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DCF Seleção, Doc. 19 (= DCF I, Doc. 21)
Depoimentos de dezasseis testemunhas que presenciaram os acontecimentos do dia 13 de outubro de 1917 na Cova da Iria, recolhidos pelo Pe. Joaquim Vieira da Rosa, Vigário da Vara de Porto de Mós1.
Pelo teor deste documento e do ofício que o acompanhava, remetido pelo Vigário de Porto de Mós ao Arcebispo de Mitilene, não temos dúvidas em afirmar que responde à incumbência de proceder a um inquérito, idêntica à que foi feita ao Vigário de Ourém.
Publ.: DCF, I - Doc. 21
No dia vinte e cinco de outubro do ano de mil novecentos e dezassete, perante o Revo Vigário de Porto de Mós, e perante mim, escrivão, nomeado ad hoc, compareceram as testemunhas abaixo nomeadas.
Pe. Joaquim Vieira da Rosa.
O escrivão João Gomes Menitra2
1a testemunha – António dos Ramos Mira3, casado, morador na freguesia do Reguengo do Fetal, testemunha presencial dos factos ocorridos em Fátima no dia treze de outubro de 1917, ajuramentado aos Santos Evangelhos, disse: que se dirigiu para o local das aparições no meio de chuva e que um quarto de hora depois de parar a chuva, viu aquela ingente multidão de povo, em grande clamor e quase todo joelhado, voltado para o sol, e que este tinha sinais desusados, girando sobre si, tremendo, observando ao mesmo tempo, que em volta dele, aparecera uma cor amarela-avermelhada, que se refletiu em toda a multidão e no horizonte, havendo ao mesmo tempo um afrouxamento de luz e aumento de temperatura. Dizia a multidão até mesmo os descrentes que era um milagre conhecido. É público que as criancinhas diziam seis meses antes que naquele dia, hora e local se havia de dar milagre; o que fez atraír ali uma multidão de cerca de quarenta mil pessoas, que voltaram crentes para suas casas. E mais não disse e assina o seu depoimento.
Pe. Joaquim Vieira da Rosa
António dos Ramos Mira
2ª testemunha – Anzebino Francisco Mira4, casado, morador no lugar e freguesia do Reguengo do Fetal, testemunha presencial dos factos ocorridos em Fátima no dia treze de outubro de mil novecentos e dezassete, ajuramentado aos Santos Evangelhos, disse: que tendo-se dirigido debaixo de água para o local das aparições, parou a chuva entre o meio dia e a 1 hora da tarde e logo a seguir viu o sol, girando como uma roda de fogo e que se aproximou da grande multidão, que ali estava presente, e viu também diferentes cores no povo e no horizonte e tudo à mesma hora dos factos ocorridos nos dias treze dos cinco meses transatos. E mais não disse e assina o seu depoimento.
Joaquim Vieira da Rosa
Anzebino Francisco Mira
3ª testemunha – Manuel Ribeiro de Carvalho5, casado, proprietário, morador no lugar do Reguengo do Fetal, interrogado sobre o facto ocorrido no dia treze de outubro do ano de mil novecentos e dezassete na Cova da Iria de Fátima, disse: que um quarto de hora depois, pouco mais ou menos, de parar a chuva viu que o sol girou sobre si mesmo, aproximando-se do povo, e que lançou bastante calor, e ao mesmo tempo observou a cor azul e encarnada no horizonte. E mais não disse e assina o seu depoimento.
Joaquim Vieira da Rosa
Manuel Ribeiro Carvalho
4a testemunha – António Maria Menitra6, casado, proprietário, morador no lugar do Reguengo do Fetal, interrogado sobre os factos ocorridos no dia 13 de outubro em Fátima, disse: que tendo chovido torrencialmente de manhã, um pouco depois do meio dia, parou a chuva e observou que uma grande multidão de povo, de joelhos olhava para o sol, e olhou também e viu diferentes cores no sol e no povo. E mais não disse e assina o seu depoimento.
Joaquim Vieira da Rosa
António Maria Menitra
5a testemunha – Romano dos Santos7, casado, morador no lugar e freguesia do Alqueidão da Serra, testemunha presencial dos factos ocorridos no dia treze de outubro de 1917, ajuramentado aos Santos Evangelhos, disse: que ouviu dizer que ajoelhassem todos que vinha Nossa Senhora, palavras estas que ouviu da multidão e que viriam das pastorinhas, que se achavam distantes. Ditas estas palavras a multidão ajoelhou, tendo a chuva cessado nesta ocasião, e olhando para o sol viu que ele estava cercado de diferentes cores e girando como uma roda de fogo de artifício. Ouviu os clamores daquele povo, dizendo que era um milagre conhecido. E mais não disse e não assina o seu depoimento por não saber.
Joaquim Vieira da Rosa
O escrivão - João Gomes Menitra
6a testemunha – Maria da Silva Vieira da Rosa8, solteira, de maior idade, moradora no Alqueidão da Serra, testemunha presencial dos factos ocorridos em Fátima no dia treze do corrente mês, ajuramentado aos Santos evangelhos, disse: que na ocasião em que a multidão ajoelhava, tendo cessado pouco antes a chuva, olhou para o sol e viu que este se transformou em diferentes cores, aproximando-se e girando como uma roda de fogo. Por três vezes viu este fenómeno. Toda aquela multidão banhada em lágrimas, gritava por Nossa Senhora. E mais não disse e assina o seu depoimento.
Joaquim Vieira da Rosa
Maria da Silva Vieira da Rosa
7a testemunha – Manuel João Sénior9, casado, morador no Alqueidão da Serra, testemunha ocular dos factos ocorridos no dia treze de outubro de 1917 em Fátima, ajuramentado aos Santos evangelhos, disse: que estando uma numerosa multidão de joelhos, olhou perfeitamente para o sol sem incómodo algum para a vista, e sem queimar, e viu-o por três vezes girar como uma roda de fogo aproximando-se, à hora marcada pelos três pastores. E mais não disse e não assina por não saber escrever.
Joaquim Vieira da Rosa
O escrivão - João Gomes Menitra
8a testemunha – Adriano de Matos10, casado, morador no Alqueidão da Serra, testemunha ocular dos factos ocorridos em Fátima no dia 13 de outubro de 1917, ajuramentado aos Santos Evangelhos, disse: que olhou perfeitamente para o sol sem este o incomodar e representou-se-lhe ver Nossa Senhora com o Menino Jesus no braço esquerdo e viu em roda do dito astro cores diferentes.
Joaquim Vieira da Rosa
O escrivão - João Gomes Menitra
9a testemunha – António Vieira Amado11, casado, morador no Alqueidão da Serra, testemunha ocular dos factos ocorridos em Fátima no dia treze de outubro de mil novecentos e dezassete, ajuramentado aos Santos Evangelhos, disse: que viu o sol muito claro e dentro representou-se-lhe ver três imagens, e diante do sol, cores diversas e girando como uma roda de fogo, tendo ouvido antes disso que ajoelhassem todos que vinha Nossa Senhora, ao que a multidão obedeceu, soltando grandes clamores e gritando por Nossa Senhora. E mais não disse e assina o seu depoimento.
Joaquim Vieira da Rosa
António Vieira Amado
10ª testemunha – João Vieira Gomes12, casado, morador na freguesia do Alqueidão da Serra, testemunha ocular dos factos ocorridos em Fátima no dia treze do corrente, ajuramentado aos Santos Evangelhos, disse: que viu o sol girar como uma roda de fogo, fitando o sol sem incómodo para o órgão visual, tremendo ele e gritando toda a multidão por Nossa Senhora. Este facto foi presenciado por toda a multidão. E se alguém não viu foi porque não quis ver. E mais não disse e não assina por não saber escrever.
Joaquim Vieira da Rosa
O escrivão - João Gomes Menitra
11ª testemunha – Manuel Carvalho13, casado, morador no Alqueidão da Serra, testemunha ocular dos factos ocorridos em Fátima no dia treze de outubro de mil novecentos e dezassete, ajuramentado aos Santos Evangelhos, disse: que viu o sol baixar, segundo o seu entender, revestir-se de várias cores, girando como uma roda de fogo de artifício, e que se podia sem incómodo ver. Notou a testemunha que chovendo toda a manhã, cessou a chuva àquela hora da chegada das crianças, que rezando o terço mandaram ajoelhar a multidão, calculada em cinquenta mil pessoas, que gritavam por Nossa Senhora. E mais não disse e assina o seu depoimento.
Manuel Carvalho
Joaquim Vieira da Rosa
12a testemunha – Domingos Pedro14, casado, morador no lugar do Alqueidão da Serra, testemunha ocular dos factos ocorridos em Fátima no dia treze do corrente, ajuramentado aos Santos Evangelhos, disse: viu cessar a chuva em que as criancinhas, digo, a chuva em hora que as criancinhas mandaram fechar os chapéus, e o sol girar como uma roda de fogo e baixar, segundo o seu modo de ver. A multidão joelhou à voz das pastorinhas, que diziam: lá vem Nossa Senhora, dando-se estes fenómenos em ato contínuo e à hora marcada seis meses antes. Todos os que presenciaram o facto, consideravam-no miraculoso. E mais não disse não assinando por não saber.
Joaquim Vieira da Rosa
O escrivão - João Gomes Menitra
13a, 14a, 15a e 16a testemunhas – Domingos Correia15, Joaquim dos Santos16, Manuel Boal17 e Ezequiel Vieira da Rosa18, casados, moradores na freguesia do Alqueidão da Serra, testemunhas oculares dos factos ocorridos em Fátima no dia treze de outubro de mil novecentos e dezassete, ajuramentados aos Santos Evangelhos, disseram o mesmo que a testemunha nº 12, por estarem juntos.
Joaquim Vieira da Rosa
O escrivão - João Gomes Menitra