Do que, a este ultimo respeito, occorreu no recente dia 13, sabbado, podemos nós testemunhar, porque lá estivemos, não como peregrino, note-se bem, mas como curioso.
Das 11 á uma e meia a chuva foi constante e impelida por vento forte: um tempo francamente agreste e desagradavel que a enorme multidão de muitos milhares de pessoas supportou d'excellente humor, sem outro abrigo mais que os chapeus de chuva e os vehiculos — pois não se descortina nas immediações uma só edificação.
Uma hora e 37 minutos e meio — o meio dia solar — era a hora annunciada da visão, com a qual se esperava coincidissem os phenomenos no ceu.
A essa hora continuava chovendo.
Minutos depois, a chuva diminuiu e quando era uma e tres quartos cessou por completo.
O sol, até então encoberto, mostrou-se entre nuvens que corriam com certa velocidade. E como era variavel a densidade d'estas, mais ou menos diaphano era o veu que ellas punham sobre o astro-rei.
Como toda aquella multidão, olhámos então para o sol com attenção sustentada e, atravez das nuvens, vimol-o com aspectos novos: novos para nós, note-se bem.
Umas vezes rodeado de chammas encarniçadas, outras vezes aureolado de amarello ou roxo esbatido, outras vezes parecendo animado de velocissimo movimento de rotação, outras vezes, ainda, apparentando destacar-se do ceu, approximar-se da terra e irradiar um forte calor.
Para quê, negal-o? Estes phenomenos que jámais tinhamos visto, impressionaram-nos fortemente. Estabelece-se, nas multidões, uma psychologia collectiva. E, na sua grande generalidade, sobre aquella multidão perpassava uma grande onda de fé, que fortemente commovia.
[…]
Em summa, voltámos de Fátima n'aquelle mesmo estado d'espirito em que para lá fôramos - na duvida.