Testemunhas /

Manuel Nunes Formigão (Visconde de Montelo)

Clero

O Pe. Manuel Nunes Formigão, nascido a 1 de janeiro de 1883 em Tomar (com 34 anos), professor do Seminário e do Liceu de Santarém, escrevia sob o pseudónimo de «Visconde de Montelo». Foi a Fátima a 13 de setembro de 1917 por curiosidade, mas receoso de que tudo não passasse de uma «ridicula superstição popular»; viu o fenómeno solar a 13 de outubro, interrogou os videntes várias vezes e mais tarde redigiu o relatório da comissão canónica (1930).

Residência: SantarémA região em redorAtitude prévia: cética10 relatos

13 de setembro de 1917 3 relatos

13 set.Testemunho diretoEm parteArtigo da testemunhaAtitude céticaLuz a diminuirA multidão

Cedendo a um sentimento irresistivel de curiosidade, justificado por factos tão extraordinarios, embora sem lograr vencer de todo a repugnancia que sentia em faze-los pelo receio de parecer dar uma importancia excessiva ao que talvez não passasse duma ridicula superstição popular, resolvi partir para a Fatima juntamente com alguns amigos e por isso tomei no dia 12 á tarde o comboio do norte e apeei-me em Torres Novas, d'onde na madrugada do dia immediato segui em carro para a povoação já tão afamada. O espectaculo que presenceei durante a jornada desde a princeza do Almonda até á patria adoptiva de Gonçalo Hermingues era por demais surprehendente.

[…]

Obrigado pelo amor da verdade, não quero concluir sem dizer que as minhas impressões do que se passou neste dia em Fatima não foram animadoras.

Não me aproximei do local das apparições e quasi que não conversei com ninguem, ficando na estrada a cerca de trezentos metros de distancia, e apenas constatei a diminuição da luz solar, que me pareceu um phenomeno sem importancia devido por ventura á elevada altitude da serra. Continuei, por isso, a manter-me numa prudente mas benevola expectativa, como sucedia desde os acontecimentos de Agosto, porque antes delles esboçava invariavelmente um sorriso de absoluta incredulidade ao ouvir qualquer referencia ás apparições de Fatima.

DCF III-2, Doc. 409 · notícia de imprensa · 5 set. 1919 (24 meses depois) · também publicado em DCF III-2, Doc. 407Digitalizações (3)Ligação
13 set.Testemunho diretoEm parteArtigo da testemunhaAtitude céticaA multidão

Julgo-me na obrigação de dizer que nessa data eu estava muito longe de partilhar de semelhante convicção. Pelo contrario, regressei de Fatima mais sceptico do que nunca, apesar de me ter commovido bastante ao contemplar a fé ardente e a piedade sincera dos romeiros durante a minha longa viagem.

Concorreu sem duvida para isso a circunstancia de me haver conservado na estrada longe do local das apparições, donde nada ou quasi nada tinha podido observar.

DCF III-2, Doc. 414 · notícia de imprensa · 25 set. 1919 (2 anos depois)Digitalizações (2)Ligação
13 set.13 out.Testemunho diretoViuRecordação posteriorAtitude céticaA chuva a pararSol a girarSol a mudar de corA multidão

No dia 13 de Outubro dêsse ano, cerca de 60:000 pessoas, de todas as classes e condições sociais, reuniram-se no local das aparições, atraídas pela vaga fama do milagre discretamente anunciado.

Foi então que o espectaculo mais assombroso e divinamente belo que é dado contemplar, se desenrolou deante dos olhos dessa multidão maravilhada. Toda a manhã chovera torrencialmente. O firmamento, em toda a sua vastidão imensa, estava coberto de densas nuvens negras.

Ao meio dia astronómico, o sol subitamente rasga as nuvens que lhe toldam a face e, semelhante a uma admiravel roda de fogo de artificio, rodopia vertiginosamente sobre o seu eixo pelo espaço de dez minutos, projectando em continuas explosões, feixes de luz e torrentes de chamas das mais lindas e variegadas côres.

— V. Ex.a tambem assistiu a esse assombroso fenomeno?

— Assisti. Já no dia treze de Setembro tinha ido a Fátima, mas não presenciei então nada de extraordinario, a não ser a fé e a piedade da multidão, que nesse dia atingiu talvez o elevado numero de 30:000 pessoas.

No dia vinte e sete do mesmo mês voltei lá para ver e interrogar os videntes, e confesso que me impressionou profundamente o tom de convicção e sinceridade com que descreviam os factos de que afirmavam ter sido testemunhas. Mas só no dia treze de Outubro, quando presenciei o fenómeno solar, é que reconheci a importancia dos sucessos maravilhosos de Fátima e resolvi proceder por minha iniciativa e por mero prazer intelectual a um inquerito tão profundo e minucioso quanto o comportava o cumprimento dos meus deveres profissionais.

DCF III-3, Doc. 775 · notícia de imprensa · 13 mar. 1922 (4 anos depois)Digitalizações (2)Ligação

13 de outubro de 1917 3 relatos

13 out.Testemunho diretoViuCartaAtitude céticaA multidão

Fui á Fatima e, como toda a gente, menos o Pinto Coelho, que, alem de ser um tanto vaidoso, tem a mania de se singularizar em tudo, vi o phenomeno solar e convenci-me de que era naturalmente inexplicavel como como cumprimento de profecia feita seis meses antes e como milagre em si mesmo, ao menos quoad modum.

[…]

Em 27 de Setembro ouvi essa predição da bocca das creanças e a 13 de Outubro vi o signal e vi que todo o povo acreditou.

DCF III-1, Doc. 166 · carta · 24 out. 1917 (11 dias depois)Digitalizações (4)Ligação
13 out.Testemunho diretoViuLivroAtitude céticaA chuva a pararSol a girarSol a mudar de corA multidãoPalavras dos videntes

No dia treze de Outubro, estando presentes cerca de setenta mil pessoas de todas as classes e condições sociaes e de todos os pontos do paiz, terminado o dialogo entre a Lucia a Apparição, que lhe declarou ser a Senhora do Rosario, a vidente recommendou aos circumstantes que olhassem para o sol. O firmamento estava completamente nublado. Chovia torrencialmente.

Como que por encanto rasgaram-se de repente as nuvens, e o sol no zenith appareceu em todo o seu esplendor e girou vertiginosamente sobre si mesmo como a mais bella roda de fogo de artificio que se possa imaginar, revestindo successivamente todas as cores do arco-iris e projectando feixes de luz de um effeito surprehendente.

Esse espectaculo sublime e incomparavel, que se repetiu por tres vezes distinctas, durou cerca de dez minutos. A multidão immensa, rendida perante a evidencia de tamanho prodigio, prostrou-se de joelhos, o Credo, a Avé Maria e o acto de contrição irromperam de todas as boccas e as lagrimas, lagrimas de alegria, de gratidão ou de arrependimento, marejaram todos os olhos.

[…]

Apesar de ter tido a ventura de presenciar os acontecimentos assombrosos do dia 13 de Outubro de 1917 e de poder por esse motivo narrá-los minuciosamente, prefiro reproduzir aqui dois relatos desses acontecimentos redigidos por escriptores insuspeitos, um delles inedito, devido á penna scintilante do espirito intelligente e cultissimo do Sr. Dr. José Maria de Proença de Almeida Garrett, que se dignou fazê lo a meu pedido dois meses depois, e o outro da auctoria do consagrado jornalista Sr. Avelino d'Almeida e publicado no numero 610, 2ª serie, de "A Illustração Portuguesa".

13 out.Testemunho diretoViuLivroAtitude céticaA chuva a pararSol a girarSol a mudar de corA multidãoPalavras dos videntes

No dia treze de outubro, estando presentes cerca de setenta mil pessoas de todas as classes e condições sociais e de todos os pontos do país, terminado o diálogo entre a Lúcia e a Aparição, que lhe declarou ser a Senhora do Rosário, a vidente recomendou aos circunstantes que olhassem para o sol. O firmamento estava completamente nublado. Chovia torrencialmente. Como que por encanto, rasgaram-se de repente as nuvens, e o sol no zénite apareceu em todo o seu esplendor e girou vertiginosamente sobre si mesmo, como a mais bela roda de fogo de artifício que se possa imaginar, revestindo sucessivamente todas as cores do arco-íris e projetando na direção da terra, feixes de luz dum efeito surpreendente. Esse espetáculo sublime e incomparável, que se repetiu por três vezes distintas, durou quase dez minutos. A multidão imensa, rendida perante a evidência de tamanho prodígio, prostrou-se de joelhos, o Credo, a Avé-Maria e o ato de contrição irromperam de todas as bocas e as lágrimas, lágrimas de alegria, de gratidão ou de arrependimento, marejaram todos os olhos.

DCF Seleção, Doc. 120 (= DCF II, Doc. 9) · documento oficial · ago. 1921 (4 anos depois)Digitalizações (2)Ligação

Outros acontecimentos de 1917 4 relatos

Outros de 1917Testemunho diretoArtigo da testemunhaAtitude céticaa 2 km

No intuito de completar as impressões colhidas no dia treze do corrente mez de Setembro e habilitar-me com os elementos indispensaveis para fundamentar tanto quanto possivel um juizo acertado ácerca dos acontecimentos que nos ultimos cinco mezes se teem desenrolado a tres kilometros ao sul da aldeia de Fatima, no local denominado Cova da Iria, fui pela segunda vez na quinta-feira ultima, vinte e sete4 áquella pittoresca aldeia, graciosamente alcandorada num dos contrafortes da magestosa serra d'Ayre.

Eram tres horas da tarde quando me apeei do trem que de Torres Novas me conduzira por Villa Nova d'Ourem á humilde povoação cujo nome é hoje pronunciado como uma promessa de bençãos e graças celestes por dezenas de milhares de labios de um extremo ao outro de Portugal. O reverendo Parocho, a quem logo procurei, não estava em casa: tinha sahido para fóra da freguezia e só á noite devia voltar.

Pesaroso por não poder trocar com elle algumas palavras sobre o assumpto que allí me levava, resolvi ir a casa das creanças favorecidas com aparições da Virgem Santissima e ouvir da boca dellas a narrativa pormenorisada dos estranhos successos, cuja noticia tem attrahido dia a dia á Fatima um sem numero de pessoas de todas as classes e condições sociaes.

Á distância de dois kilometros da egreja parochial e do presbyterio, num insignificante logarejo chamado Aljustrel, pertencente á freguezia, ficam situadas as modestas habitações das familias dos videntes.

As duas creanças mais novas estavam ausentes. Dirigi-me a casa da mais velha, onde a mãe me convidou a entrar e sentar-me, convite a que accedi. A uma pergunta minha sobre o paradeiro da filha, que eu procurava, respondeu-me que ella andava a vindimar numa pequena propriedade que lhe pertencia e que ficava a dois kilometros distante.

Alguem se prestou logo a ir chamá-la de ordem da mãe. Entretanto as duas creanças mais novas que tinham regressado do campo sabendo pelas visinhas que eu lhes desejava falar vieram ter comigo.

São dois irmãos, um menino e uma menina. Chegou primeiro a menina.

Chama-se Jacinta de Jesus, tem sete annos de edade e é filha de Manuel Pedro Marto e de Olympia de Jesus. Bastante alta para a sua edade, um pouco delgada sem se poder dizer magra, de rosto bem proporcionado, tez morena, modestamente vestida, descendo-lhe a sáia até a altura dos artelhos, o seu aspecto é de uma creança saudavel, accusando perfeita normalidade no seu todo physico e moral. Surprehendida com a presença de pessoas estranhas que me tinham acompanhado e que não esperava encontrar, a principio mostra um grande embaraço, respondendo por monosylabos e num tom de voz quasi imperceptivel ás perguntas que eu lhe dirijo. Momentos depois apparece o irmão, rapaz de nove annos de edade, que entra com um certo desembaraço no quarto onde estavamos, conservando o barrete na cabeça, decerto por não se lembrar de que devia descobrir-se. Um sinal que a irmã lhe fez nesse sentido não foi percebido por elle. Convidei-o a sentar-se numa cadeira ao meu lado, obedecendo imediatamente e sem nenhuma reluctancia.

[…]

Concluido o interrogatorio do Francisco, chamei de parte a Jacinta, que andava a brincar na rua com outras creanças, fi-la sentar num banquinho ao pé de mim e submeti-a também a um interrogatorio logrando obter della respostas completas e minuciosas como as do irmão.

[…]

A esta pergunta a creança responde primeiro que estavam na mão direita, mas em seguida, devido a uma insistencia propositada e capciosa da minha parte, mostra-se perplexa e confusa, não sabendo precisar bem qual das suas mãos correspondia á mão que a Apparição segurava o rosario.

Notas dos editores (1)

4 Vinte e sete de Setembro de 1917.

DCF III-2, Doc. 414 · notícia de imprensa · 27 set. 1917Digitalizações (6)Ligação
Outros de 1917Testemunho diretoInterrogatórioAtitude céticaa 2 km

No intuito de completar as impressões colhidas no dia 13 do corrente mês de Setembro e habilitar-me com os elementos indispensáveis para fundamentar um juízo, tanto quanto possível, acertado acerca dos acontecimentos que nos últimos cinco meses se têm desenrolado a três quilómetros ao sul da aldeia de Fátima, no local denominado Cova da Iria, fui pela segunda vez na quinta-feira última, 27, àquela pitoresca aldeia, graciosamente alcandorada num dos contrafortes da majestosa serra de Aire. Eram três horas da tarde quando me apeei do trem que de Torres Novas me conduzira por Vila Nova de Ourém à humilde povoação, cujo nome é hoje pronunciado como uma esperança fagueira de bênçãos e graças celestes por dezenas de milhares de lábios, de um extremo ao outro de Portugal. O rev.do Pároco a quem logo procurei, não estava em casa: tinha saído para fora da freguesia e só à noite devia voltar. Pesaroso por não poder trocar algumas palavras com ele sobre o assunto que ali me levava, resolvi ir a casa das crianças que se dizem favorecidas com aparições da Virgem Santíssima e ouvir da boca delas a narração pormenorizada dos estranhos sucessos cuja notícia tem atraído dia a dia à Fátima um sem número de pessoas de todas as classes e condições sociais.

À distância de dois quilómetros da igreja paroquial e do presbitério, num insignificante lugarejo chamado Aljustrel, pertencente à freguesia, ficam situadas perto uma da outra, as modestas habitações das famílias dos videntes. As duas crianças mais novas estavam ausentes.

Dirigi-me a casa da mais velha, onde a mãe me convidou a entrar e sentar-me, convite a que acedi. A uma pergunta minha sobre o paradeiro da filha que eu procurava, respondeu-me que ela andava a vindimar numa pequena propriedade que lhe pertencia e que ficava dois quilómetros distante.

Alguém se prestou logo a ir chamá-la de ordem da mãe. Entretanto, as duas crianças mais novas, que tinham regressado do campo, sabendo pelos vizinhos que eu lhes desejava falar, vieram ter comigo. Eram dois irmãos, um menino e uma menina.

Chegou primeiro a menina. Chama-se Jacinta de Jesus, tem sete anos de idade e é filha de Manuel Pedro Marto e de Olímpia de Jesus3. Bastante alta para a sua idade, um pouco delgada sem se poder dizer magra, de rosto bem proporcionado, tez morena, modestamente vestida, descendo-lhe a saia até à altura dos artelhos, o seu aspeto é o de uma criança saudável, acusando perfeita normalidade no seu todo físico e moral. Surpreendida com a presença de pessoas estranhas, que me tinham acompanhado e que não esperava encontrar, a princípio mostra um grande embaraço, respondendo, por monossílabos, e num tom de voz quase impercetível, às perguntas que eu lhe dirijo. Momentos depois aparece o irmão, rapaz de nove anos de idade, que entra com um certo desembaraço no quarto, onde estávamos, conservando o barrete na cabeça, decerto por não se lembrar de que o devia tirar. Um sinal que a irmã lhe fez para se descobrir não foi percebido por ele. Convidei-o a sentar-se numa cadeira ao meu lado, obedecendo imediatamente sem nenhuma relutância. Principiei sem demora a interrogá-lo sobre o que tinha visto e ouvido desde maio último na Cova da Iria no dia 13 de cada mês durante o tempo da aparição. Estabeleceu-se entre mim e ele o curto diálogo que segue.

[…]

Meia hora depois de terminado o interrogatório de Jacinta de Jesus, aparece Lúcia de Jesus. Vinha, como disse de uma pequena propriedade de sua família, situada a dois quilómetros de distância, onde tinha estado a vindimar. Mais alta e mais nutrida que as outras duas crianças, de tez mais clara, robusta e saudável, apresenta-se diante de mim com um desembaraço que contrasta singularmente com o acanhamento e a timidez excessiva da Jacinta. Singelamente vestida como esta, a sua atitude não denota e o seu rosto não traduz nenhum sentimento de vaidade nem de confusão.

Sentando-se, a um aceno meu, numa cadeira, ao meu lado, presta-se da melhor vontade a ser interrogada sobre os acontecimentos de que ela é a principal protagonista, sem embargo de se sentir visivelmente fatigada e abatida, mercê das visitas incessantes que recebe e dos inquéritos repetidos e prolongados a que é submetida.

Filha de António dos Santos4, de 50 anos de idade, e de Maria Rosa, de 48 anos, tem um irmão e quatro irmãs, todos mais velhos do que ela: Maria5, de 26 anos, já casada, Teresa6, de 24, Manuel7, de 22, Glória8, de 20, e Carolina9, de 15. Completou dez anos de idade em 22 de março do corrente ano10.

Tinha oito anos quando fez a sua primeira comunhão. A mãe, tipo da mulher cristã, e da boa dona de casa, entregue às lides domésticas, procurou sempre inspirar aos filhos o santo temor de Deus e levá-los ao cumprimento de todos os seus deveres morais e religiosos. Altamente preocupada com os sucessos que atraem a todo o momento as atenções de milhares de pessoas para a sua pobre habitação, até há pouco tempo ignorada do mundo, nota-se desde logo que o seu espírito hesita, numa ansiedade inquieta, entre a esperança de que sua filha seja realmente privilegiada com a aparição da Virgem e o receio de que ela seja vítima de uma alucinação que lhe traga desgostos e cubra de ridículo toda a sua família.

A uma pergunta minha acerca da piedade da sua Lúcia, responde que não lhe nota nada de extraordinário neste particular, vendo-a rezar da mesma forma e com o mesmo fervor que antes das aparições, exatamente como fazem as suas irmãs.

Notas dos editores (10)

1 Mãe de Lúcia. Nasceu na Perulheira, freguesia de S. Mamede, concelho da Batalha, a 6 de julho de 1869 e faleceu, em Aljustrel, a 16 de julho de 1942.

2 Nasceu em Tomar a 1 de janeiro de 1883. Foi professor do Seminário e do Liceu de Santarém. Em 1922, foi nomeado, por D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, membro da Comissão Canónica para o estudo dos acontecimentos de Fátima, sendo o autor do Relatório, apresentado a D. José em 1930. Em 1926, fundou a Congregação das Religiosas Reparadoras de Nossa Senhora Dores de Fátima. Faleceu, em Fátima, a 30 de janeiro de 1958.

3 Nasceu em Aljustrel a 31 de maio de 1869. Casou com José Ferreira da Rosa, a 6 de fevereiro de 1888, ficando viúva em 1895. Deste matrimónio nasceram dois filhos, António Ferreira Rosa e Manuel Ferreira Rosa. A 11 de fevereiro de 1898, casou com Manuel Pedro Marto. Faleceu, em Aljustrel, a 3 de abril de 1957.

4 Nasceu a 3 de janeiro de 1868, em Aljustrel; casou a 19 de novembro de 1890 com Maria Rosa. Faleceu a 31 de julho de 1919.

5 Maria dos Anjos, nasceu 13 de agosto de 1891. Casou a 23 de agosto de 1916 com António dos Santos Valinho. Faleceu a 26 de agosto de 1986.

6 Teresa de Jesus nasceu a 22 de maio de 1893. Casou com José da Lomba. Faleceu a 29 de novembro de 1972.

7 Manuel dos Santos nasceu a 22 de agosto de 1895. Casou com Emília de Jesus de Oliveira, a 21 de junho de 1922. Faleceu, no Brasil, a 30 de abril de 1977.

8 Glória de Jesus nasceu a 5 de outubro de 1898. Casou com Francisco Inácio Vieira, a 6 de julho de 1922. Faleceu a 6 de agosto de 1971.

9 Carolina de Jesus nasceu a 17 de outubro de 1902. Casou com Manuel Pereira Carvalho, a 28 de julho de 1929. Faleceu a 31 de março de 1992.

10 Segundo declaração da própria Lúcia, a 23 de fevereiro de 1989, o dia de nascimento foi a 28 de março de 1907 e não a 22 de março: “Meu pai era muito assíduo em levar os filhos à pia batismal. Quando eu nasci – ouvi contar a minha mãe numa entrevista com o Dr. Formigão, que a interrogou perguntando em que dia eu fazia anos - a Mãe respondeu: “Nós dizemos que é no dia 22 de março, porque ela foi registada como tendo nascido nesse dia, mas, na verdade, não é bem assim. Ela nasceu no dia 28 de março. Era quinta-feira Santa. [...] O Pai tratou logo do batizado. Não lhe convinha na próxima semana, por motivo dos seus trabalhos, mas, como estava mandado que os pais levassem os filhos a batizar aos oito dias, depois de nascidos - que, de contrário, pagavam multa, o Pai resolveu dá-la como nascida no dia 22, para que o Pároco a batizasse no Sábado de Aleluia, que era o dia 30 do mesmo mês” (Memórias da Irmã Lúcia, Memória V, capítulo 1, nº 2, Fátima, Vice-Postulação).

Outros de 1917Testemunho diretoNotaAtitude céticaA multidão

Depois do meio-dia parti de automóvel para a Fátima pela estrada da Mendiga, Reguengo de Fetal e Porto de Mós. Cheguei a Fátima às 3 horas da tarde. Na Cova da Iria, junto da azinheira das aparições, algumas piedosas mulheres do campo, ajoelhadas, rezam devotamente o terço. A azinheira reduzida ao tronco, que tem pouco mais de um palmo de altura, está envolta em ramos de plantas campestres e flores. A devoção dos peregrinos, que desejavam conservar uma recordação do arbusto, que servia de pedestal à Virgem durante as aparições, aniquilou-o quase completamente. Tudo o mais se conservava no mesmo estado em que se via no dia 11, antevéspera da última aparição. Dirigi-me em seguida a casa da família da Jacinta, onde se encontravam os três videntes, que estavam sendo submetidos a um interrogatório pelo Pe. José Ferreira de Lacerda, pároco dos Milagres e diretor do semanário católico “O Mensageiro”, de Leiria, e atualmente alferes-capelão do corpo expedicionário português, o qual tinha vindo à sua terra em gozo de licença e quis, antes de regressar a França, ver e falar com as crianças de Aljustrel. Acompanhavam o Pe. Lacerda outro sacerdote de Leiria e o pároco da Fátima. O número de visitantes das crianças aumenta de dia para dia. Vêm a toda a hora, dos pontos mais distantes e opostos do país. As crianças sentem-se bastante abatidas. A Lúcia sobretudo, devido a ser interrogada mais detidamente, acha-se profundamente exausta, notando-se que o cansaço excessivo a obriga a responder às perguntas que lhe são feitas sem a atenção e a reflexão que era para desejar. Responde às vezes quase maquinalmente, ocorrendo com frequência não se recordar bem de certas circunstâncias das aparições, ao contrário do que sucedia antes do dia 13 de outubro. Se não há cuidado em poupar as crianças à fadiga das inquirições frequentes e demoradas, a sua saúde corre risco de sofrer um profundo abalo.

Outros de 1917Testemunho diretoCartaAtitude cética

Hontem á noite sahiu d'aqui secretamente para a Fatima um automovel com carbonarios, entre os quaes um certo Fialho, e alli pela calada da noite, como salteadores, arrancaram a armação de madeira, e trouxeram-na juntamente com a cruz, o arco de verdura e um quadro de Nossa Senhora, não trazendo tambem a carrasqueira porque restava apenas uma pequena parte do tronco d'ella, que não sei se se trouxeram. Ao front bater-se com os allemães é que elles não vão, os heroicos paysanos. Nem sequer á Fatima se atreveram a ir de dia, os valentes.

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