Fez um anno, domingo, dia 13, que na serra de Fátima quiz Deus juntar milhares de creaturas para que ouvissem da bocca de trez pastorsitos que na biblica solidão da serra escalvada apascentavam gados, promessas de Paz, de felicidade e de socego para a desgraçada e linda terra portugueza!
Rasgaram-se as nuvens no ceu torvo e triste, e rompeu o sol illuminando a serra!
Foi a promessa luminosa da Paz na tristeza pesada da vida, e de joelhos cahiram, pedindo que se cumprisse a promessa, milhares de creaturas que viam na luz bemdita do sol o sorriso de Deus, que de novo abençoava a terra onde tão tristes males se tinham espalhado!
Viam, os pastorsinhos em graça, passar o manto diaphano da Virgem, viam, nas azinhagas escuras, o rasto luminoso dos seus pés descalços, e a serra escurecer á hora do sol claro e a serra acclarar, por milagre, nos dias turvos e escuros quando o meio dia ao longe tocava nos sinos das aldeias e das villas!
Fallava a Virgem aos pastorsinhos em graça, e as suas almas puras do mal, entendiam as falas da Senhora... assim deram esperança ás mães, ás noivas, ás mulheres dos soldados que a guerra levára! Prometteram que dentro de um anno3 a guerra acabava, e voltariam os soldados para as suas terras!
Pelo caminho, em grupos, de mãos postas, olhando o sol, que promettera a Paz, vinham as mães, as noivas, as mulheres a quem a dôce promessa tinha sido feita. Repetiam baixinho, na esperança que Deus as ouvisse melhor: "Dentro de um anno acaba a guerra, voltam os soldados dentro de um anno!"
Notas dos editores (1)
3 Em nenhum documento escrito entre Outubro de 1917 e este, se refere esta predição: que a guerra acabaria "dentro de um ano". Apenas Lúcia, no interrogatório de 8 de Julho de 1924 diz: "a minha prima Jacinta disse-me em casa que a Senhora falou assim: convertam-se que a guerra acaba dentro de um ano" (cf. DCF, vol. 2, Doc. 8, p. 144 e Doc. 9, de 13 de Abril de 1930, p. 228 e 257).