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DCF III-2, Doc. 407

5 set. 1919GuardanotaManuel Nunes Formigão

Rascunho feito pelo Dr. Manuel Nunes Formigão do artigo que foi depois publicado em "A Guarda", do dia 13 de Setembro de 1919 (data de redacção: 5 de Setembro de 1919).

A – AForm, Doss. 1, fl. 2, doc. 3

Descrição do documento: Cf. introdução (B) ao Doc. 29, de p. 17 de Setembro de 1917, em DCF, vol. 3, 1. Papel comercial (21x27cm). As quatro páginas são divididas em colunas com numeração mecânica que utilizamos.

B – Segunda redacção manuscrita enviada ao jornal "A Guarda". Perdida. O texto seria o mesmo de A corrigido.

C – Publ.: VISCONDE DE MONTELO (FORMIGÃO, Manuel Nunes), Os episodios de Fatima - V, "A Guarda", Guarda, 15 (657), 13 Set. 1919, p. 1, cols. 4-5. Data de redacção: 5 de Setembro de 1919. A redacção segue certamente o texto B, que não conhecemos, mas é muito semelhante ao texto A corrigido.

D - IDEM, As grandes maravilhas de Fátima, Lisboa, União Gráfica, 1927, p. 59-61. O autor, nesta edição, actualiza a ortografia e altera levemente o texto B, em certas passagens. Apresentamos essas alterações em aparato crítico.

13 - Setembro - 1917

Approximava-se o dia 13 de Setembro. A noticia dos estranhos acontecimentos do mez anterior tinha sido levada a todos os recantos do paiz pelos dois maiores colossos da imprensa periodica portugueza. A população das povoações do concelho de V. N. d'Ourem e dos concelhos limitrophes era a que estava mais bem informada do que se havia passado em virtude da relativa proximidade do local das apparições que permittia a muitos habitantes dessa vastissima area presencear os phenomenos já conhecidos. Innumeras pessoas que das outras vezes não tinham ido á Fatima estavam agora resolvidas a encetar a longa e incommoda jornada para satisfazerem umas a sua devoção, outras a sua curiosidade. Todavia a imprensa catholica mantinha por dever de officio a mais prudente reserva perante taes acontecimentos cuja verdadeira origem se ignorava e apenas um ou outro semanario de provincia alludira de passagem a esse assumpto tão delicado e melindroso para pôr de sobreaviso os fieis contra machinações possiveis de homens mal intencionados ou do poder das trevas. As creanças, que se proclamavam testemunhas oculares das apparições, e que tinham sido presas arbitrariamente e á falsa fé pelo administrador de Villa Nova d'Ourem, já estavam havia muito tempo em liberdade. Aquella auctoridade tendo-as levado para sua casa, deteve-as ahi durante dois dias, confiando-as aos cuidados de sua esposa que as tratou com todo o carinho. Durante esses dias submetteu-as a diversos interrogatorios tentando debalde faze-las cahir em contradicções e recorrendo tambem sem resultado a promessas e ameaças, já para as obrigar a confessar que estavam desempenhando uma comedia, já para lhes arrancar o segredo que, segundo ellas diziam, a Apparição lhes tinha confiado e a ninguem podiam revelar.

Desta sorte um abuso bastante censuravel da auctoridade administrativa, que tão justa indignação provocou em todos os que delle tiveram conhecimento, constituiu um acto providencial, que veio reforçar a convicção geral, a esse tempo já formada, de que as creanças não faltavam conscientemente á verdade.

Cedendo a um sentimento irresistivel de curiosidade, justificada por factos tão extraordinarios embora sem lograr vencer de todo a repugnancia que sentia pelo receio de ligar uma importancia excessiva ao que talvez não passasse de uma ridicula superstição popular, resolvi ir a Fatima com alguns amigos e tomei por isso no dia 12 o comboio do norte apeando-me em Torres Novas, d'onde na madrugada do dia immediato segui em carro para aquella povoação já tão afamada.

O espectaculo que presenciei durante a jornada desde a princeza do Almonda á patria adoptiva de Gonçalo Hermingues era por demais surprehendente.

Decerto não levarás a mal que nesta altura dê a palavra ao signatario da carta descriptiva dos episodios do dia 13 de Agosto que noutra carta para o mesmo destinatatrio narra com tanta precisão os acontecimentos do dia 13 de Setembro, que não resisto ao desejo de tambem a transcrever.66

Foi neste momento que muitos dos circunstantes viram uma oval, pouco mais volumosa que um ovo, de côr banca viva e brilhante, com a parte mais larga voltada para baixo, descrever no firmamento uma comprida linha recta. Alguns observaram esse phenomeno por mais, outras por menos tempo. Eu não o vi e tenho pena disso. O Dr. F. e muitos patricios meus affirmam que tambem o viram. Alguns destes cuja seriedade não é licito pôr em duvida, asseguram ter distinguido uma especie de flores, que cahiam do ceu, mas não tocavam no chão desapparecendo ao chegarem a certa altura. A atmosfera tomou uma cor amarellada, talvez por causa da diminuição da luz solar.

O que se passou nesse rapido quarto d'hora nunca esquece, mas não é fácil de descrever. O aspecto da immensa multidão ajoelhada, a sua espectativa anciosa e inquieta a devoção com que invocava a SS.ma Virgem, e emfim a augusta solemnidade do momento constituiam um espectaculo admiravel e enternecedor. Logo que o sol recuperou a luz habitual, as tres creanças que se conservaram sempre junto da carrasqueira e que declaravam ter-lhes apparecido pela quinta vez a Virgem Santissima, retiraram para suas casas e ao mesmo tempo partiram as primeiras levas de povo que pouco a pouco dispersou. Os calculos mais reduzidos avaliavam em 15 ou 17:000 as pessoas presentes no momento da apparição. Havia, porem, quem opinasse que estavam mais de 20:000. Não dou o meu parecer, mas o certo é que nunca vi tanta gente junta. Era um lindo espectaculo.

Notas dos editores

66 Cf. DCF, vol. 3, 1, Doc. 29, de p. 17 de Setembro de 1917. As colunas 4, 5 e 6 ficaram em branco.
Aparato crítico e remissões (95)

As notas dos editores sobre correções, rasuras, variantes dos manuscritos e referências a outros documentos. As suas chamadas não aparecem no texto acima.

1 Cf. DCF, vol. 1, Doc. 7, de 27 de Setembro de 1917, nota 2.
2 Doc. 409, de 13 de Setembro de 1919.
3 Caligrafia da Madre Maria do Carmo, a tinta vermelha.
4 Riscou A.....
5 Riscou acontecimentos.
6 Riscou de Fatima.
7 C e D país.
8 Riscou mercê da e pelos; acrescentou por que riscou e substituiu por pelos.
9 C e D pelos dois colossos de informação da imprensa periodica da capital.
10 As corr. A; riscou lev e acrescentou população das.
11 dos concelhos corr. concelho, sem corr. dos para do.
12 D Vila Nova de Ourém
13 D limitrofes
14 eram as que estavam mais bem informadas corr. era a que estava mais bem informada. C e D era a que estava mais ao facto.
15 Riscou que se pas.
16 Riscou tinha e substituiu por havia. C e D tinha.
17 Riscou pela e substituiu por em virtude da.
18 muitas corr. muitos; riscou pessoas e substituiu por habitantes.
19 C daquella; D daquela.
20 Riscou extensa e substituiu por vastissima.
21 C ir assistir sem grande incommodo a suas avultadas despezas aos phenomenos já conhecidos; D ir assistir sem grande incomodo e sem avultadas despesas aos fenómenos já conhecidos.
22 Riscou Muitas e substituiu por Innumeras. D Inumeras.
23 Riscou sucessivamente ido, podido e querido, acrescentando por fim ido.
24 Riscou fazer e substituiu por encetar.
25 C encommoda; D penosa.
26 Satisfazer corr. satisfazerem.
27 todavia a imprensa catholica mantinha por dever de officio, sublinhado no texto.
28 Riscou em face per.
29 Riscou cuja causa e natureza.
30 ás corr. a.
31 Riscou pe; do corr. de.
32 Riscou pro.
33 Riscou e voltou a escrever do poder das trevas.
34 Riscou que eram e substituiu por se proclamavam.
35 Riscou depois de.
36 arbitraria corr. arbitrariamente.
37 Riscou traiçoeiramente e substituiu por falsa fé.
38 Riscou deve dizer-se em abono da verdade, tratou os videntes (neste ponto o manuscrito está roto, dificultando a leitura) de os ter; acrescentou tendo-as.
39 Riscou proprio de uma mãe.
40 Riscou submetteu-as varias e substituiu por Durante esses dias.
41 Riscou durante a va a diversos; acrescentou diversos que riscou e acrescentou submetteu-as a diversos.
42 C e D interrogatorios repetidos e capciosos
43 Riscou procurando faze e substituiu por tentanto debalde.
44 Riscou para lhes arrancar.
45 Riscou e voltou a escrever estavam.
46 desempenhavam corr. desempenhando.
47 C e D comedia ensaiada.
48 D [...] a Aparição lhes comunicára e que a ninguem podiam revelar.
49 Riscou Foi o proprio administrador.
50 Riscou o acto e acrescentou um.
51 Riscou tanta e substituiu por tão tão justa; riscou tão.
52 Riscou crentes e descrentes, causou a toda a gente e substituiu por provocou em todos os que delle tiveram conhecimento.
53 Riscou confirmar e substituiu por reforçar.
54 Riscou já e substituiu por a esse tempo já formada. C e D nesse tempo já formada.
55 Riscou mentiam.
56 Riscou foi.
57 Riscou naturalmente.
58 Acrescentou embora sem poder; [riscou poder e substituiu por lograr] vencer [acrescentou e riscou palavras ilegíveis] de todo a repugnancia que sentia pelo receio [acrescentou e riscou de seguida me preocupar com o ao que tal talvez fosse não fosse outra uma pura seja apenas] de ligar importancia excessiva ao que talvez não passasse de uma ridicula superstição popular/.
59 Acrescentado com caligrafia diferente: -9-17, a vermelho.
60 Acrescentou e riscou de seguida no dia seguinte de madrugada e substituiu por na madrugada do dia immediato segui em carro.
61 Riscou de Torres Novas a Villa Nova d'Ourem a Fatima e substituiu por desde a princeza do Almonda á patria adoptiva de Gonçalo Hermingues.
62 Riscou Se me permittes vou dar a palavra; acrescentou Decerto; Não corr. não; riscou eu dê; neste ponto corr. nesta altura, acabando por riscar tudo e substituir por Decerto não levarás a mal que eu nesta altura dê a palavra.
63 Riscou que te mando e acrescentou descriptiva dos acontecimentos no dia 13 de Agosto; riscou acontecimentos e substituiu por episódios; no corr. do. C das scenas emocionantes do dia 13 de Agosto/; D das scenas maravilhosos do dia treze de Agosto.
64 Riscou descreve tão bem os episodios; acrescentou noutra carta ao [ao corr. o] mesmo destinatário e narra com tanta precisão os acontecimentos.
65 Riscou também.
67 neste momento corr. nesta ocasião e de novo corr. neste momento.
68 muitas pessoas corr. muitos circunstantes. D muitos circunstantes.
69 de côr viva corr. pouco mais volumosa que um ovo, de côr branca, viva.
70 Riscou no firmamento.
71 Algumas corr. Alguns; riscou pessoas viram e substituiu por observaram.
72 Riscou Eu não.
73 Eu não vi e tenho, sublinhado no texto.
74 muitas corr. muitos e riscou pessoas.
75 Alguns destes, sublinhado no texto.
76 Riscou P de.
77 Acrescentou pôr em e duvidar corr. duvida.
78 Riscou dizem.
79 Riscou notado e acrescentou divisado que riscou e substituiu por distinguido.
80 Riscou que e acrescentou não; riscou não tocavam; acrescentou e riscou de seguida chegavam a toca e acrescentou tocavam.
81 do corr. da e riscou obscurecimento do sol.
82 Riscou neste.
83 Riscou e voltou a escrever, mas não.
84 Riscou por terra, a augusta solemnidade do momento e substituiu por a sua espectativa anciosa e inquieta.
85 Riscou pi.
86 Riscou palavra ilegível.
87 Riscou solemne.
88 uma corr. um.
89 Riscou sucessivamente retiram-se que pas que estavam.
90 Riscou estiv
91 Riscou asseguravam e substituiu por affirmavam que riscou e substituiu por declaravam.
92 Riscou Virgem.
93 Riscou -se.
94 Riscou pessoas.
95 Riscou Appari
96 A Irmã Maria do Carmo Lopes da Fonseca acrescentou: O que está a vermelho é meu. Junho 1954 Ir. Maria da Carmo Lopes da Fonseca.
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