Explorar / Relato

Maria de Jesus d'Oriol Pena Raposo · 13 de outubro de 1917

Aristocratasenhora de Torres Novas
13 out.Testemunho indiretoViuCartaA chuva a pararDisco pálido / prateadoSol a cairSol a girarSol a mudar de corCores nas pessoas e na paisagem
Transmitido por: Teresa Francisca de Melo Breyner de Sousa Tavares e Moura

N'isto chegou o correio com uma carta d'ella para a Piedade7, que esta começou logo alli a ler alto, em que ella lhe contava o que presenceou, juntamente com quarenta mil pessoas, que é o que ella diz terem-se juntado alli n'aquelle dia. Vou-te fazer um resumo do que ella conta. Diz que toda a manhã tinha chovido, mas que perto das duas horas da tarde appareceu o sol atravez das nuvens, e que a essa hora, — que teem sido sempre a das apparições, — vio de repente as pessoas, que rodeavam mais de perto as creanças, voltarem-se e olharem para o sol. Soube depois que a pequena lhes tinha dito que N. Sra. lhe dissera: "manda o povo olhar para o sol". Olharam todos e viram um disco prateado, luminoso mas que se podia fitar sem o mais pequeno esforço, que ella compara com um espelho pequeno, destacar-se ou sobrepôr-se ao sol e começar descendo com um movimento de rotação, parar, e recomeçar com o mesmo movimento. Em volta d'este disco, uma nuvem linda, ora côr de rosa, ora amarella, ora roxa, que coloria as caras dos circumstantes e tudo quanto os rodeava, e em volta d'isto, o horizonte como que limitando-se n'um circulo amarello, em volta do qual uns arcos todos eguaes e a egual distancia uns dos outros, que ella representa assim

Este phenomeno foi presenciado por toda aquella multidão, porque já alguns jornaes, como o Diario de Noticias, o Dia e a Ordem o contam por testemunhas oculares. Acabada a apparição, as pequenas contaram que N. Sra. lhes tinha apparecido com S. José e o Menino Jesus à direita, e lhes tinha dito que queria que alli lhe erigissem uma pequena capella, que aquellas apparições eram uma prova de que protegia Portugal, mas que era preciso que todos rezassem e fizessem penitencia, porque senão uma grande castigo cairia sobre Portugal. Que a guerra acabaria em breve, mas sobre este ponto a carta é um pouco confusa, por isso não te posso repetir o que ella diz. Disse tambem que era N. Sra do Rozario. Tudo isto a pequena repetio em voz sonora e pausada, sem mostrar o menor embaraço por se ver rodeada de milhares de pessoas. E a mais pequena, que tem seis annos, mesmo separada da outra, disse exactamente a mesma cousa, sem se desdizer n'um só ponto.

[…]

A M. de Jesus diz que um impio se converteu alli mesmo, gritando: "eu creio, eu creio, eu creio!".

Notas dos editores (1)

7 Maria da Piedade de Mendonça Amaral, mãe de Maria de Lurdes de Mendonça Amaral Leitão. Proprietária da Casa de Urros, em Mateus, a 500 metros da Casa de Mateus.

DCF III-1, Doc. 107 · carta · 17 out. 1917 (4 dias depois)Digitalizações (2)
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