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DCF Seleção, Doc. 1 (= DCF I, Doc. 1)

27 mai. 1917FátimainterrogatórioPe. Manuel Marques Ferreira (pároco de Fátima)Originalmente DCF I, Doc. 1

c. 27 mai. 1917, Fátima

Interrogatório do Pe. Manuel Marques Ferreira1, pároco de Fátima, a Lúcia de Jesus Santos2 sobre a primeira aparição.

Publ: DCF, I - Doc. 1

Interrogatório feito pelo Pároco da Fátima Manuel Marques Ferreira às crianças que dizem ter visto Nossa Senhora.

1ª Aparição – 13-5-1917 – Lúcia, de 11 anos, filha de António dos Santos – Francisco3 e Jacinta4, filhos de Manuel Pedro Marto, de Aljustrel.

A Lúcia disse que andavam todos... e todos viam uma mulher. O Francisco que só a viu quando ela partiu. A Lúcia disse que estavam assentados todos e que a mulher apareceu ficando para o lado da Fátima.

Primeiro viram um relâmpago, levantaram-se e começaram a juntar as ovelhas para se irem embora com medo, depois viram outro relâmpago, depois viram uma mulher em cima duma carrasqueira, vestida de branco, nos pés meias brancas, saia branca dourada, casaco branco, manto branco, que trazia pela cabeça, o manto não era dourado e a saia era toda dourada a atravessar, trazia um cordão de ouro e umas arrecadas muito pequeninas, tinha as mãos erguidas e quando falava alargava os braços e mãos abertas.

Essa mulher disse que não tivessem medo, que não lhes fazia mal.

Perguntou a Lúcia:

– Que lugar é o de vossemecê?

Ela disse:

– O meu lugar é o céu.

– Para que é que vossemecê cá vem ao mundo?

– Venho cá para te dizer que venhas cá todos os meses até fazer seis meses e no fim de seis meses te direi o que quero.

– Vossemecê sabe-me dizer se a guerra ainda dura muito tempo ou se acaba breve?

– Não te posso dizer ainda enquanto te não disser também o que quero.

Perguntei-lhe se ia para o Céu e ela disse-me:

– Tu vais.

– E minha prima?

– Também vai.

– E meu primo?

– Esse ainda há-de rezar as continhas dele.

E depois disto abalou pelo ar acima.

Os outros dois ouviram as perguntas e as respostas mas não fizeram perguntas.

Notas dos editores

1 Nasceu a 22 de março de 1880 em Casal Menino, freguesia de Espite, concelho de Ourém. Foi pároco de Ourém (1908-1910), Sabacheira (1910-1914), Fátima (1914-1919), Maceira (1920-1927) e S. Simão de Litém (1927-1945) Faleceu a 26 de janeiro de 1945.
2 Nasceu, em Aljustrel, a 22 de março de 1907 (data do assento de batismo; cf. Doc. 10, nota 10) e foi batizada no dia 30 do mesmo mês. Filha de António dos Santos e de Maria Rosa. Em 1916, é favorecida com as aparições do Anjo e, em 1917, as de Nossa Senhora do Rosário. Saiu de Fátima para o Asilo de Vilar, no Porto, em junho de 1921. A 24 de agosto de 1925, recebe o Crisma de D. José Alves Correia da Silva, na Quinta da Formigueira, em Braga, sendo sua madrinha, Maria Filomena Morais de Miranda. Nesse mesmo ano ingressou no Instituto de Santa Doroteia, como Postulante, em Pontevedra, Espanha, passando a usar o nome de Maria das Dores. A 19 de junho de 1926, entra no noviciado, em Tuy, Espanha, fazendo os seus primeiros votos, a 3 de outubro de 1928 e os votos perpétuos a 3 de outubro de 1934. A 25 de março de 1948, entrou para o Carmelo de Coimbra, onde professou como Carmelita, a 31 de maio de 1949. Aí se manteve até à sua morte, a 13 de fevereiro de 2005. A 19 de fevereiro de 2006, foi trasladada para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, no Santuário de Fátima.
3 Nasceu a 11 de junho de 1908, em Aljustrel e foi batizado no dia 20 do mesmo mês. Filho de Manuel Pedro Marto e de Olímpia de Jesus. Faleceu a 4 de abril de 1919, vítima da pneumónica. Os seus restos mortais ficaram sepultados no cemitério paroquial de Fátima, até ao dia 13 de março de 1952, data em que foram trasladados para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (lado nascente).
4 Nasceu a 11 de março de 1910, em Aljustrel e foi batizada no dia 19 do mesmo mês. Segundo o Dr. Formigão, “Jacinta de Jesus fez 7 [anos] a 5 de Março [de 1917]” (DCF, I, Doc. 11 de 11 de outubro de 1917). Filha de Manuel Pedro Marto e de Olímpia de Jesus. Jacinta foi favorecida com as aparições de Nossa Senhora, em 1917, tendo ainda recebido uma visita de Nossa Senhora, pouco antes de morrer, no hospital de D. Estefânia, em Lisboa, a 20 de fevereiro de 1920. Em 12 de setembro de 1935, foi trasladado o seu cadáver do jazigo da família do Barão de Alvaiázere, em Vila Nova de Ourém, para o cemitério de Fátima, e colocado junto dos restos mortais do seu irmão Francisco. No dia 1 de maio de 1951, efectuou-se a trasladação dos restos mortais de Jacinta para o novo sepulcro preparado na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (lado poente).
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