No dia 13 de Outubro dêsse ano, cerca de 60:000 pessoas, de todas as classes e condições sociais, reuniram-se no local das aparições, atraídas pela vaga fama do milagre discretamente anunciado.
Foi então que o espectaculo mais assombroso e divinamente belo que é dado contemplar, se desenrolou deante dos olhos dessa multidão maravilhada. Toda a manhã chovera torrencialmente. O firmamento, em toda a sua vastidão imensa, estava coberto de densas nuvens negras.
Ao meio dia astronómico, o sol subitamente rasga as nuvens que lhe toldam a face e, semelhante a uma admiravel roda de fogo de artificio, rodopia vertiginosamente sobre o seu eixo pelo espaço de dez minutos, projectando em continuas explosões, feixes de luz e torrentes de chamas das mais lindas e variegadas côres.
— V. Ex.a tambem assistiu a esse assombroso fenomeno?
— Assisti. Já no dia treze de Setembro tinha ido a Fátima, mas não presenciei então nada de extraordinario, a não ser a fé e a piedade da multidão, que nesse dia atingiu talvez o elevado numero de 30:000 pessoas.
No dia vinte e sete do mesmo mês voltei lá para ver e interrogar os videntes, e confesso que me impressionou profundamente o tom de convicção e sinceridade com que descreviam os factos de que afirmavam ter sido testemunhas. Mas só no dia treze de Outubro, quando presenciei o fenómeno solar, é que reconheci a importancia dos sucessos maravilhosos de Fátima e resolvi proceder por minha iniciativa e por mero prazer intelectual a um inquerito tão profundo e minucioso quanto o comportava o cumprimento dos meus deveres profissionais.