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Correspondente não identificado de O Século em Santarém

Jornalista

Correspondente em Santarém do diário lisboeta O Século (notícias assinadas «C.»), o mesmo que o «correspondente de O Século em Santarém». Noticiou a exposição dos objetos trazidos da Cova da Iria e a procissão burlesca (24 e 25 de outubro de 1917).

Residência: SantarémA região em redor2 relatos · Outros acontecimentos de 1917
Outros de 1917Testemunho diretoNotícia de imprensaAtitude céticaA multidão

Como Santarem é conhecida pela terra dos milagres, não quiz ainda d'esta feita que Fátima lhe tomasse a dianteira, e por isso, pessoas d'aqui foram a noite passada em automovel áquela povoação do concelho de Vila Nova de Ourem e d'ali trouxeram para Santarem o tronco da azinheira onde a virgem fazia as suas aparições, aos 13 dias de cada mez e com essa parte da arvore "santa", cortada a machado trouxeram tambem uma pequena meza, que, junto da arvore, simulava um altar, várias gravuras de imagens religiosas, duas cruzes, sendo uma de pau e outra de cana, um arco de murta, uma lata servindo de vazo com verdura e duas lanternas, todo o material que ornava o milagroso local.

Tudo isto chegou a Santarem esta manhã e tem estado exposto ao publico n'uma casa na praça Sá da Bandeira, onde a concorrencia tem sido extraordinaria durante todo o dia e parte da noite, constando que a exposição será feita de ámanhã em diante n'outro local, com entradas pagas, revertendo o seu produto em beneficio d'uma instituição de caridade.

No tronco "milagroso", aqui em exposição, notam-se vestigios varios de lhe terem sido cortados alguns bocados de casca que os crentes tinham levado no dia 13 d'este mez, como reliquias milagrentas.

DCF III-1, Doc. 169 · notícia de imprensa · 23 out. 1917 · também publicado em DCF III-1, Doc. 191DigitalizaçãoLigação
Outros de 1917Testemunho diretoNotícia de imprensa

SANTAREM. 24.— C. — Continuou hoje aqui a romaria de visitantes ao tronco da arvore da aparição da Virgem de Fátima e dos objetos que a crendice ali tinha colocado e hontem chegaram a Santarem. Como tinha constado que a exposição d’aqueles objetos ia ser paga a tanto por entrada e que o produto revertia a favor das cantinas escolares d’esta cidade, pede o presidente d’esta benemerita instituição para declarar que as cantinas não aceitam importancia alguma d’essa proveniencia.

SANTAREM, 25. — A noite passada muitos populares organisaram um cortejo, á laia de procissão, levando á frente uns tambores e a seguir os ramos da celebre arvore da aparição da Virgem em Fátima. Pelo mesmo cortejo eram conduzidos o arco de murta, as lanternas acesas, a cruz e mais objetos que os crentes tinham colocado no improvisado altar.

O acompanhamento entoava pitorescas “ladainhas”, e, n’um passo cadenciado percorreu as principaes ruas da cidade, dispersando na praça Sá da Bandeira, de onde tinha saido, indo muitos dos manifestantes depois juntar-se defronte de uma janela, na rua Direita, de onde tinha sido lançado um balde de agua, que apanhou alguns manifestantes e um dos policias que no cortejo se tinham incorporado, e ali permaneceram algum tempo, em atitude hostil ao dono da casa, até que um cabo e um guarda da policia civica apareceram pedindo aos manifestantes para dispersarem, o que depois fizeram.

DCF III-1, Doc. 188 · notícia de imprensa · 25 out. 1917 · também publicado em DCF Seleção, Doc. 120 (= DCF II, Doc. 9)DigitalizaçãoLigação
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