Devia ser uma e meia (treze e meia) quando se ergueu, no local preciso onde estavam as crianças, uma coluna de fumo, delgada, ténue e azulada, que subiu direita até dois metros talvez, acima das cabeças para nesta altura se esvair. Durou este fenómeno, perfeitamente visível a olho nu, alguns segundos. Não tendo marcado o tempo da duração, não posso afirmar se foi mais ou menos de um minuto. Dissipou-se bruscamente o fumo e passado algum tempo voltou a repetir-se o fenómeno uma segunda e uma terceira vez. Das três vezes e sobretudo da última, destacaram-se nitidamente os postes esguios na atmosfera cinzenta. Dirigi para lá o binóculo. Nada consegui ver além das colunas de fumo, mas convencido fiquei de que eram produzidas por algum turíbulo, não agitado, em que se queimava incenso. Depois pessoas dignas de fé afirmaram-me que era de uso produzir-se o acontecimento no dia treze dos cinco meses anteriores, e que nesses dias, como neste, nunca ali se queimara nada nem se fizera fogo.
Explorar / Relato
José Maria de Proença de Almeida Garrett · 13 de outubro de 1917
Jornalistaadvogado/doutor em Direito, filho de Gonçalo Garrett
DCF Seleção, Doc. 120 (= DCF II, Doc. 9) · documento oficial · dez. 1917 (2 meses depois)Digitalização