Agora eis o que as Saraivas disseram no dia seguinte.
Depois de 7 horas de trem com uma chuva medonha chegaram encharcadas ao campo do milagre... Gente era um por de mais!! Calcula-se para cima de 50:000 pessoas.
Entre o meio dia e a uma hora chegou a pequena acompanhada por alguns homens que impediam que com o excesso de simpatia a esmagassem.
A Lucia (a pequena) quando chegou ao pé da carrasqueira (pequeno arbusto) onde a Senhora aparece pediu ao povo que resasse o terço enquanto esperava. Juntavam-se então as familias aos grupos de 8 a 10 pessoas e resavam entre si o terço com a maior devoção. Era um espetaculo de fé mediaval [sic]. Esqueci-me de diser que quando a Lucia chegou a chuva parou imediatamente.
Derrepente começou o sol a ficar d'uma cor esverdiada, mudando sucessivamente para amarelo claro que fasia parecer a gente cadavérica; n'isto dá como uma reviravolta, um safanão, parecia que vinha a cair sobre a terra. Todos cahiram de joelhos e só se houvia os gritos de “Deus nos acuda! Jesus! Santissima Virgem! N'aquele momento o calor era tanto que quasi sofucava. Todos imaginaram que era o fim do mundo. Pessoas choravam. Durou isto 10 minutos. Quando voltaram a si d'aquela grande emoção já Nossa Senhora lá estava. Não se via nada mas a pequena olhava para um ponto fixo e sorria-se.
Quando a pequena voltou para casa o Dr. João do Val9 foi-lhe falar assim como as Saraivas.
[…]
A pequena só responde ao que se pergunta, mas sem nenhum embaraço, sendo ela antes da aparição muito envergonhada.
Diz ela, como tambem das outras vezes que a Senhora lhe diz um segredo, que ela não diz a ninguem, nem mesmo à mãe. Uma senhora no outro dia mostrou-lhe na mão 10 notas de 100:000 disendo que lhas dava se ela lhe dicesse o segredo. Acho isto uma coisa muito mal feita mas a pequena não se deixou tentar.
Quando repete o que ouve a sua fala é correta, mas quando esplica outras coisas é a fala dos pequenos do campo: “Então vomecê não ouviu?” e assim neste genero.
A Lucia é pobre mas apesar disso não acceita nada que lhe queiram dar em dinheiro. Vêsse que não é impostura.
Notas dos editores (3)
6 Pela fotocópia só conseguimos ler o dia 20.
7 Eram duas irmãs, D. Júlia e D. Beatriz. Viviam na Várzea Pequena, Tomar, numa casa antiga, que faz esquina para a estrada que segue para Ourém e donde facilmente se pode assistir a todo o movimento da estrada. Tinham mais uma irmã, D. Matilde, casada com o General Leão, que vivia na Levada, Tomar. Um tio destas senhoras, José Isidro, ainda viveu no Convento de Cristo e usou hábito.
9 Segundo informação de Mons. Cón. João de Castro, a Família Vale, desde o dia 13 de Junho de 1917, inclusivé, nunca faltou a nenhum dos dias 13, até à morte do Dr. João do Vale.