Explorar / Relato

Manuel Nunes Formigão · 13 de outubro de 1917

Cleropadre, professor no Seminário de Santarém, que escrevia como Visconde de Montelo
13 out.Testemunho diretoViuLivroAtitude céticaA chuva a pararSol a girarSol a mudar de corA multidãoPalavras dos videntes

No dia treze de Outubro, estando presentes cerca de setenta mil pessoas de todas as classes e condições sociaes e de todos os pontos do paiz, terminado o dialogo entre a Lucia a Apparição, que lhe declarou ser a Senhora do Rosario, a vidente recommendou aos circumstantes que olhassem para o sol. O firmamento estava completamente nublado. Chovia torrencialmente.

Como que por encanto rasgaram-se de repente as nuvens, e o sol no zenith appareceu em todo o seu esplendor e girou vertiginosamente sobre si mesmo como a mais bella roda de fogo de artificio que se possa imaginar, revestindo successivamente todas as cores do arco-iris e projectando feixes de luz de um effeito surprehendente.

Esse espectaculo sublime e incomparavel, que se repetiu por tres vezes distinctas, durou cerca de dez minutos. A multidão immensa, rendida perante a evidencia de tamanho prodigio, prostrou-se de joelhos, o Credo, a Avé Maria e o acto de contrição irromperam de todas as boccas e as lagrimas, lagrimas de alegria, de gratidão ou de arrependimento, marejaram todos os olhos.

[…]

Apesar de ter tido a ventura de presenciar os acontecimentos assombrosos do dia 13 de Outubro de 1917 e de poder por esse motivo narrá-los minuciosamente, prefiro reproduzir aqui dois relatos desses acontecimentos redigidos por escriptores insuspeitos, um delles inedito, devido á penna scintilante do espirito intelligente e cultissimo do Sr. Dr. José Maria de Proença de Almeida Garrett, que se dignou fazê lo a meu pedido dois meses depois, e o outro da auctoria do consagrado jornalista Sr. Avelino d'Almeida e publicado no numero 610, 2ª serie, de "A Illustração Portuguesa".

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