Testemunhas /

Luís de Andrade e Silva

CleroProfissional

Sacerdote nascido a 11 de junho de 1887 no Sardoal (com 30 anos), ordenado em 1910, formado em Teologia e Direito por Coimbra e residente em Vila Nova de Ourém, onde exercia advocacia e notariado e era capelão em várias localidades do concelho. Assistiu ao 13 de outubro de 1917 a cerca de 100 m dos videntes e assinou um depoimento a 30 de dezembro de 1917.

Residência: Vila Nova de OurémA região em redor1 relato · 13 de outubro de 1917
13 out.Testemunho diretoViuDepoimento ajuramentadoA multidãoA chuva a pararDisco pálido / prateadoSol a girarSol a cairCalor

Eu abaixo assinado, Luís de Andrade e Silva, bacharel formado em Teologia e direito pela Universidade de Coimbra, morador em Vila Nova de Ourém, declaro, que no dia 13 de outubro de 1917, observei na charneca de Fátima, o seguinte:

No local onde dizem ter aparecido Nossa Senhora, durante seis meses seguidos, estavam mais de cinquenta mil pessoas, mais de cem automóveis, incalculável número de carros, carroças, cavalos, bicicletas, e motocicletes, que, de quase todas as províncias portuguesas, vieram à Fátima, atraídos pela declaração de três inocentes crianças.

Pelas 12 ½ solares, pouco mais ou menos, chegaram ao local da aparição, as três crianças, apesar da chuva impertinente e atrevida, que tudo encharcava.

Quase toda aquela gente se descobriu a uma ordem das videntes.

Rezaram o terço, entoaram cânticos religiosos, cuja melopeia chegava até mim, que me encontrava à distância dos videntes, cerca de cem metros.

A chuva entretanto havia cessado.

A certa altura, ouço exclamações repassadas de admiração e pasmo, e vejo toda a gente, fitando o sol a olho nu.

Alguém a meu lado, chamou a minha atenção para o astro-rei, e divisei nele, fenómenos que, até hoje, jamais observei.

O globo do sol, semelhante a um disco de prata fosca, girava em volta dum eixo imaginário, e nesse momento, parecia descer na atmosfera, em direção à terra, acompanhado por vezes, dum brilho extraordinário, e dum calor intensíssimo.

Os raios solares apresentaram a cor amarela, verde, azul e roxa, segundo dizem, mas eu só reparei na cor amarela.

Passados poucos minutos, durante os quais se deram esses fenómenos, já ninguém podia fitar o sol, porque os seus raios feriam a retina. Só quem presenciou estes fenómenos, pode avaliar o que então se passou, mas não os pode descrever exatamente.

Notas dos editores (1)

1 Nasceu no Sardoal, a 11 de junho de 1887. Ordenado sacerdote a 25 de setembro de 1910. Exerceu advocacia e notariado em Vila Nova de Ourém e foi capelão em diversas localidades do concelho. Faleceu a 29 de dezembro de 1965.

DCF Seleção, Doc. 31 (= DCF I, Doc. 27) · depoimento · 30 dez. 1917 (3 meses depois)Digitalizações (2)Ligação
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