Eu abaixo assinado, Luís de Andrade e Silva, bacharel formado em Teologia e direito pela Universidade de Coimbra, morador em Vila Nova de Ourém, declaro, que no dia 13 de outubro de 1917, observei na charneca de Fátima, o seguinte:
No local onde dizem ter aparecido Nossa Senhora, durante seis meses seguidos, estavam mais de cinquenta mil pessoas, mais de cem automóveis, incalculável número de carros, carroças, cavalos, bicicletas, e motocicletes, que, de quase todas as províncias portuguesas, vieram à Fátima, atraídos pela declaração de três inocentes crianças.
Pelas 12 ½ solares, pouco mais ou menos, chegaram ao local da aparição, as três crianças, apesar da chuva impertinente e atrevida, que tudo encharcava.
Quase toda aquela gente se descobriu a uma ordem das videntes.
Rezaram o terço, entoaram cânticos religiosos, cuja melopeia chegava até mim, que me encontrava à distância dos videntes, cerca de cem metros.
A chuva entretanto havia cessado.
A certa altura, ouço exclamações repassadas de admiração e pasmo, e vejo toda a gente, fitando o sol a olho nu.
Alguém a meu lado, chamou a minha atenção para o astro-rei, e divisei nele, fenómenos que, até hoje, jamais observei.
O globo do sol, semelhante a um disco de prata fosca, girava em volta dum eixo imaginário, e nesse momento, parecia descer na atmosfera, em direção à terra, acompanhado por vezes, dum brilho extraordinário, e dum calor intensíssimo.
Os raios solares apresentaram a cor amarela, verde, azul e roxa, segundo dizem, mas eu só reparei na cor amarela.
Passados poucos minutos, durante os quais se deram esses fenómenos, já ninguém podia fitar o sol, porque os seus raios feriam a retina. Só quem presenciou estes fenómenos, pode avaliar o que então se passou, mas não os pode descrever exatamente.
Notas dos editores (1)
1 Nasceu no Sardoal, a 11 de junho de 1887. Ordenado sacerdote a 25 de setembro de 1910. Exerceu advocacia e notariado em Vila Nova de Ourém e foi capelão em diversas localidades do concelho. Faleceu a 29 de dezembro de 1965.