Testemunhas /

Maria dos Santos

Gente da terra

Maria dos Santos, mulher de Manuel Carreira, da Moita (freguesia de Fátima), com cerca de 47 anos em 1917, mais tarde conhecida por «Maria da Capelinha». Foi ao encontro dos videntes a 13 de junho de 1917, rezou o terço junto à azinheira nas semanas seguintes e mais tarde guardou as esmolas da capela.

Residência: Moita, FátimaFreguesia de Fátima (da terra)5 relatos

Também aparece como: Maria dos Santos (Maria Carreira, 'Maria da Capelinha')

13 de junho de 1917 1 relato

13 jun.Testemunho diretoViuDepoimento ajuramentadoPalavras dos videntesTrovão / ruídoNuvem / coluna de fumo

No dia treze de junho antes do meio-dia, dirigiu-se ao local das aparições onde não encontrou ninguém. Foi esperar ao caminho as crianças, por ouvir dizer que elas vinham nesse dia. Não as conhecia por serem pequenas, mas conhecia as famílias. Antes da sua chegada, apareceram algumas mulheres de Boleiros, que tiveram que arrostar com a troça das pessoas da sua terra. Juntaram-se todos, vindo com as crianças algumas pessoas do termo de Torres Novas. Seguiram todos até ao local. Ali perguntaram à Lúcia qual era a azinheira sobre a qual tinha aparecido a Senhora e ela indicou-a com a mão. Depois dirigiram-se para a sombra de uma azinheira grande que ficava próxima, onde estiveram algum tempo à espera. Pouco depois, tendo-lhe perguntado se a Senhora tardava muito tempo, respondeu que não. Uma rapariga pediu que rezassem todos a ladainha, declarando a Lúcia que já não havia tempo. Quase ao mesmo tempo levantou-se e disse que lá vinha Nossa Senhora, pois já tinha feito o relâmpago. Correu para o pé da azinheira, ajoelhou-se e todos fizeram como ela. Momentos depois perguntou à Aparição: “Vossemecê mandou-me aqui vir, faça favor de me dizer o que me quer”. Ouviu uma zunida que vinha da azinheira, não compreendendo uma só palavra da resposta. A Lúcia olhava para a azinheira, assim como as outras duas crianças, estando todos de mãos postas. A depoente não compreendeu bem o que ela depois disse à Aparição mas as outras pessoas disseram-lhe que a pequena lhe tinha perguntado se lhe queria mais alguma coisa. Em seguida disse: – “Olhem! Querem-na ver?... Lá vai ela, lá vai ela!” Ouviu-se então uma espécie de assobiar de foguete, quando ganha força para subir. Olhou e viu uma nuvem de fumo elevando-se da azinheira e dirigindo-se e subindo para o nascente, apontando a pequena para ela. Viu-se também muito alta e muito longe. Por fim desapareceu da vista. A nuvem era um nevoeiro muito leve. Fazia sol e muito calor, estando o tempo bastante descoberto.

Antes da aparição, viu os grelos da azinheira viçosos e muito direitos. Depois da aparição os grelos estavam como que inclinados, numa rodinha em cima, para o nascente como se os vestidos os tivessem tombado nessa direção. O povo começou a tirar raminhos da azinheira, recomendando a Lúcia que não tirassem de cima, mas de baixo, tirando então o povo folhas e raminhos da parte de baixo. Fizeram por fim uma pequena devoção antes de se retirarem.

DCF Seleção, Doc. 80 (= DCF II, Doc. 4) · interrogatório · 28 set. 1923 (6 anos depois)Digitalizações (2)Ligação

13 de julho de 1917 1 relato

13 jul.Testemunho diretoEm parteDepoimento ajuramentadoA multidãoPalavras dos videntesTrovão / ruído

Foi lá também em treze de julho. Tinha pedido à Lúcia que deixasse estar o filho João ao pé deles, ao que ela acedeu. Levou uma pedra e sentou-se. Estava muita gente, que começou a vir cedo. Quando a Lúcia disse que vinha a Senhora, o filho escorregou e caiu. Pediu-lhes que rezassem por ele, ao que ela disse que a Senhora tinha dito que o melhorava ou que lhe daria meios de se governar e que rezasse sempre o terço a Nossa Senhora com a família. Estavam todos ajoelhados. Disse a Lúcia: “Já lá vem Nossa Senhora”. Ouviu-se a mesma zunida quando falava e o mesmo assobio de foguete à partida. Antes da aparição rezaram o terço. O marido disse que ela olhava para a Senhora e de vez em quando para o lado e que lhe perguntou porque fazia isso, ao que ela respondeu que era porque cegava a vista com o resplendor que tinha. Pediu a Lúcia pelas melhoras duma pessoa de Pedrógão, pela conversão duma família de Fátima, e por um homem da Atouguia que lhe pedira que Nossa Senhora o levasse para o Céu quanto antes. Depois a depoente ouviu dizer que a pequena tinha afirmado que Nossa Senhora dissera que não tivesse pressa, porque bem sabia quando o havia de levar.

Afirmou também a Lúcia que a Senhora lhe tinha dito o segredo. Na ocasião da aparição ouviu-se um ai, ficando a pequena assustada.

DCF Seleção, Doc. 80 (= DCF II, Doc. 4) · interrogatório · 28 set. 1923 (6 anos depois)Digitalizações (2)Ligação

13 de agosto de 1917 1 relato

13 ago.Testemunho diretoEm parteDepoimento ajuramentadoA multidãoTrovão / ruído

Em agosto juntou-se muita gente. A depoente estava presente à espera das crianças. À hora do meio-dia soube-se que o administrador levou as crianças presas para Vila Nova de Ourém. O povo ficou pesaroso e indignado. Houve um rumor ao pé da azinheira que causou tão grande susto ao povo, que pareciam estar todos doidos, soltando grandes gritos e julgando que morriam. O povo, pouco a pouco, foi-se retirando. A depoente não viu nada de extraordinário.

DCF Seleção, Doc. 80 (= DCF II, Doc. 4) · interrogatório · 28 set. 1923 (6 anos depois)DigitalizaçãoLigação

13 de outubro de 1917 1 relato

13 out.Testemunho diretoViuDepoimento ajuramentadoEstrela / globo luminosoSol a cairSol a girarPalavras dos videntes

Em treze de outubro quando a Lúcia disse: “Já lá vem Nossa Senhora, estando uma das filhas da depoente, chamada Maria, em cima de uma pedra, a um metro da azinheira, do lado do nascente, para guardarem o arco para o povo o não estragar, a rapariga sentiu uma pancada na cara, viu uma luz muito bonita ao pé dela e deu um grito dizendo: “Ai! Nossa Senhora!”. A depoente olhou e viu uma estrela, uma bola, não inteiramente redonda, como um ovo, muito bonita, das cores do arco celeste, mas muito mais vivas, tendo uma cauda de metro e meio de cores brilhantes. Passou muito rapidamente e perto da azinheira, e desapareceu a um palmo da terra. Viu o sol que desceu muito.

Depois de treze de setembro disse à Lúcia que perguntasse à Senhora quem ela era. A azinheira abanava muito quando ela disse que vinha a Senhora. Ouviu a Lúcia perguntar: “A Senhora deu licença para fazer a capelinha, agora diga com que título havemos de a adorar”. Quando ela se levantou, depois da aparição, perguntou-lhe que título ela tinha dito e a pequena disse que era Nossa Senhora do Rosário. Nesse dia a Lúcia disse também: “Agora fechem os chapéus”, que já vem S. José ao sol e o Menino deitar a bênção, em bem Nossa Senhora chegando ao Céu”. Depois que ela disse isto o sol bailou.

DCF Seleção, Doc. 80 (= DCF II, Doc. 4) · interrogatório · 28 set. 1923 (6 anos depois)DigitalizaçãoLigação

Outros acontecimentos de 1917 1 relato

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