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DCF Seleção, Doc. 96 (= DCF V-1, Doc. 370)
Carta do Pe. José Aparício da Silva, S.J., para D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, a enviar uma cópia de um documento escrito por Lúcia sobre as aparições de 10 de dezembro de 1925, 15 de fevereiro de 1926 e 17 de dezembro de 1927.
Publ.: DCF, V-1 - Doc. 370
Colegio de Santa Maria de OYA
La Guardia (Pontevedra) Espanha
11 de outubro de 1928
Ilustríssimo e Reverendíssimo Senhor
Começando por saudar e cumprimentar afetuosa e humildemente a Sua Excelência Rev.ma tomo a ousada liberdade de me dirigir a S. EX. REV. para expôr um assunto particular no qual está muito interessada a Irmã Lúcia de Jesus Santos, cuja direção espiritual tive durante os últimos 14 meses que estive em TUY. Durante este último ano ainda alguma vez se me dirigiu a tirar as suas dúvidas e a pedir conselhos. Certamente o assunto já não é novidade para Sua EXC. REV., mas não importa, assim cumprirei a minha obrigação.
Talvez ainda Sua EXC. REV. se lembre de ter falado em TUY com quem escreve estas linhas; no caso contrário o P. Magalhães poderá esclarecer a Sua EXC. REV.
Esperava poder falar pessoalmente a Sua EXC. REV. na prometida visita para os primeiros dias do corrente. Infelizmente não se pode realizar.
Sirva isto só de informação, deixando à prudência de Sua EXC. REV. as medidas ou meios a tomar sobre o caso. Não farei mais que trasladar para aqui o que a própria LÚCIA escreveu a meu pedido, cuja cópia tenho à vista e conservo. Rogou-me que se ocultasse o seu nome. É o seguinte: narra-o em terceira pessoa por minha indicação:
“No dia 17-12-1927, foi junto do sacrário perguntar a Jesus como satisfaria o pedido que lhe era feito, se a origem da devoção ao Imaculado
Coração de Maria estava encerrada no segredo que a Santíssima Virgem lhe tinha confiado. Jesus com voz clara fez-lhe ouvir estas palavras: minha filha, escreve o que te pedem e tudo o que te revelou a Santíssima Virgem na aparição em que falou desta devoção, escreve-o também; quanto ao resto do segredo, continua o silêncio”.
O que em 1917 foi confiado a este respeito é o seguinte: Ela pediu para os levar para o céu: a Santíssima Virgem respondeu: sim a Jacinta e o Francisco levo-os em breve, mas tu ficas cá mais algum tempo; Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração; a quem a abraçar prometo a salvação e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por mim a adornar o seu trono. Fico cá sozinha?, disse com tristeza. Não, filha, Eu nunca te deixarei, o meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.
Dia 10-12-1925, apareceu-lhe a Santíssima Virgem e ao lado, suspenso em uma nuvem luminosa, um Menino.
A Santíssima Virgem pondo-lhe no ombro a mão e mostrando ao mesmo tempo um coração que tinha na outra mão, cercado de espinhos.
Ao mesmo tempo, disse o Menino: tem pena do coração de tua SS. Mãe que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar.
Em seguida, disse a Santíssima Virgem: “Olha; minha filha, o meu coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfémias e ingratidões; tu ao menos vê de me consolar e diz que todos aqueles que durante 5 meses no primeiro sábado se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem 15 minutos de companhia, meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar, EU prometo assistir-lhes na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas.
No dia 15-2-1926 apareceu-lhe de novo o Menino Jesus. Perguntou se já tinha espalhado a devoção à sua Santíssima Mãe?
Ela expôs-lhe as dificuldades que tinha o confessor e que a Madre Superiora estava pronta a propagá-la, mas que o confessor tinha dito que ela só nada podia.
Jesus respondeu: é verdade que a tua Superiora nada pode, mas com a minha graça pode tudo; apresentou a Jesus a dificuldade que tinham algumas almas em se confessar ao sábado e pediu para ser válida a confissão de 8 dias; Jesus respondeu: sim, pode ser de muitos mais ainda, com tanto que quando me receberem estejam em graça e que tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria.
Ela perguntou: Meu Jesus, as que se esquecerem de formar essa intenção? Jesus respondeu: podem formá-la na outra confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem de se confessar”.
Até aqui a LÚCIA.
Sem mais outro assunto peço licença para beijar o sagrado anel de Sua Excelência Reverendíssima.
De Vossa Exc. Rev. ínfimo servo em Jesus Cristo.
Pe. José Aparício S. J.