Explorar / Relato

Inácio António Marques · 13 de outubro de 1917

Gente da terrajovem da Chainça
13 out.Testemunho diretoViuRecordação posteriorAtitude céticaA multidãoSol a girarRoupa a secar

O dia 13 de outubro acorda como um dia de pesada invernia, embora a chuva caia com lentidão. Durante toda a manhã chove sem cessar. Os caminhos e estradas vão repletos de gente que vindas de longes terras não faziam conta que chovesse em virtude de haver muitos meses que nem uma pinga caía. Chegados ao local iam acendendo fogueiras até que se aproximasse a hora.

Ao lugar da Chainça, que dista uma légua, foram ficar muitas pessoas entre elas dois senhores, um sr. Ferreira, de Leiria e outro de ao pé das Caldas, que dizem ser padre e dr. No dia seguinte, como chovesse muito e não estando acostumados ao rigor do tempo, não podiam seguir viagem demais não tendo com que se resguardar da água.

Não havia quem emprestasse guarda-chuvas porque os que havia eram poucos para as precisões. Eu então peguei num inutilizado e dando-lhe um conserto serviu para um e ao outro emprestei o meu, indo sem ele, chegando também todo a escorrer.

Chega-se o momento da aparição e passa-se o que todo o mundo sabe. O sol gira em torno de si mesmo e todos que se encontravam molhados aparecem enxutos como fui eu um deles. Apareceu um sr. de Leiria a distribuir ilustrações com os retratos das três crianças e de Nossa Senhora, encarregando-me dum maço apesar de me não conhecer.

DCF Seleção, Doc. 72 · depoimento · 23 nov. 1922 (5 anos depois)Digitalização
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