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DCF Seleção, Doc. 31 (= DCF I, Doc. 27)

30 dez. 1917Vila Nova de OurémdepoimentoPe. Luís de Andrade e SilvaOriginalmente DCF I, Doc. 27

Depoimento do Pe. Dr. Luís de Andrade e Silva1 sobre o dia 13 de outubro de 1917.

Publ.: DCF, I - Doc. 27

Eu abaixo assinado, Luís de Andrade e Silva, bacharel formado em Teologia e direito pela Universidade de Coimbra, morador em Vila Nova de Ourém, declaro, que no dia 13 de outubro de 1917, observei na charneca de Fátima, o seguinte:

No local onde dizem ter aparecido Nossa Senhora, durante seis meses seguidos, estavam mais de cinquenta mil pessoas, mais de cem automóveis, incalculável número de carros, carroças, cavalos, bicicletas, e motocicletes, que, de quase todas as províncias portuguesas, vieram à Fátima, atraídos pela declaração de três inocentes crianças.

Pelas 12 ½ solares, pouco mais ou menos, chegaram ao local da aparição, as três crianças, apesar da chuva impertinente e atrevida, que tudo encharcava.

Quase toda aquela gente se descobriu a uma ordem das videntes.

Rezaram o terço, entoaram cânticos religiosos, cuja melopeia chegava até mim, que me encontrava à distância dos videntes, cerca de cem metros.

A chuva entretanto havia cessado.

A certa altura, ouço exclamações repassadas de admiração e pasmo, e vejo toda a gente, fitando o sol a olho nu.

Alguém a meu lado, chamou a minha atenção para o astro-rei, e divisei nele, fenómenos que, até hoje, jamais observei.

O globo do sol, semelhante a um disco de prata fosca, girava em volta dum eixo imaginário, e nesse momento, parecia descer na atmosfera, em direção à terra, acompanhado por vezes, dum brilho extraordinário, e dum calor intensíssimo.

Os raios solares apresentaram a cor amarela, verde, azul e roxa, segundo dizem, mas eu só reparei na cor amarela.

Passados poucos minutos, durante os quais se deram esses fenómenos, já ninguém podia fitar o sol, porque os seus raios feriam a retina. Só quem presenciou estes fenómenos, pode avaliar o que então se passou, mas não os pode descrever exatamente.

Dizem-me que aqueles movimentos bruscos no sol foram anunciados pela Lúcia, já no mês de agosto, ou julho, como também me disseram, que antes destes fenómenos começarem a produzir-se no sol, no dia 13, a Lúcia dissera estas palavras, cuja autenticidade eu não posso garantir: “Reparem para o sol, porque a Senhora vai dar um sinal no sol, para toda a gente acreditar”.

Serão miraculosos os fenómenos que vi na Fátima, no dia 13 de outubro?

Não posso afirmar tal, sem receio de errar, mas no entanto, qualquer coisa de extraordinário, que eu não sei explicar, então aconteceu, o que é corroborado ainda pelos seguintes factos:

1º Ter lugar a primeira aparição, segundo a Lúcia diz, em maio de 1917, mês este, consagrado pela Igreja Católica, em louvor de Nossa Senhora, e terminar no mês de outubro e num sábado, que a Igreja também dedica a Nossa Senhora.

2º O facto de durante todas as seis aparições, as três crianças sempre rezarem o terço, entoarem cânticos religiosos, a que o povo se associava sempre.

3º O pedido da Senhora, transmitido pela Lúcia, para que o povo rezasse o terço e fizesse penitência.

4º O facto de naquela aglomeração de povo e de tantos e variados meios de locomoção, não haver um único desastre a lamentar, nem uma única desordem a apontar.

5º Dos milhares de pessoas que, nesse dia, em Fátima, observaram os movimentos do sol, nenhuma, que eu saiba, duvida da veracidade desses fenómenos, embora os não saiba explicar.

6º A rápida propagação por todo o país da aparição de Fátima, e a quantidade extraordinária de gente, de todas as classes sociais, que ali compareceram naquele dia, e continuam comparecendo ainda hoje.

7º O extraordinário número de devotos, que naquele dia se aproximaram da Sagrada Eucaristia, nas igrejas de Fátima, Ourém, Vila Nova de Ourém e outras.

É esta a minha declaração, para todos os efeitos.

Vila Nova de Ourém 30 de dezembro de 1917

Luís de Andrade e Silva

Notas dos editores

1 Nasceu no Sardoal, a 11 de junho de 1887. Ordenado sacerdote a 25 de setembro de 1910. Exerceu advocacia e notariado em Vila Nova de Ourém e foi capelão em diversas localidades do concelho. Faleceu a 29 de dezembro de 1965.
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