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DCF III-1, Doc. 335

3 dez. 1917Vila Nova de Ourémnotícia de imprensaC. (correspondente em Ourém)

depois de 3 dez. 1917, Porto

Artigo de um jornal não identificado, enviado pelo seu correspondente em Vila Nova de Ourém, sobre os comícios realizados pela Associação do Registo Civil, em Vila Nova de Ourém e em Fátima1.

Publ.: COSTA BROCHADO, Fátima à luz da História, Lisboa, 1948, p. 338-3392.

“Vila Nova de Ourém, 3 — O caso da aparição da Virgem aos três pastores no sítio do Vale da Iria está causando sérios embaraços aos nossos livres-pensadores. Um terno deles lembrou-se de vir até esta vila ver se conseguia arranjar adeptos, e, de camaradagem com o administrador do concelho, o mestre funileiro, apareceram no dia 1, no fim de muito anunciados, no Centro Republicano, para falar às turbas contra o milagre de Fátima. Tanto essa conferência como um comício, fizeram-nos anunciar em alguns jornaes da capital e em pamfletos distribuídos nesta vila e por todo o concelho, no dia de mercado e já no domingo anterior.

O que se sabe, porém, é que para o milagre, ou como lhe queiram chamar, não foi preciso convites, e no local da aparição da Virgem, no dia 13 de Outubro, reuniram-se para cima de 50 mil pessoas, não tendo sido precisa a intervenção da autoridade para manter a ordem, nem força militar, não obstante a grande quantidade de automóveis, carros de diversas qualidades, bicicletas, etc., etc., não havendo o mais pequeno desastre.

Haja agora em vista o tão anunciado comício, no local da aparição da Virgem, que não chegou a efectuar-se porque só apareceram os célebres oradores, acompanhados do administrador do concelho e por mais seis indivíduos daqui, e guardados por uma força da guarda republicana desta vila e outras vindas de Tomar e de Torres Novas, que foram obrigadas a ir ao local de Fátima, visto a consciência da seriedade e do papel que iam desempenhar os oradores!

Então, srs. ministros do Interior e da Guerra, as tropas republicanas desviam-se dos seus serviços para guardar as costas aos srs. republicanos?

Foi um verdadeiro fiasco, já a conferência no centro, e muito maior no lugar de Fátima, onde os oradores tiveram de desistir, visto que o povo do concelho, por desprezo, não concorreu ao local, não obstante tanto convite que lhe foi feito, pois ali só apareceram oito pessoas para ouvirem, à excepção do grande número de mulheres que à sua chegada entoaram o Bemdito, voltando-lhes logo as costas. Eis, pois, o paralelo entre os dias 13 de Outubro e 2 de Dezembro.

Por isso lhes dizemos: outro ofício, e a quem vos convidou, para a sensaboria que apanharam e o susto, quando no trajecto de regresso a esta vila foram mimoseados com algumas pedradas, pelo que o sargento comandante da força teve que fazer fogo. — C.”.

Notas dos editores

1 Embora Costa Brochado atribua este artigo ao jornal “Liberdade”, do dia 3 de Dezembro de 1917, parece-nos que “Liberdade” é o nome do artigo. Parece-nos também que uma correspondência enviada de Vila Nova de Ourém no dia 3 de Dezembro de 1917, não poderia ser publicada no jornal do mesmo dia. Por outro lado, há uma correspondência de 4 de Dezembro, publicada no dia 7, no jornal “Liberdade”, sobre o mesmo assunto (Doc. 341). Não nos parece que o correspondente deste jornal enviasse duas correspondências seguidas sobre o mesmo assunto.
2 Como não dispomos do original nem da fotocópia deste artigo, a transcrição que aqui apresentamos, foi feita a partir desta publicação.
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