Manuel Gonçalves Júnior, casado, proprietário, de trinta e quatro anos de idade, natural e morador no lugar do Montelo, desta freguesia de Fátima, sendo interrogado sobre o que sabia relativo aos factos ocorridos na Cova da Iria, disse que no dia treze de julho de mil novecentos e dezassete se dirigiu àquele local, onde estava à hora indicada pelas crianças videntes para a Aparição, e que notou que a essa hora o calor, que era demasiado, começou a abrandar. Nesta ocasião, chegaram as crianças, rezaram o terço com o povo, aplicado pela Lúcia, – não sabendo se foi de iniciativa sua ou se foi a pedido de alguma outra pessoa. Em seguida notou que a mesma Lúcia, estando todos, povo e videntes, de joelhos, começou a falar para a carrasqueira, como quem está a falar com outra pessoa, fazendo perguntas e esperando respostas; mas não percebeu o que dizia, pela distância a que se encontrava. Passado pouco tempo, levanta-se de repente, e de mãos postas aponta para o lado nascente dizendo:
– Querem ver Nossa Senhora?!...
Nesta ocasião, também notou que a certa altura da carrasqueira se formou uma espécie de névoa ou de nuvem, que se foi elevando seguindo para o nascente, chegando a impallidecer o brilho do sol, e desapareceu.