Andava guardando as ovelhas na cova de Iria na companhia do meu primo Francisco e da Jacinta, brincando fazendo um muro á volta duma moita; e virmos um relampago; e disse eu para o Francisco, vamos embora porque está a dar relampagos e pode vir trevoáda, voltarmos as ovelhas para nos virmos embora; chegando ao meio da fazenda, deu outro relampago e virmos uma Senhora em sima duma carrasqueira; ficarmos muito assustados por vermos a quele resplendor que a envolvia. Entam disse-nos Ela; não tenham medo porque eu não vos faço mal. Perguntei-lhe eu Dedonde é vossemecê? Eu sou do céu. O que é que vossemecê me quer? Quero que venhas aqui durante 6 meses e no fim te direi o que quero. Perguntei-lhe pela Maria do José das Neves e Ela me disse está no céu perguntei-lhe pela Amelia e disse-me que estava no purgatorio. Se me disse mais alguma coisa neste mez não me lembro E nisto dezapareceu subindo tam alta que chegou a ponto de não a vermos mais.
Notas dos editores (1)
2 O presente documento foi escrito pela vidente Lúcia a pedido do seu confessor, no Asilo de Vilar, Pe. Manuel Pereira Lopes, como se depreende de uma carta dirigida pelo mesmo a D. João Pereira Venâncio a 26 de Julho de 1961: “Tive grande satisfação em ser incluido no número dos sacerdotes que, por incumbencia do Exmo Snr. Dom José saudoso Bispo de Leiria, assistiram aos depoimento della na primeira sessão do Processo Oficial das Aparições de Fátima (cf. DCF, vol. 2, Doc. 8, de 8 de Julho de 1924). O que então lhe ouvi e consta do processo, confirmou uma narração que ela, a meu pedido tinha escrito sobre essas aparições. Descrição simples, com incorrecções ortográficas, que exalava um suave perfume de espontaneidade e sinceridade. Infelizmente esse original que eu tinha em grande apreço, emprestei-o a alguém que não me restituiu. Decerto, nada tirava nem acrescentava ao seu depoimento posterior” (AEL, Documentos de Fátima, J-29). Esteve em poder do Dr. Sebastião dos Reis que o publicou e entregou ao Pe. António Maria Martins e que, após a morte deste, foi entregue, pela Província Portuguesa da Companhia de Jesus, ao Santuário de Fátima.