariam para as suas famílias. Diz que não está bem certa se N. Sra lhe disse que era N. Sra Rosario ou se queria a Capella a N. Sra do Rosario, que foi uma das cousas.

O segredo, não lhe disse que o dissesse a ninguem10 e continuam na mesma tenacidade em o guardar.

O pequeno, offerecendo-lhe as pessoas que iam commigo tudo quanto se lembraram, e recusando tudo, acabou por dizer muito enthusiasmado: "Nem que me dêem o mundo". O pae d'este e da pequenina é muito crente, diz o Parocho que se pecca, é por exaggero; mas o da Lucia, esse é effectivamente alcoolico e pouco religioso; a pequena diz que elle reza ás vezes, mas pouco se importa com isso, creio.

É certo alguns carbonarios de Santarem terem ido á Fatima na noute de 22 para 23 e trazerem de lá o que restava da carrasqueira; que eu vi cortada12; e até a pequena Lucia, com uma navalhinha me cortou umas lascasinhas do que restava do troço que não chega a ter um palmo fóra da terra. Levaram o arco, o banco, as lanternas, emfim tudo o que lá encontraram e no dia 24 fizeram uma farça de procissão, que indignou todos os catholicos.

Notas dos editores (5)

1 Freguesia de Riachos, concelho de Torres Novas.

6 No Arquivo Episcopal de Leiria, encontra-se um apontamento manuscrito do padre Manuel Marques Ferreira, pároco de Maceira (de Junho de 1920 a Fevereiro de 1927), não datado, mas seguramente posterior à entrada de D. José Alves Correia da Silva na diocese de Leiria (5 de Agosto de 1920), no qual se regista: "Dinheiro que tenho em meu poder destinado ás despezas a fazer na construção da Capella em honra de N. Senhora, da Cova da Iria em Fatima. Entregue por D. Maria de Jesus Raposo de Torres Novas, produto d'uma quette, apoz uma conferencia feita por Dr. Garrett fº (Granja): 50:500 [...] Pe. Manuel Marques Ferreira Prior de Maceira e antigo parocho de Fatima -" (AEL, L1-79). O aditamento e antigo parocho de Fatima é letra do bispo de Leiria. Cremos que este apontamento se refere precisamente ao dinheiro entregue ao pároco de Fátima, a 26 de Outubro de 1917.

8 Dia 26 de Outubro de 1917.

10 A autora deveria querer dizer: "O segredo, disse-lhe que o não dissesse a ninguem [...]"; ninguem, sublinhado no texto.

12 A Autora esteve no local das aparições. Cremos que foi precisamente no dia 26 de Outubro, que foi tirada a fotografia aos videntes e outras seis pessoas (Doc. 186, de 26 de Outubro de 1917).

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