Explorar / Relato

Inácio António Marques · 13 de junho de 1917

Gente da terrajovem da Chainça, mais tarde empregado dos correios em Lisboa
13 jun.Testemunho diretoViuRecordação posteriorAtitude céticaA multidãoPalavras dos videntesNuvem / coluna de fumoLuz a diminuirTrovão / ruído

É chegado o dia 13 de junho e eu desejoso por saber o que se passa encaminho-me para o local a fim de me certificar do que há de verdade.

Eram 11 e 3/4 quando chego à dita Cova e encontro ali na expetativa umas 12 pessoas. Dirijo-me a alguém e pergunto: Então onde estão essas crianças que veem aqui Nossa Senhora? E uma voz me responde: espere que ainda não é tarde. Passados momentos, eis aí vêm elas, acompanhadas dum pequeno grupo. Ajoelham-se junto da célebre azinheirinha e principiam a rezar o terço. Conto as pessoas e vejo que estão presentes umas 40. Terminada a ladainha, a Lúcia diz: “Lá vem Ela”, e manda ajoelhar. Principia interrogando e respondendo a alguém que os meus olhos não veem nem os ouvidos ouvem. É a segunda aparição e mais uma vez ali afirma perante o reduzido número de espetadores – porque ainda se lhes não pode chamar crentes – que Ela lhe está dizendo que vem ali todos os meses e que a 13 de outubro será a última vez e então dirá um segredo.

A Lúcia volve o olhar através do espaço como que a acompanhar com a vista alguém que se eleva e como extasiada vai indicando o rumo que ela leva até se perder no Infinito. Eu como descrente quero negar mesmo até tudo que estou vendo, mas contemplando a atmosfera, vejo que tudo se encontra turvado. Parece que duas correntes de ar opostas se vêm encontrar ali levantando uma nuvem de poeira. O tempo escurece e parece-me estar ouvindo um trovão subterrâneo. Sinto que a temperatura é quase sobrenatural e tenho medo de estar ali. Regresso a casa pensando em tal fenómeno e cogitando uma maneira de o interpretar. Minha mãe pergunta-me o que vi, ao que respondi que não sei, mas tenho a certeza que, embora haja mistério, não vem a ser bom. Não quero crer e condeno em toda a parte tal aparição.

Notas dos editores (1)

1 Nasceu a 9 de outubro de 1896, na Chainça. Residia em Lisboa, onde faleceu, a 24 de outubro de 1983.

DCF Seleção, Doc. 72 · depoimento · 23 nov. 1922 (5 anos depois)Digitalizações (2)
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