Dois amigos, que designaremos pelas iniciaes E. L. e o sr. S.,= este muito conhecido pela sua visão financeira e educadissima intelligencia em assumptos bancarios = foram, de longada, até Fatima.
O sr. S é portuguez, mas de origem estrangeira. Homem muito serio, não é, ao que se diz hoje, muito affeito a crêr em milagres.
Foram os dois amigos no mesmo automovel, e foram pelo passeio, rindo antecipadamente da crendice popular. Pelo caminho fallavam no milagre, e commentavam-o, rindo.
A certa altura, a gazolina que levavam, incendiou-se. E incendiou-se, dizem os experimentados automobilistas, sem nada que explique o incendio: chovia a cantaros, não houve choque, nem fagulha, nada, que apparentemente explique o phenomeno. Era ao pé d'um casebre: obtiveram fielmente agua, e apagaram o fogo.
Recomeçou a marcha.
D'ahi a alguns kilometros, o parebrise, — sem um choque, sem uma pedra — fez-se em milhares de bocados, e a capota do carro foi arrancada como se mão herculea a tivesse arrancado.
Pararam o carro, percorreram o caminho onde succedera o desastre, á procura de algum arame ou galho d'arvore que explicasse o caso.
Arvore nenhuma! Arame nem sombra!
E hoje, o sr. S. declara que nem permitte que deante d'elle se falle na apparição de Fatima, porque considera que foi castigo, de irem a rir do milagre, o que lhes aconteceu