Em treze de julho os pais foram também à Cova da Iria, indo as crianças adiante. Um indivíduo da freguesia, de nome Matias, barbeiro2, ao ver o pai das crianças, chamou-o para junto da azinheira onde já estava a mulher. Os três videntes iam sempre juntos. A princípio conservaram-se de pé, depois ajoelharam, tendo a Lúcia mandado fechar os chapéus que estavam abertos por causa do sol. O povo estava na sua maior parte por trás dos videntes. E estes num dado momento levantaram-se e depois tornaram a ajoelhar-se. Ouviram uma voz vinda do local ao pé da carrasqueira que disse: – “Que me quereis hoje?” Esperou um momento e depois disse: “Então não me quereis hoje nada?” A Lúcia disse, o que o pai ouviu: “Eu o que queria – ai! Nossa Senhora!”, e pediu a cura e a conversão de diversas pessoas, não se recordando o pai o nome delas.
A Lúcia depois acrescentou: “diz que nem todas melhoram, porque algumas são más”. Declarou ainda que a Senhora tinha dito que rezassem todos o terço e que a guerra em breve ia acabar. Estavam então as crianças de joelhos, a Lúcia levantou-se rapidamente, ficando o vestido em balão, e disse apontando: “Olhem para acolá, se a querem ver” – e acrescentou logo: “Já não vão a tempo”. Ela estava voltada quase ao poente e voltou-se para o nascente a indicar a Senhora que se retirava. Fazia muita calma e logo depois o tempo tornou-se fresco. Logo que elas se levantaram, muitas pessoas fizeram perguntas, tiraram raminhos da carrasqueira e interrogaram as crianças. O pai pegou na Jacinta ao colo para atravessar mais facilmente por entre a multidão. Ela disse ter visto outra vez Nossa Senhora.
Notas dos editores (1)
2 Manuel Rodrigues Matias. Era considerado um homem entendido na cura de maleitas. Era o encarregado do Posto do Registo Civil, que funcionava em sua casa, na Amoreira.