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E. L. e o Sr. S.

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Dois amigos identificados apenas pelas iniciais na coluna de Lisboa do diário portuense Liberdade; o Sr. S., português de origem estrangeira, era conhecido pela sua competência em assuntos bancários. Foram de automóvel a Fátima a rir-se da credulidade popular.

Residência: LisboaDe longeAtitude prévia: cética1 relato · 13 de outubro de 1917
13 out.Testemunho indiretoNotícia de imprensaAtitude céticaVieram de longe
Transmitido por: Correspondente em Lisboa do jornal Liberdade (rubrica «Diario de Lisboa»)

Dois amigos, que designaremos pelas iniciaes E. L. e o sr. S.,= este muito conhecido pela sua visão financeira e educadissima intelligencia em assumptos bancarios = foram, de longada, até Fatima.

O sr. S é portuguez, mas de origem estrangeira. Homem muito serio, não é, ao que se diz hoje, muito affeito a crêr em milagres.

Foram os dois amigos no mesmo automovel, e foram pelo passeio, rindo antecipadamente da crendice popular. Pelo caminho fallavam no milagre, e commentavam-o, rindo.

A certa altura, a gazolina que levavam, incendiou-se. E incendiou-se, dizem os experimentados automobilistas, sem nada que explique o incendio: chovia a cantaros, não houve choque, nem fagulha, nada, que apparentemente explique o phenomeno. Era ao pé d'um casebre: obtiveram fielmente agua, e apagaram o fogo.

Recomeçou a marcha.

D'ahi a alguns kilometros, o parebrise, — sem um choque, sem uma pedra — fez-se em milhares de bocados, e a capota do carro foi arrancada como se mão herculea a tivesse arrancado.

Pararam o carro, percorreram o caminho onde succedera o desastre, á procura de algum arame ou galho d'arvore que explicasse o caso.

Arvore nenhuma! Arame nem sombra!

E hoje, o sr. S. declara que nem permitte que deante d'elle se falle na apparição de Fatima, porque considera que foi castigo, de irem a rir do milagre, o que lhes aconteceu

DCF III-1, Doc. 140 · notícia de imprensa · 19 out. 1917 (6 dias depois)Digitalizações (2)Ligação
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