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DCF Seleção, Doc. 42 (= DCF I, Doc. 35)
Depoimento de Joaquim Inácio Vicente1, quarta testemunha do inquérito paroquial, sobre o dia 13 de agosto de 1917.
Publ.: DCF, I - Doc. 35 (obs.: este documento faz parte do Processo Paroquial de Fátima).
Depoimento da 4ª testemunha
Joaquim Inácio Vicente, casado, canteiro, natural e morador no lugar da Chainça, de Santa Catarina da Serra, deste diocese de Leiria, homem de toda a confiança, declarou-me que no dia treze de agosto, tendo deixado o trabalho, à hora da sesta, da Igreja matriz desta freguesia onde se encontrava, foi à Cova da Iria e que pouco depois da hora indicada para as Aparições, quando o povo já estava desanimado e prestes a retirar-se, ouviu duas fortes detonações semelhantes ao estampido de bombas ou tiros vindos do lado da carrasqueira e no mesmo instante vê a grande massa de povo a fugir, fugindo ele tambem por julgar ser uma forte desordem que o povo se tinha envolvido, e sem saber como nem porquê, ao voltar para trás, pois era dos dianteiros por estar mais afastado da carrasqueira, vê o povo, como que arrastado por uma corrente elétrica, a correr e a concentrar-se junto da carrasqueira.
Esta hora foi para todos quantos lá se encontravam uma hora de terror. Uns perderam os sentidos, outros julgaram ser aquele o último dia de sua vida e ser ali o seu dia de Juízo, e para alguns, depois, foi uma maravilha ao verem as admiráveis cores que sucessivamente iam tomando as nuvens que embaciavam os raios solares, – cores de encarnado vivo passar a rosa e desta a azul – cor de anis como me foi declarado minutos depois em minha casa por várias pessoas.
Paroquial de Fátima, 2 de março de 1919
Pe. Manuel Marques Ferreira