Explorar / Relato

Joaquim Ramos Pinto · 13 de outubro de 1917

Profissionalcomerciante de Leiria
13 out.Testemunho diretoViuCartaA multidãoSol a girarA chuva a pararPalavras dos videntes

Deveriam estar pela estrada fora mais de 300 vehiculos e talvez, entre eles, mais de 100 automoveis. Veio gente de Lisboa, Santarem e até de Guimarães! De todos os pontos do paiz.

A comoção que avalassou o espirito da maioria d’aquela gente podes ainda avalia-la pela descripção do Seculo.

Foi assombroso!

E o caso não era para menos.

Deem eles — os sabios — a explicação que quiserem ao fenomeno, mas o que é facto é que se produziu um fenomeno — não previsto — e produziu-se precisamente no dia e á hora que aquelas creanças indicaram.

Que deveremos concluir d’aqui?

Não sei.

O sol teve uns movimentos de rotação d’uma rapidez vertiginosa.

Via-se andar à roda que parecia “um rodisio” segundo a expressão d’um qualquer camponio.

E o tempo que estava de chuva parecendo que seria para todo o dia levantou precisamente n’aquela altura. Coincidencia? Talvez.

Mas como explicam os descrentes o facto d’aquela creança, segundos antes do fenomeno se produzir, ter dito “Olhem para o sol. É agora”.

E o fenomeno produziu-se. E ninguem tinha conhecimento de que natureza era o fenomeno que ia produzir-se e todos, desde o mais proximo ao mais afastado, e compreendes que estando ali umas 30.000 pessoas segundo os calculos feitos estava gente muito afastada uma da outra, todos, repito n’aqueles breves momentos, viram o mesmo fenomeno. Por isso não houve sugestão.

Notas dos editores (4)

1 Filho de José Ferreira Patrício. Pelo que está impresso nas folhas do seu memorandum, pensamos que se trata de um comerciante de Leiria.

2 As informações que possuímos acerca desta carta foram fornecidas pelo Sr. António José Patrício Sampaio, morador em Leiria, filho ou sobrinho do autor.

3 Esta fotocópia foi oferecida, em 8 de Julho de 1995, por Alfredo João Conde Búzio Sampaio Ramos. Este senhor veio ao Santuário de Fátima trazendo consigo o original da carta que seu pai, António José Patrício Sampaio Ramos, descobriu entre os papéis da família. Permitiu que fossem tiradas fotocópias e disse que iria enviar o original para o Arquivo Distrital de Leiria.

4 Tratava-se da sexta aparição.

DCF III-1, Doc. 86 · carta · 15 out. 1917 (2 dias depois)Digitalizações (2)
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