Cerca das duas horas da tarde uma das tres creanças, que oravam junto da carvalheira, acenou e a turba-multa ajoelhou a um tempo. Então o sol, rompendo das nuvens acendeu-se num fulgor mais vivo, cingiu-se de um circulo escuro, ganhou logo uma palidez de lua, que em seguida se manchou dum azul fluido, dum amarelo doente, de outras tonalidades esmaiadas. Sacudiram-n'o por fim movimentos irregulares, descompassados — tremeu, tremeu, e quedou silencioso. Com as bruscas mudanças de côr a paizagem modificou-se, perdeu a sua nitidez, suavisaram-se numa bruma vaga os seus contornos mais duros.
As mulheres enclavinhavam as mãos, brancas de assombro, pregavam no ceu os olhos implorativos, e tinham atitudes desmanchadas de fervor e extasi: "Lindo sol! Que linda coisa! Ali vem ela!" eram as exclamações que subiam numa esfusiada de ohs e ahs. E pronto. O milagre restringira-se a mutações feericas de scenario, a ginasticas singulares do sol, a pirotecnias relumbrantes feitas nas nuvens, ás mais estramboticas decomposições de luz — um milagre etereo demais, pairante a um certo nivel, para vêr de longe como se vê Braga e que não se dignou descer até aos cocurutos dos montes e das carvalheiras. Mas todos os meus informadores juram que viram no sol extraordinarias coisas — o que nada perturba a minha critica pessoal.