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DCF Seleção, Doc. 9 (= DCF I, Doc. 45)

17 set. 1917Cortes (Reixida)interrogatórioPe. António dos Santos AlvesOriginalmente DCF I, Doc. 45
Índice (6 secções)
  1. 1ª aparição
  2. 2ª aparição
  3. 3ª aparição
  4. 4ª aparição
  5. 5ª aparição – Dia 13 de setembro
  6. 6ª Aparição dia 13 de outubro

depois de 17 set. 19171, Cortes

Depoimento do Pe. António dos Santos Alves2, pároco das Cortes, sobre a conversa com Lúcia e Jacinta, em Reixida, freguesia das Cortes, com aditamento posterior sobre a sexta aparição.

Publ.: DCF, I - Docs. 45

Videntes da Fátima – interrogadas no dia 17 de setembro de 1917 Lúcia, filha de António dos Santos Abóbora, de idade 9 anos, Jacinta de idade de 7 anos, filha de Manuel dos Santos Marto, e Francisco dos Santos Marto, de idade de 9 anos, irmão da Jacinta.

1ª aparição

O que diz a Lúcia interrogada na presença da Jacinta que pouco diz: Que no dia 13 de maio de 1917, andando os três pastoreando as suas ovelhas, no sítio da Cova da Iria, limite da Fátima, depois de haverem merendado (isto é jantado) foram, segundo o seu costume, rezar o terço a Nossa Senhora e que quando já tinham quase terminado o oferecimento do mesmo, viram um relâmpago que os amedrontou, pelo que a Lúcia convidou os outros a retirar dizendo-lhes: vamos-nos embora porque está a trovejar; nisto viram um outro relâmpago e na sua frente uma Senhora extremamente bela vestida de branco, com um manto igualmente branco, mas dourado e com um resplendor na cabeça fazendo lembrar o resplendor do sol, mas mais brilhante; como que pousou sobre uma pequena carrasqueira, de pé, com as mãos postas donde pendiam umas contas brancas, mas lindíssimas. Ficaram aterrados com a visão, mas a Senhora tranquilizou-os dizendo-lhes, que não tivessem medo porque não lhes fazia mal, nisto a Lúcia perguntou-lhe quem era e o que queria ao que Ela respondeu, que fossem ali durante seis meses no mesmo dia treze e que no último dia lhe diria quem era e o que desejava. Em seguida começou a desaparecer lentamente, primeiro pela cabeça, braços e o resto do corpo até aos pés que foi a última coisa a desaparecer.

2ª aparição

No dia de Santo António (a 13 de junho). Neste dia houve uma festa na Fátima à qual a mãe da Lúcia (e não sei se também a do Francisco e da Jacinta queria que fossem assistir, mas em obediência ao que lhe tinha recomendado no mês anterior, deixaram a festa para irem ao local da aparição, onde se encontraram com algumas pessoas desconhecidas e apenas umas 3 ou 4 conhecidas. Um pouco mais ou menos pela mesma hora do mês anterior aparece-lhes a mesma visão pela mesma forma e desta vez disse-lhes que continuassem a ir ali nos meses seguintes; que aprendessem a ler; e disse-lhes um segredo, que lhes proibiu revelar fosse a quem fosse. – Dias depois próximo do sítio da aparição andando os três com o seu gado, pensaram em ir rezar o terço no local da aparição, mas para isso era forçoso, ou abandonarem o gado, com perigo de ir danificar as searas próximas, ou um pelo menos ficar em guarda e não ir rezar o terço; resolveram ir todos rezar o terço e abandonar o gado, que imediatamente foi para uma terra de milho, couves, chícharos e outros legumes. Uma mulher que por ali próximo andava, ao ver as ovelhas naquela seara, chama os pastores que não lhe responderam pelo que ela mesma foi virar as ovelhas, que ao voltar as costas imediatamente para lá voltaram. Terminado o terço foram os três para o seu gado, virá-lo do sítio em que andava e observar o prejuízo que tinha causado, mas qual não foi o seu espanto quando viram que nada tinha sido danificado o que foi confirmado pelo próprio dono que sendo-lhe dito que o gado tinha andado na sua fazenda foi ao outro dia para observar o prejuízo que lá tinha, constatando que prejuízo algum lhe tinha causado.

3ª aparição

A 13 de julho. Desta vez recomendou-lhe que rezassem o terço a Nossa Senhora do Rosário para que abrandasse a guerra; que só Ela lhe podia valer e que nos meses futuros continuassem a ir àquele sítio como até ali.

4ª aparição

Desta vez apareceu-lhes no sítio dos Valinhos no domingo imediato ao do dia 13 de agosto (porque neste dia foram traiçoeiramente levadas para Ourém, pelo respetivo administrador que as enganou, dizendo que ele mesmo as levava no seu carro para o local da aparição). Neste dia disse-lhe que se elas no dia 13 não tivessem sido levadas pelo administrador, o milagre (para o povo) não teria sido tão conhecido. Fez-lhe a Lúcia vários pedidos para que convertesse certas pessoas e melhorasse alguns doentes ao que Ela respondeu que se converteriam e melhorariam alguns, mas outros não porque não acreditavam e alguns nem sequer em seu Filho.

5ª aparição – Dia 13 de setembro

Disse-lhes que apareceria em outubro primeiro sob a representação de Nossa Senhora das Dores e depois sob a de Nossa Senhora do Rosário. Recomendou-lhes que rezassem o terço a Nossa Senhora do Rosário para que abrandasse a guerra que estava para acabar. Disse-lhes também que em outubro viria também S. José com o Menino Jesus para dar a paz ao mundo e seu Divino Filho para dar a bênção ao povo.

6ª Aparição dia 13 de outubro

Disse-lhes que era Nossa Senhora do Rosário; que a guerra acabava naquele dia; que os nossos soldados em breve, viriam; que construissem no sítio da aparição uma capela a Nossa Senhora do Rosário e que o povo se emendasse de seus pecados que muito têm ofendido a seu Filho.

Notas dos editores

1 Jacinta e Lúcia estiveram na Reixida, hospedadas em casa de Maria do Carmo da Cruz Meneses, a partir de 14 ou 15 de setembro. A data deste documento não está indicada, mas a comparação da caligrafia e da tinta usada nos livros paroquiais de 1917, leva-nos a supor uma data próxima a 17 de setembro.
2 Nasceu a 13 de março de 1877. Frequentou o seminário de Leiria e de Coimbra. Em 1903 foi nomeado pároco da Barosa e em 1908, pároco das Cortes. Faleceu a 19 de maio de 1956.
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