Por uma carta particular dum distincto cavalheiro que reside no continente para a sua familia, nesta cidade, sabemos que aquele nosso conterraneo foi uma das numerosissimas testemunhas do facto maravilhoso, ocorrido em trese do corrente mês, em Fátima. Vinha já prendendo tanto a atenção de todos o que testemunhas presenciaes diziam dar-se ali no dia trese de cada mês, desde maio, que aquele nosso conterraneo para lá partiu no dia dose do corrente, de automovel, com um seu ilustre amigo. Em Fátima encontrou uma imensa massa de povo, que ele calculou em cerca de cincoenta mil pessoas e que para ali tinham vindo atraidas pelo prodigio anunciado, utilisando todos os meios de condução, os que não puderam ir a pé. Encontravam-se naquela charneca, triste por naturesa e mais triste naquele dia escuro e em que uma chuvinha miuda e impertinente encharcou todos os espectadores, mais de quinhentos automoveis, o que está perfeitamente d'harmonia com as informações dum correspondente do Diario de Noticias, em Vila Nova d'Ourem, o qual diz terem regressado de Fátima, pela referida Vila mais de cem automoveis, cento trinta e cinco bicicletas e duzentos e quarenta carros diversos.
Chegada a hora a que era esperado o milagre, diz o citado informador que o sol, aparecendo pela primeira vez naquele dia, foi perfeitamente fixado por toda aquela multidão que os raios solares tingiram sucessivamente de azul, amarelo e cor de purpura, ao mesmo tempo que se notava naquele astro umas tremuras e movimentos desconhecidos.