Ha quasi um anno, a treze d'Outubro de 1917, que milhares de pessoas, se encontravam em Fátima, na piedosa aspiração de assistirem ao milagre que a Rainha do Céu, annunciara, em eguaes dias, dos cinco mezes anteriores.
Ás 8 da manhã, já me encontrava no meu posto, junto ao local das Apparições.
Desde as 9 horas, que, uma chuva ininterrupta, nos encharcava, como se Nossa Senhora quizesse provar a paciencia dos seus fieis com essa pequena provação.
Como uma primeira benção de sua misericordia infinita, nenhum mal a registar, em tantas saudes débeis, que a supportaram.
Perto do meio dia – hora de Deus chegam os Pastorsinhos, Lucia, Jacintha e Francisco.
Como por encanto, cessa a chuva, emquanto os Pequenos rezam o Terço no que os acompanhamos devotamente, na tremura da approximação da Hora Sagrada!
De repente, a voz de Lucia:
– Lá está Ella, na Carrasqueira.
Sensação eterna, sobrenatural a de saber a Mãe de Deus, junto de nós!
De rôjo, no chão, mãos erguidas, na supplica, na contrição fervorosa, da miseria humana, perante a grandeza divina, a santidade das Santidades!
Então distinctamente ouvi esta phrase da Lucia: – Vocemecê não faz hoje o milagre que me prommetteu? –
E a seguir estas singelas palavras dessa creança predestinada, á que ouvi a phrase que destróe todas as duvidas, esclarece toda a hesitação com que os sabios pretendem confundir o sobrenatural, como um phenomeno da natureza, illusão que perturbou a firmeza de tantos crentes!
Olhem para o Sol –
E só depois, dessa exclamação de Lucia, como uma ordem do Céu, é que a Rainha dos Anjos, fez surgir esse prodigioso milagre, esse Sol glorioso que illuminou a sua Apparição, com uma luz, que nenhuma alma christã, poderá apagar!
Mais quatro phrases ainda affirmo ter escutado: – Vocemecê não manda hoje mais nada de mim? –
E, após a pergunta, como que repetindo syllabas e palavras, que, do Céu, lhe murmurava a Mãe de Christo: – Ca - Capella ou Egreja aqui? –
E, pela primeira vez, com physionomia, radiante, e batendo as mãos.
– É Nossa Senhora do Rosario –
Voltando-se novamente para a Jacintha, e baixando a cabeça da direita para a esquerda, como seguindo a mesma direcção, que a Virgem Immaculada, exclamou:
– Foi para ali.
Findava a Apparição.
Notas dos editores (1)
3 Embora não assinada, esta carta é seguramente de Luísa da Madre de Deus da Cunha e Menezes, Marquesa da Ribeira Grande: Cf. DCF, vol. 3, 1, Doc. 40, de 3 de Outubro de 1917, nota 2 e Doc. 74, de p.13 de Outubro de 1917.