Explorar / Relato

Manuel Nunes Formigão · outros acontecimentos de 1917

Cleropadre, professor em Santarém
Outros de 1917Testemunho diretoNotaAtitude céticaA multidão

Depois do meio-dia parti de automóvel para a Fátima pela estrada da Mendiga, Reguengo de Fetal e Porto de Mós. Cheguei a Fátima às 3 horas da tarde. Na Cova da Iria, junto da azinheira das aparições, algumas piedosas mulheres do campo, ajoelhadas, rezam devotamente o terço. A azinheira reduzida ao tronco, que tem pouco mais de um palmo de altura, está envolta em ramos de plantas campestres e flores. A devoção dos peregrinos, que desejavam conservar uma recordação do arbusto, que servia de pedestal à Virgem durante as aparições, aniquilou-o quase completamente. Tudo o mais se conservava no mesmo estado em que se via no dia 11, antevéspera da última aparição. Dirigi-me em seguida a casa da família da Jacinta, onde se encontravam os três videntes, que estavam sendo submetidos a um interrogatório pelo Pe. José Ferreira de Lacerda, pároco dos Milagres e diretor do semanário católico “O Mensageiro”, de Leiria, e atualmente alferes-capelão do corpo expedicionário português, o qual tinha vindo à sua terra em gozo de licença e quis, antes de regressar a França, ver e falar com as crianças de Aljustrel. Acompanhavam o Pe. Lacerda outro sacerdote de Leiria e o pároco da Fátima. O número de visitantes das crianças aumenta de dia para dia. Vêm a toda a hora, dos pontos mais distantes e opostos do país. As crianças sentem-se bastante abatidas. A Lúcia sobretudo, devido a ser interrogada mais detidamente, acha-se profundamente exausta, notando-se que o cansaço excessivo a obriga a responder às perguntas que lhe são feitas sem a atenção e a reflexão que era para desejar. Responde às vezes quase maquinalmente, ocorrendo com frequência não se recordar bem de certas circunstâncias das aparições, ao contrário do que sucedia antes do dia 13 de outubro. Se não há cuidado em poupar as crianças à fadiga das inquirições frequentes e demoradas, a sua saúde corre risco de sofrer um profundo abalo.

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